# Pará bate recorde histórico de queimadas em outubro e Justiça do Trabalho alerta para riscos à saúde dos trabalhadores

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- Published: 2026-11-04T19:12:43-03:00
- Author: Redação

> _**Estado registrou mais de 11,7 mil focos de incêndio, o maior número para o 
> mês em 29 anos de monitoramento do INPE. Em Santarém e outras regiões, fumaça 
> e calor aumentam a preocupação com a saúde de quem trabalha ao ar livre.**_

O Pará registrou, em outubro, o maior número de focos de incêndio para esse mês 
desde o início das medições do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE),
em 1998. Foram mais de 11,7 mil registros, um recorde em 29 anos de monitoramento.
Além dos danos ambientais, o avanço das queimadas e a fumaça espalhada por diferentes
regiões do estado acendem um alerta para os riscos à saúde, especialmente de trabalhadores
que exercem atividades ao ar livre.

Especialistas apontam que o fenômeno climático El Niño, associado à estiagem, pode
ter contribuído para aumentar o risco de incêndios na região. Municípios como Vitória
do Xingu, no sudoeste paraense, Santarém, Alter do Chão e Oeiras do Pará, no oeste,
além de São Sebastião da Boa Vista, no Marajó, estão entre as localidades afetadas
pela fumaça.

A exposição prolongada à fumaça e ao calor representa uma ameaça à saúde de trabalhadores
da construção civil, agricultura, limpeza urbana, entregas e transporte, entre outras
atividades realizadas a céu aberto. Entre os principais problemas estão doenças 
e irritações respiratórias, impactos cardiovasculares, irritação nos olhos e na 
garganta, além de estresse térmico, exaustão, fadiga e redução do rendimento físico.

Diante do cenário, a juíza do Trabalho Nágila Quaresma, titular da 2ª Vara do Trabalho
de Santarém, destaca que as empresas precisam adotar medidas para proteger os funcionários
durante episódios graves de poluição e calor extremo.

Entre as providências recomendadas estão o fornecimento de equipamentos de proteção
individual (EPIs), como máscaras PFF2 ou N95, principalmente em áreas com alta concentração
de fumaça. Máscaras de tecido ou cirúrgicas não oferecem proteção adequada contra
partículas finas presentes na poluição. A magistrada também aponta a necessidade
de disponibilizar água para hidratação constante, estabelecer pausas durante a jornada
e garantir locais sombreados, arejados ou climatizados para reduzir o estresse térmico.

Outra medida importante é acompanhar os índices de qualidade do ar por meio de plataformas
oficiais, como o Painel Vigiar, do Ministério da Saúde, e o Sistema de Informações
Ambientais Integrado à Saúde Ambiental (SISAM). A oferta de atendimento médico aos
trabalhadores também pode ajudar a prevenir o agravamento de problemas de saúde 
relacionados à exposição à fumaça.

A magistrada afirma que a situação preocupa a Justiça do Trabalho, principalmente
pela falta de planos de contingência em muitas localidades para enfrentar emergências
climáticas.

“Nós, enquanto Justiça, acompanhamos com preocupação este momento, pois sabemos 
que muitos lugares não possuem um plano de contingência para situações de emergências
climáticas e episódios como este nos mostram o quanto isso é mais urgente do que
se imagina. Vamos, inclusive, propor um encontro com o Ministério Público do Trabalho
para ter uma real noção do impacto”, ressalta Nágila Quaresma.

Trabalho Seguro

Desde abril de 2015, o Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8) desenvolve
o Programa Trabalho Seguro, com iniciativas voltadas à conscientização, prevenção
de acidentes e promoção da saúde ocupacional.

O programa busca fortalecer uma cultura de prevenção de acidentes e doenças relacionadas
ao trabalho, garantindo melhores condições de segurança, saúde e dignidade nas relações
profissionais. O desembargador Paulo Isan Coimbra da Silva Júnior é o gestor regional
da iniciativa.

Diante do recorde de queimadas e dos efeitos da fumaça sobre a população, a preocupação
agora também se volta às condições oferecidas a quem precisa continuar trabalhando
mesmo em meio à poluição e às altas temperaturas.
