# Pará inicia vigilância epidemiológica para prevenir a Febre de Oropouche

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- Published: 2024-02-27T19:22:23-03:00
- Author: Redação

O Pará é o primeiro estado brasileiro a implantar oficialmente a Vigilância Epidemiológica
da Febre de Oroupoche, doença causada pelo vírus de mesmo nome, transmitida pelo
mosquito conhecido como maruim. A informação foi divulgada, nesta terça-feira (27),
pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

A implantação foi aprovada no dia 8 de fevereiro, pela Comissão Intergestores Bipartite(
CIB), que reúne gestores da Sespa e das secretarias Municipais de Saúde. É a CIB
que aprova todas as Políticas de Saúde e as pactuações entre gestores do Sistema
Único de Saúde (SUS) no Pará.

Para a secretária de Estado de Saúde Pública, Ivete Vaz, esse é mais um avanço nas
ações de Vigilância em Saúde no Pará. “É muito importante que os serviços de saúde
estejam preparados para identificar e notificar os casos de oropouche, para que 
as ações de controle ocorram em tempo hábil e a população paraense seja atendida
de forma adequada”, afirmou.

O Vírus Oropouche (Orov) é um arbovírus que circula na América Central (Panamá e
Trinidad e Tobago) e América do Sul (Brasil e Peru), tendo causado mais de 30 epidemias
e mais de meio milhão de casos clínicos da doença, a maioria no Brasil, desde sua
descoberta nos anos 1960.

Conforme estudos científicos, o Pará é o estado com maiores evidências da presença
do Orov, estando presente em 39 (27,08%) dos 144 municípios, incidência muito maior
que no Amazonas, por exemplo, que está enfrentando uma grande onda da doença. Daí
a importância de o governo do Estado, por meio da Sespa, priorizar a vigilância 
desse arbovírus em território paraense.

**Incidência **– Segundo a diretora do Departamento de Controle de Endemias, Adriana
Tapajós, nos anos de 2021 e 2022 o Instituto Evandro Chagas detectou 121 casos positivos,
com detecção de anticorpo da classe IgM para o Orov, indicativo de infecção recente
pelo vírus.

Os pacientes eram provenientes de municípios dos estados do Amazonas, Amapá, Pará,
Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e Tocantins. Foi ainda detectada por RT-qPCR
uma amostra positiva para Orov em Teresina, capital do Piauí. “Esses dados comprovam
a circulação recente desse vírus nesses estados, mas ainda não temos casos confirmados
este ano”, ressaltou Adriana Tapajós.

Dessa forma, o objetivo da nova Vigilância é dar maior atenção e direcionamento 
aos casos suspeitos e passíveis de diagnóstico diferencial para Oropouche, com processos
alinhados e em complemento à Vigilância das outras arboviroses, em benefício da 
saúde da população.

**Procedimentos **– Na prática, como já ocorre com os casos suspeitos de dengue,
zika e chikungunya, os serviços de Saúde vão precisar preencher a ficha de notificação
da doença, iniciar investigação, notificar imediatamente a Coordenação Estadual 
de Arboviroses e o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs),
e encaminhar a ficha de notificação e investigação.

Também devem colher amostras para diagnóstico e encaminhar ao Laboratório Central
do Estado do Pará (Lacen), para os testes sorológicos e/ou de biologia molecular;
realizar a busca ativa de casos suspeitos e epizootias de primata não humano nos
locais de provável infecção, e informar, educar e comunicar os moradores da região
afetada sobre a doença, sinais e sintomas, além das unidades de saúde para atendimento
e as medidas de prevenção. O diagnóstico precoce também é fundamental para identificar
casos e desenvolver as ações de controle da doença.

**Transmissão **– O principal vetor no ciclo urbano é o mosquito Culicoides paraensis(
Ceratopogonidae), conhecido popularmente como maruim, mas também pode ser transmitido
pelo mosquito Culex quinquefasciatus, o carapanã comum. Já no ciclo silvestre, diversos
mosquitos do gênero Culicoides, e das espécies Coquillettidia venezuelensis, Culex
quinquefasciatus e Ae. Serratus, juntamente com seus hospedeiros vertebrados (humanos,
aves, preguiças e macacos), garantem a manutenção do vírus na natureza.

**Sinais e sintomas** – Os principais sinais e sintomas da febre de Oropouche são
quadro febril agudo, dor de cabeça, dor nas articulações e músculos, fotofobia e
outras manifestações sistêmicas. Alguns pacientes raramente podem apresentar manifestações
neurológicas.

Conforme Adriana Tapajós, a fase aguda da doença geralmente varia de dois a sete
dias. “Em alguns casos, os sintomas costumam reaparecer entre dois e dez dias após
o término do primeiro episódio febril. No entanto, os sintomas geralmente são menos
graves, e os pacientes se recuperam completamente sem sequelas, mesmo em casos graves”,
ressaltou.

**Prevenção **– De acordo com a coordenadora de Entomologia, Bárbara Almeida, a 
vigilância de vetores para arbovírus ainda é uma das medidas mais eficazes para 
identificar e evitar possíveis surtos de doenças transmitidas por insetos, sendo
a vigilância entomológica uma ferramenta importante neste processo.

Quanto às medidas que podem ser adotadas pela população para controle da proliferação
dos mosquitos, Bárbara Almeida apontou a limpeza de terrenos, quintais e outros 
ambientes que possam contribuir para a proliferação do vetor, manejo ambiental e
proteções individuais, como uso de repelente.

Serviço: Para solicitar orientações e denunciar existência de possíveis criadouros
de mosquito, a população deve procurar a Secretaria Municipal de Saúde.

**_Fonte: Agência Pará_**
