# Pará registra menor desmatamento da história e reduz devastação em 45,3% em um ano

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- Published: 2026-10-17T10:42:33-03:00
- Author: Redação

> **_Estado atingiu 1.130 km² de área desmatada entre agosto de 2025 e julho de 
> 2026, segundo estimativa do Inpe; queda acumulada chega a 78,4% desde 2021_**

O Pará registrou, em 2026, a menor taxa anual de desmatamento desde o início da 
série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 1988. A 
área desmatada caiu de 2.064 km², em 2025, para 1.130 km² no período de agosto de
2025 a julho de 2026, uma redução de 45,3% em apenas um ano. Os dados foram divulgados
nesta sexta-feira (16) e indicam que o estado acumula cinco anos consecutivos de
queda na devastação da floresta amazônica.

O levantamento faz parte do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia
Legal por Satélite (Prodes), desenvolvido pelo Inpe e utilizado como referência 
para calcular as taxas anuais de perda de vegetação nativa na região. O resultado
mais recente representa uma redução de 934 km² em relação ao período anterior, área
equivalente a aproximadamente 130 mil campos de futebol.

A queda também consolida uma mudança expressiva em relação ao cenário registrado
em 2021, quando o Pará contabilizou 5.238 km² de desmatamento. Desde então, a taxa
anual diminuiu 78,4%, o equivalente a 4.108 km² a menos de floresta desmatada por
ano.

## Desmatamento cai pelo quinto ano consecutivo

A trajetória de redução no Pará começou a ganhar força em 2022, quando a área desmatada
caiu para 4.162 km², uma diminuição de 20,5% em relação ao ano anterior. Em 2023,
o índice recuou para 3.299 km², queda de 20,7%.

A tendência continuou em 2024, com 2.395 km² de área desmatada, redução de 27,4%.
No ano seguinte, o total chegou a 2.064 km², uma diminuição de 13,8%. Já em 2026,
a estimativa de 1.130 km² representa a maior queda percentual anual dessa sequência.

A dimensão do avanço também aparece na comparação com 2004, quando o Pará atingiu
o maior índice de desmatamento da série histórica, com 8.870 km². Em relação àquele
ano, a taxa atual é 87,3% menor, o que corresponde a 7.740 km² a menos de área desmatada
anualmente.

## Queda acompanha tendência na Amazônia Legal

O resultado paraense acompanha a redução observada em toda a Amazônia Legal. Segundo
as estimativas do Inpe, o desmatamento na região caiu 41,8%, passando de 5.731 km
² para 3.335 km² entre os períodos analisados.

A diminuição da perda de vegetação é considerada relevante para a conservação da
biodiversidade, a manutenção dos recursos hídricos e a proteção dos estoques de 
carbono armazenados na floresta. A preservação da cobertura vegetal também contribui
para a regulação do clima regional, a conservação dos solos e a manutenção dos ciclos
de chuva.

A redução do desmatamento ainda ajuda a evitar emissões de gases de efeito estufa
associadas à derrubada e à conversão de áreas florestais para outras atividades 
econômicas.

## Governo atribui resultado a políticas ambientais

Para o secretário de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade, Raul Protázio
Romão, os números reforçam a importância de manter ações permanentes de fiscalização,
regularização ambiental e incentivo a atividades econômicas sustentáveis.

Segundo o secretário, a redução precisa ser acompanhada de medidas que permitam 
conciliar a proteção da floresta com a geração de renda para a população paraense.

“Essa redução expressiva é um resultado que precisa ser celebrado, mas também compreendido
como um compromisso permanente. O enfrentamento ao desmatamento exige políticas 
públicas consistentes, fiscalização, regularização ambiental e alternativas econômicas
capazes de gerar oportunidades sem comprometer a floresta”, afirmou.

Entre as iniciativas estaduais voltadas à conservação ambiental estão o Plano Estadual
Amazônia Agora (PEAA), o Programa Regulariza Pará e o Plano Estadual de Bioeconomia.
As ações buscam combinar o ordenamento territorial, a regularização de imóveis rurais,
o monitoramento ambiental e o estímulo a atividades produtivas compatíveis com a
preservação dos recursos naturais.

O Cadastro Ambiental Rural (CAR), o aprimoramento dos sistemas de monitoramento 
por satélite e o fortalecimento da fiscalização também integram as estratégias de
controle da devastação. Outra frente envolve a valorização dos produtos da sociobiodiversidade,
com o objetivo de ampliar oportunidades de renda por meio do uso sustentável da 
floresta.

## Desafio é manter a redução nos próximos anos

Apesar do resultado histórico, a continuidade da queda depende da manutenção das
políticas de prevenção e controle, dos investimentos em monitoramento e da atuação
conjunta entre órgãos públicos, setores produtivos e comunidades amazônicas.

A redução da devastação representa um avanço para a conservação ambiental do Pará,
mas a consolidação dessa tendência exige ações permanentes para conter a pressão
sobre a floresta e ampliar alternativas econômicas sustentáveis.

Com a menor taxa anual registrada desde 1988, o estado chega a um marco importante
no monitoramento ambiental. O desafio agora é preservar os resultados alcançados
e garantir que a diminuição do desmatamento continue nos próximos anos, com benefícios
para a biodiversidade, o clima e as populações que dependem diretamente dos recursos
naturais da Amazônia.
