# Opinião: o sentido criação da morte

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- Published: 2026-11-02T11:27:29-03:00
- Author: Redação

**Por: Dom Irineu Roman\***

A comemoração de todos os fiéis falecidos é ocasião para recordar aqueles que já
passaram por este mundo, para agradecer o bem que puderam fazer, o amor que conseguiram
espalhar. Este dia de Finados é também uma oportunidade de refletir sobre a própria
morte, para direcionar a própria vida na perspectiva de Jesus e da Salvação eterna.

A grande verdade do dia de Finados é que Deus nos ama infinitamente e quer salvar
a todos, custe o que custar. Deus quer nos salvar de uma vida sem sentido, que se
perde no nada; salvar para a Vida Eterna; salvar pela fé nele mesmo, o Filho de 
Deus, aderindo a suas Palavras, assimilando sua Vida, doada como alimento para a
vida do mundo.

Outro ponto a considerar hoje, é que devemos pensar na morte terrena. A vida continua,
plenificada em Deus, que nos ressuscita por sua graça. Pois é de graça que Deus 
nos dá a Vida Eterna. Pensar na morte é pensar no amor que se doa, o amor que dá
sentido à vida; o amor que revela qual é a nossa fé, nossa adesão a Jesus; o amor
que somos chamados a viver hoje, porque hoje pode ser, de fato, nosso último dia.

A fé na eternidade e a certeza da morte terrena, nos levam a relativizar o que aqui
deixaremos, para dar a devida importância do que levaremos para junto de Deus. Na
celebração da Missa nós sempre rezamos uma oração pelos falecidos: “Lembrai-vos,
ó Pai de vosso filho(a), que chamastes deste mundo à Vossa presença. Concedei-lhe
que, tendo participado da morte de Cristo pelo Batismo, participe igualmente da 
sua Ressurreição” (cf. Missal Romano).

Esta verdade – a de podermos interceder pelos que nos precederam, admitida desde
sempre pelo povo cristão, foi declarada solenemente como Verdade de Fé. Nós, enquanto
participamos de alguma celebração ou visitamos o cemitério, podemos recordar nossos
entes queridos, que continuam em nossa memória, unidos a nós, por fortes vínculos.

Vejamos hoje como é a nossa oração por eles! Não nos esqueçamos de que se trata 
de uma grande obra de Misericórdia, rezar pelos falecidos. “Ó Deus! Tu és o meu 
Deus, eu te busco desde o amanhecer; a minha alma tem sede de Ti, a minha carne 
anseia junto de Ti, como a terra árida e seca, sem água” (Sl 63,1). “A minha alma
tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e contemplarei a face de Deus?” (Sl 
41/42).

Esta necessidade e esta ânsia reveladas pelo autor sagrado podem ser aplicadas às
almas de nossos irmãos falecidos. São Francisco de Assis, encarava a morte como 
irmã, como amiga. O Santo enxergava a morte como a chave da felicidade plena. O 
livro de Jó mostra que o ser humano é um buscador de Deus.

No meio de muitas perguntas, dúvidas e crises, Deus permite que amadureçamos e compreendamos
que Deus existe, e, é a fonte de toda a vida. Vejamos a experiência de Jó: “Eu sei
que o meu Redentor está vivo, e que, por último, se levantará sobre o pó, … na minha
carne verei a Deus. Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão” (Jó 19,25 – 27).

O Encontro com Deus transforma o nosso jeito de pensar e agir. Ele é defensor da
vida, o doador de todos os bens. Dele viemos, vivemos e para Ele iremos (Rm 11,36).
Enquanto Jó confessa sua fé na futura visão de Deus, o Evangelho de João nos indica
que já podemos “ver” a Deus na pessoa de Jesus Cristo, como “Caminho, Verdade e 
Vida (Jo 14,6) – “Ressurreição e Vida” (Jo 11, 25-26).

