# Opinião: a falsa promessa do início de ano (“ano novo, eu velho.”)

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- Published: 2025-12-30T11:59:49-03:00
- Author: Redação

**Por: Enrico Pierro\***

Todo ano é a mesma coisa: janeiro chega com aquela energia de vendedor de curso 
motivacional. Promete mudança, prosperidade, paz interior e um corpo definido que,
convenhamos, só aparece na montagem mental que a gente faz.

Eu sempre caio no golpe. Sempre. Começo acreditando que, por algum motivo místico,
espiritual ou simplesmente teimoso (eu sou taurino, né?), tudo vai virar do avesso
para melhor. Como se a vida falasse: “Parabéns, você sobreviveu, toma aqui uma versão
atualizada de você mesmo.”

Mas aí vem a verdade: ano novo, eu velho. Com os mesmos hábitos, os mesmos dramas,
os mesmos boletos, só que agora numerados com outro ano, o que não melhora absolutamente
nada.

O pior é que janeiro tem essa mania irritante de se achar especial. Ele chega como
quem diz “vamos recomeçar?”, só que ele esquece que para recomeçar precisa ter parado
em algum momento. E eu não parei. Eu só fui empurrado de dezembro para cá igual 
carrinho de supermercado com a roda torta: vai indo, mas tropeçando no próprio eixo
e andando em zigue-zague.

Claro que eu tento fazer a minha parte. Escrevo metas, apago metas, refaço metas
de um jeito mais realista. Tipo, trocar “mudar de vida” por “tentar não surtar no
primeiro semestre”. Evolução, né?

Aí eu olho em volta: o mundo continua bagunçado, eu continuo cansado, e janeiro 
continua insistindo que “tudo é possível”. Possível até é. Provável? Já não garanto.

Mas, quer saber? Talvez a graça esteja justamente nisso. Nessa ilusão coletiva, 
nesse otimismo meio bobo, nessa fé meio teimosa que faz a gente continuar acreditando
que, sei lá… vai que esse ano a vida resolve colaborar um pouquinho.

Porque, no fundo, mesmo velho, mesmo repetindo padrões, mesmo carregando os mesmos
medos e a mesma preguiça crônica, eu sempre começo o ano achando que _dessa vez_
pode surpreender. E, se não surpreender, a gente improvisa. Segue. Reinventa. Tropeça
com estilo.

Afinal, ano novo, eu velho, mas ainda aqui. E isso, considerando o caos que foi 
sobreviver até dezembro, já é quase um milagre.

_@enricopierroofc_
