# Pacientes reumáticos têm mais risco de desenvolver tuberculose

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- Published: 2023-10-14T13:58:53-03:00
- Author: Redação

**Elaine Patricia Cruz\***
A pandemia de covid-19 fez com que muitos casos de tuberculose
ao redor do mundo deixassem de ser notificados, diz a Organização Mundial da Saúde(
OMS). Com isso acredita-se que, nesse período, o número de pessoas com tuberculose
não diagnosticadas e não tratadas possa ter aumentado.

No Brasil, não foi diferente. Um boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério
da Saúde em março deste ano revelou que a mortalidade por tuberculose no país voltou
a crescer nos últimos anos. Em 2021 foram registrados 5.072 óbitos pela doença, 
aumento de 11,9% em relação a 2019. Foi a primeira vez, em quase 20 anos, que o 
país ultrapassou o número de 5 mil mortos pela doença. Desde 2002, quando foram 
registrados 5.162 óbitos, o Brasil não chegava a essa marca.

Para os pacientes de doenças reumáticas, o aumento nos casos não diagnosticados 
ao redor do mundo pode ser ainda mais preocupante, já que essas pessoas apresentam
ainda mais risco de desenvolver a doença. “Se a pessoa tiver algum sintoma do músculo
esquelético, é importante procurar um reumatologista”, disse o médico especialista
José Eduardo Martinez, da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

“A tuberculose é uma doença infecciosa, e a mais prevalente no mundo. Temos cerca
de 10,4 milhões de novos casos de tuberculose por ano, segundo dados pré-pandemia.
Durante a pandemia, os casos foram subnotificados e então perdeu-se um pouco o controle.
Mesmo assim, tivemos um aumento do registro de novos casos de tuberculose de 2021
para 2022, aumento em torno de 3%”, disse Viviane Angelina de Souza, professora 
de reumatologia e da pós-graduação em Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade
Federal de Juiz de Fora (MG) e coordenadora da Comissão de Doenças Endêmicas e Infecciosas
da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível, causada pela bactéria Mycobacterium
tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. A doença afeta prioritariamente
os pulmões, e seu sintoma mais conhecido é a tosse, mas também provoca febre e perda
de peso. A tuberculose é evitável e curável, mas é importante procurar ajuda médica
rapidamente porque a cura depende do diagnóstico e tratamento precoce.

“Principalmente nos pacientes com doenças reumáticas imunomediadas – como artrite
reumatóide, espondiloartrites e lúpus eritematoso sistêmico – existe uma condição
que é altamente prevalente. Um quarto da população mundial apresenta essa condição,
que é o que a gente denomina infecção latente pela tuberculose”, explicou.

E o que seria a infecção latente pela tuberculose? “A pessoa tem, no decorrer da
vida, contato com o bacilo da tuberculose, mas o próprio sistema imunológico consegue
bloquear a bactéria e não deixa que a infecção se desenvolva. Mas essa bactéria 
não é eliminada e fica adormecida”.

O que ocorre é que os pacientes com diagnóstico de doenças reumáticas imunomediadas
e com tuberculose latente podem apresentar desequilíbrio no sistema imunológico.
Nesse caso, as bactérias da tuberculose que estavam adormecidas podem ser liberadas
e cair na circulação. Aí a tuberculose ativa pode ser ainda mais grave, atingindo
não só o pulmão, mas também outros órgãos.

Viviane lembra que outras populações de alto risco de reativação de focos latentes
são pessoas em situação de rua, asilados, população carcerária, profissionais de
saúde e pacientes renais crônicos.

Para evitar que isso ocorra e que pessoas de alto risco apresentem sérias complicações,
é necessária uma vigilância sobre os casos de tuberculose e de tuberculose latente.
No Brasil, existe um plano para prevenir a doença. É o Plano Brasil Livre da Tuberculose
que tem, entre suas metas, diminuir a incidência da doença e alcançar, até 2035,
redução de 95% no número de mortes por ela causadas.

De acordo com o Ministério da Saúde, o tratamento de pessoas com tuberculose latente
é uma importante estratégia de prevenção para o controle da doença. “A OMS prevê
que essa meta de acabar com a tuberculose no mundo vai atrasar. A principal maneira
de acabar com os casos de tuberculose é identificar os portadores dessa bactéria
adormecida, que é a tuberculose latente e, nas populações de risco, realizar o tratamento”.
Todo o tratamento, destacou Viviane, pode ser feito pelo Sistema Único de Saúde (
SUS).

Procurado pela reportagem, o Ministério da Saúde informou que, em abril deste ano,
o governo instituiu o Comitê Interministerial para a Eliminação da Tuberculose e
de Outras Doenças Determinadas Socialmente, que vai integrar nove ministérios e 
pretende promover ações para erradicar esta e outras doenças com elevada incidência
em regiões de maior vulnerabilidade até 2030.

“Outra importante estratégia é a incorporação de novos tratamentos para a doença.
Em setembro de 2023, por exemplo, foi incorporado a pretomanida no SUS. O medicamento
é administrado via oral, com menos efeitos colaterais, o que facilita a adesão e
exige menos visitas de acompanhamento. Além disso, o tempo de tratamento também 
é reduzido: de dezoito para seis meses”, informou a pasta.

O ministério reforçou que a doença tem cura e que todo o diagnóstico e tratamento
são oferecidos pelo SUS. De acordo com a pasta, a melhor forma de evitar a infecção
é a detecção e o início precoce do tratamento. “Para as pessoas que receberam o 
diagnóstico de infecção latente, recomenda-se o tratamento preventivo da tuberculose”,
ressaltou.

Também é importante tomar a vacina BCG, que protege as crianças das formas mais 
graves da doença.

*A repórter viajou a convite da Sociedade Brasileira de Reumatologia

Fonte: Agência Brasil