Há uma bela afirmação, frequentemente atribuída a Santa Terezinha do Menino Jesus,
segundo a qual “não morre quem permanece na memória dos vivos”. Por isso, meus avós,
meus pais e meus amigos ainda não morreram plenamente na minha memória afetiva.

Continuam vivos em minhas lembranças e saudades, em meus sentimentos e em minha 
história. O Apóstolo Paulo, em seus escritos, reflete profundamente o sentido da
morte cristã: “Ó morte, onde está a tua vitória?” (cf. 1Cor 15,55).

Ele afirma também que a morte é: “o último inimigo a ser derrotado” (1Cor 15,26).
Penso que a morte guarda segredos, que ainda não conseguimos decifrar plenamente;
talvez seja ela que nos ajude a compreender o verdadeiro sentido da vida: a morte
é o sentido da vida! A morte nos remete a Deus, ao encontro definitivo com Deus,
onde haverá um juízo divino. (Mt. 25,31-46).

Aí seremos julgados, sobretudo pelas “Obras de Caridade”. A morte tem muito a nos
ensinar. É uma mestra silenciosa, portadora de uma sabedoria imensa que nunca perdeu
sua verdade. Ela nos ensina que somos passageiros, que o tempo é precioso, que o
amor permanece e que nada nesta vida nos pertence para sempre.

Se os falecidos pudessem nos invejar, seria o tempo que ainda temos nesta vida para
nos converter e santificar. Os que já morreram não tem mais esta possibilidade, 
mas nós ainda temos tempo, não sabemos até quando viveremos. Jesus nos alerta no
Evangelho, que a morte virá como um ladrão, numa hora imprevista (1Ts 5,2 e 2Pe 
3,10).

Enfim, a morte ainda tem muito a nos ensinar. É uma mestra silenciosa, portadora
de uma sabedoria que nunca perdeu sua verdade. Ela nos ensina que somos transitórios,
passageiros, que o tempo presente é precioso, e no final, o amor prevalecerá; e 
que nenhum bem material deste mundo, nos pertence para sempre.

No dia em que formos sepultados, somente nosso corpo será levado ao sepultamento.
No céu, saberemos tudo. Ou, pelo menos, compreenderemos aquilo que hoje permanece
envolto neste grande mistério de Deus.

A Celebração de Finados, é um dia que evoca saudade, esperança e compromisso. Saudades
daqueles que partiram e marcaram de uma maneira ou de outra a nossa vida; esperança,
porque nos foi revelado que a morte é passagem para a vida em plenitude.

Lembremos da semente, uma vez semeada na terra, desaparece, germina e gera uma nova
planta, e produz frutos; (Jo,12,24); lembremos da erva seca, que regada pela chuva,
volta a brotar e crescer (Jo 14,79). Hoje é dia de visitarmos os sepulcros de nossos
falecidos e aí chorarmos. A visita, seja feita com fé, oração e esperança na Ressureição
para a Vida Eterna.

– Qual o significado de levar flores aos túmulos e sepulturas? As flores nos lembram
a alegria, a vida, a felicidade, a beleza, a saudade, a amizade e o amor para aquela
pessoa falecida. As flores são símbolos da vida, paz, Ressurreição e de Eternidade.–
Qual o significado de acender velas para nossos irmãos(as) falecidos?

 – A vela simboliza a luz da criação de Deus; é a luz do dia que ilumina as trevas.

A luz nos mostra e abre o caminho da Ressurreição e da Vida Eterna, junto de Deus.

Oração: “Senhor Jesus, Primeiro e Último, Alfa e ômega. O Vivente, que esteve morto,
mas que agora está vivo para sempre. O todo-poderoso, que tem a chave da morte, 
me ajude a compreender que a morte é certa, sei bem. Mas, não há só morte. A morte
é Vida Eterna no além. Amém”.

**_\*Arcebispo Metropolitano de Santarém_**
