# Opinião: o oceano que existe em nós, por Enrico Pierro

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- Published: 2024-11-29T10:00:00-03:00
- Author: Redação

_Em um momento de contemplação à beira-mar, uma reflexão sobre como nossas emoções,
ansiedades e alegrias nos conectam a algo maior e nos afastam da ideia de estarmos
sozinhos no mundo._

Por Enrico Pierro

fiquei parado admirando as ondas e como o mar chegava até os meus pés. engraçado,
pensei. às vezes ele chegava bem devagar, quase com medo de me tocar. às vezes vinha
com pressa, quase nervoso, prestes a me arrastar. precisava até fincar os dedos 
na areia para me firmar. será que eu sou como o mar? que tem medo de avançar algumas
vezes e em outras me atiro com a pressa e a ansiedade de quem precisa ir logo?

a água era tão cristalina que eu podia ver minúsculas partículas de areia misturadas
à água. elas vinham agitadas. não sei se haviam sido arrastadas ou se estavam felizes
de terem vindo. resolvi me agachar e olhar mais de perto. havia tanto ali. percebi(
ou me lembrei?) que o mar é feito de milhares, milhões de “coisas” misturadas, formando
algo imenso, quase infinito. entre tantos mares e oceanos, será que somos um oceano?
milhões de coisas minúsculas entre células e pensamentos? entre tormentos e ansiedades,
e amores e tristezas e alegrias e mágoas, formando isso tudo, o que se vê e o que
não se vê?

lembrei de como sou pequeno, frente ao universo, como um grão daquela areia na imensidão
da praia do universo. e, ao mesmo tempo como eu estou interligado a tudo. exatamente
como a praia ou um oceano. um grão, por mais distante do outro, está sempre ligado
de alguma forma, assim como todos nós. vivendo nesse planeta, como se fôssemos realmente
como uma praia gigante, um oceano infinito. mas parece que não nos damos mais conta
disso tudo. esquecemos do oceano, da praia, da areia. passamos a viver em ilhas 
solitárias achando que somos apenas conchas, fechados em si. isolados em problemas
e paranoias que, para nós, são únicos. só o nosso sofrimento, só os nossos problemas
são reais e importam. só nós sofremos como mais ninguém. 

está na hora de molharmos nossos pés no mar e olharmos a areia para nos lembrar,
de verdade, que nunca fomos ilhas, sempre fomos oceanos.
