# Opinião: Facilitar investimentos dá vida à Amazônia

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- Published: 2024-10-01T14:19:49-03:00
- Author: Redação

**_Por Marcelo Thomé\*_**

A falta de investimentos em projetos estruturantes e negócios sustentáveis atravanca
a vida da Amazônia e está na raiz da nossa incapacidade de combater as queimadas
e deter o desmatamento. A conservação do bioma amazônico não é possível sem o seu
manejo como base de uma bioeconomia inovadora e inclusiva, com atividades sustentáveis
capazes de gerar escala e oportunidades para todos que vivem nessa grande floresta
habitada – são trinta milhões de brasileiros, a grande maioria sem uma qualidade
de vida digna da sua humanidade.

As comunidades da Amazônia, por seus modos de vida, legaram ao Século 21 a maior
floresta tropical do mundo. E apesar do inusitado que é empreender no “paraíso perdido”
descrito por Euclides da Cunha, os setores produtivos da região criaram os meios
possíveis para alimentar e abastecer essa população amazônida, além de gerar alguma
perspectiva de vida melhorada. Sempre lidamos com queimadas e desmatamento, somando
culpas e méritos no trato do bioma, mas o fato que as emissões de gases de efeito
estufa dos países industrializados desequilibraram o clima e tornaram essa discussão
ultrapassada. O que importa agora é conservar a Amazônia, e se isso não pode ser
feito sem o engajamento da sua população, também não pode ser feito sem investimentos
externos.

A emergência climática cobra sinergia entre ação global e ação local para conter
a devastação da Amazônia, desafio que exige muitos recursos, especialmente financeiros–
e nesse quesito a capacidade da iniciativa local é muito limitada. Sem o suporte
global é impossível deter o desmatamento, acabar as queimadas e promover qualidade
de vida para quem vive na Amazônia. Mas é decepcionante constatar que recorrentes
anúncios de aportes bilionários nas florestas tropicais não passam disso: anúncios.
Em 2015, com o Acordo de Paris, os países endinheirados anunciaram cem bilhões de
dólares por ano para conter o aquecimento global em 1,5ºC. Dispensável listar razões
que fazem da Amazônia um destino prioritário dessa grana. Mas até hoje a dinheirama
das Nações não causa impacto na Amazônia.

Perseverar é preciso e não se deve deixar de cobrar o financiamento climático, só
não podemos apenas esperar. Por assim entender, um movimento de empresários da Amazônia
decidiu agir. Essa iniciativa empresarial criou o Instituto Amazônia+21, organização
da sociedade civil apoiada pela Confederação Nacional da Indústria e pelas federações
de indústria dos nove estados da Amazônia Legal. O instituto atua em colaboração
com importantes associados e parceiros dos setores privado e público, instituições,
academia e mercado financeiro. Numa frase, a missão do Amazônia+21 é promover negócios
sustentáveis, com agenda ESG e foco ODS, conectando todos os tipos de investimentos
às melhores oportunidades na Amazônia.

As regras dos bancos e do mercado financeiro não são feitas para a realidade do 
Norte, tão diferente do Sul e Sudeste. A intricada situação fundiária da nossa região
constitui uma barreira quase intransponível para grande parte das operações bancárias.
Conhecendo bem esses gargalos, o Instituto Amazônia+21, com a colaboração do Blend
Group, criou a Facility de Investimentos Sustentáveis. Trata-se de uma ferramenta
inovadora, estruturada em quatro plataformas que incluem investimento, engajamento,
assistência técnica e geração de conhecimento. A partir dessa arquitetura ela utiliza
de blended finance para viabilizar projetos capazes de gerar escala e produzir impacto
na vida de comunidades, com ganhos socioambientais, compliance e retorno financeiro.

A mobilização de capital envolve diversas fontes, sejam investidores individuais,
family offices, fundos e bancos de fomento, instituições multilaterais, doadores
institucionais ou individuais, governos. Pela combinação de veículos de investimentos
e estruturas catalíticas, é possível criar meios para originar projetos, prover 
assistência técnica, engajar atores relevantes e produzir conhecimento para impulsionar
o desenvolvimento local sustentável. A estratégia de operação visa atrair e orientar
capital em larga escala, fornecer planejamento e assistência técnica, e implementar
uma agenda de recursos filantrópicos para projetos estruturantes. O modelo operacional
e financeiro do investimento é submetido a um conselho estratégico, e só depois 
segue para os veículos de investimento tomarem as decisões finais sobre o aporte
de recursos.

A Facility catalisa diferentes tipos de capitais e viabiliza projetos que podem 
contribuir para uma transformação com respeito aos modos de vida das comunidades,
para a conservação de ecossistemas com emissões mitigadas e infraestruturas adaptadas
às mudanças climáticas. É uma ferramenta completa. Com segurança jurídica e transparência,
os investidores participam de cada etapa dos processos e têm dividendos financeiros
e sociais por associação com a bioeconomia, agricultura de baixa emissão, energia
renovável, turismo sustentável, água e desenvolvimento territorial.

Insisto lembrar que a Amazônia é uma floresta habitada e milhões de pessoas dependem
do seu manejo para comer, trabalhar e viver melhor. Se não vamos conservar o bioma
apenas impondo “o que não pode fazer”, também não basta orientar “o que se pode 
fazer”. É sobre “como fazer” que estamos falando agora, com a Facility de Investimentos
Sustentáveis.

Facilitar investimentos é fundamental para conservar o bioma e gerar qualidade de
vida para trinta milhões de pessoas que vivem na Amazônia. Uma coisa depende da 
outra e precisamos conversar sobre isso em espaços como as próximas conferências
das Nações Unidas sobre mudanças climáticas em Baku e em Belém, naturalmente.

_**\*Marcelo Thomé da Silva de Almeida, 50 anos, empresário. Arquiteto e urbanista
pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), pós-graduado em gestão empresarial
pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Presidente da Federação das Indústrias do Estado
de Rondônia (FIERO) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
onde preside o Conselho Temático de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Coemas). É
Presidente do Instituto Amazônia+21.**_
