# Pesquisa aponta presença de metais tóxicos em peixes da região

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- Published: 2026-04-09T18:08:18-03:00
- Author: Redação

Estudo realizado pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), por meio do
Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento (PPGSND), avaliou
a presença de metais tóxicos — mercúrio, arsênio, cádmio e chumbo — em peixes consumidos
na região. A coleta do pescado foi feita nos municípios de Faro, Juruti, Santarém
e Oriximiná (Baixo Amazonas) e Itaituba (Sudoeste do Pará).

A pesquisa investigou seis espécies de peixes e avaliou a presença dos metais tóxicos
sob dois cenários de consumo: o cenário brasileiro, com o consumo de 24 g/pessoa
por dia, e o cenário amazônico, com 462 g/pessoa por dia. Nesse cenário amazônico,
tem-se o consumo de grandes quantidades de peixe, principalmente em comunidades 
ribeirinhas.

As espécies de peixes pesquisadas são tucunaré, surubim-pintado, pirarucu e piranha,
consideradas predadoras; e duas espécies não predadoras: aracu e acari. O principal
critério para essa escolha foi a presença dessas espécies em todas as localidades,
assim como o fato de todas serem muito valorizadas e consumidas na região.

Os pesquisadores responsáveis pela pesquisa são o doutor em Ciências Ambientais 
Fábio Albuquerque, colaborador do PPGSND, e o professor Antonio Minervino, docente
do quadro permanente do programa. Ambos são pesquisadores do Laboratório de Sanidade
Animal (Larsana) da Ufopa.

**Contextos importantes da pesquisa**

A escolha dos municípios para a pesquisa, assim como das espécies de pescado, deu-
se com base no cenário atual da região, que enfrenta diversos desafios ambientais.
Um exemplo é a mineração artesanal de ouro, em grande parte ilegal, que é uma atividade
poluidora consolidada na região e responsável pela contaminação direta por mercúrio.
Nos últimos anos, a mineração de ouro aumentou consideravelmente na região, com 
mudanças no perfil da atividade, considerando que os garimpeiros passaram a utilizar
equipamentos pesados, levando a uma maior industrialização do processo e, consequentemente,
a maiores danos ambientais. Esse é um cenário identificado em Itaituba.

A região também abriga grandes projetos de mineração, principalmente de bauxita,
em Porto Trombetas — no município de Oriximiná —, desde 1969, e no município de 
Juruti, desde 2009. O estudo destaca que o resíduo dessa prática, uma lama vermelha,
contém elevada alcalinidade e pode conter metais pesados em altas concentrações.
Os riscos ambientais decorrem de seu alto pH, o que pode provocar problemas de permeabilidade
do solo e favorecer a mobilização de contaminantes junto a águas subterrâneas, alterando
características químicas do solo ou da água.

Santarém, que diretamente não tem essas atividades minerais, é afetada porque recebe
a carga de sedimentos a partir do movimento dos rios Tapajós e Amazonas, que são
afetados pelas ações nos três municípios citados – Itaituba, Oriximiná e Juruti.

De acordo com a pesquisa, a região tem passado por uma rápida transformação agrícola,
transitando de uma agricultura familiar para uma agricultura mecanizada industrial
de milho e soja. A região do Baixo Amazonas, no Oeste do Pará, tornou-se uma nova
fronteira agrícola, com aumento da área plantada com soja de apenas 25 hectares,
em 2001, para 122 mil hectares, em 2024.

Tanto essa expansão agrícola quanto as atividades de mineração em curso têm impulsionado
o desmatamento direto por meio da abertura de áreas e da construção de extensas 
redes de infraestrutura. Como o mercúrio está presente de forma abundante nos solos
da região, a remoção da vegetação e a perturbação do solo promovem erosão acelerada,
contribuindo para uma maior disponibilidade de mercúrio nos ecossistemas aquáticos.

Considerando que o peixe de água doce é a principal fonte de proteína em comunidades
ribeirinhas, essas atividades têm impactado as populações locais, já que as espécies
de peixes podem acumular elementos potencialmente tóxicos, como os metais inorgânicos.

No caso de Faro, este é um município que não é, diretamente, influenciado por águas
provenientes da mineração, mas, como Santarém, sofre pressão de atividades agrícolas,
desmatamento, queimadas e exploração ilegal de madeira, o que pode afetar negativamente
a saúde das pessoas que consomem peixe.

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_Prof. Fábio Albuquerque durante captura e contenção de exemplar de pirarucu para
o estudo._

**Sobre os resultados da pesquisa**

Os resultados do estudo mostram que peixes carnívoros apresentaram maiores níveis
de mercúrio, podendo ultrapassar valores considerados seguros quando o consumo é
frequente. “Altas concentrações de mercúrio se encontram nos peixes predadores, 
como o tucunaré, a piranha, o surubim-pintado e o pirarucu. Nos peixes não predadores(
aracu e acari) foram observadas concentrações elevadas de arsênio, possivelmente
associadas à exposição ao sedimento”, disse o professor Albuquerque.

No cenário amazônico, de alto consumo de peixe, os dados indicam risco à saúde ao
longo da vida, principalmente por efeitos neurológicos associados ao mercúrio. Em
parte das amostras, o arsênio também contribuiu para risco potencial de câncer.

Porém, de acordo com o pesquisador, o estudo não indica que os peixes estão impróprios
para o consumo porque, considerando a variação dos locais, há as espécies predadoras
que têm baixa concentração de substâncias tóxicas. A pesquisa, segundo ele, pretende
chamar a atenção para as situações de degradação ambiental na região que podem aumentar
a concentração das substâncias a níveis mais arriscados. Vale ressaltar que os metais
pesados ocorrem naturalmente nos ecossistemas, mas as atividades antrópicas como
mineração, desmatamento, queimadas, entre outras, vai favorecer o aumento das concentrações
de metais que chegam aos organismos aquáticos”, alertou Fábio Albuquerque.

**Aspectos ligados à saúde**

O estudo fornece novos insights sobre os riscos carcinogênicos (representam a probabilidade
de desenvolver câncer) e não carcinogênicos (efeitos adversos à saúde que não resultam
em câncer), referentes aos metais pesquisados.

No cenário brasileiro de consumo de peixe, os percentuais de arsênio e cádmio resultaram
em, praticamente, todos os dados com risco negligenciável, ou seja, perigo baixo.
Porém, considerando o cenário amazônico, o consumo de certas espécies de peixe (
acari e pirarucu) de cidades do Oeste do Pará (Faro, Juruti e Santarém) resultou
em risco inaceitável para populações ribeirinhas devido à ingestão de arsênio.

De acordo com a pesquisa, as diretrizes nacionais não podem ser usadas para avaliar
os riscos à saúde de elementos potencialmente tóxicos em populações amazônicas, 
uma vez que o consumo de peixe impacta significativamente o risco humano.

**Necessidade de monitoramento ambiental**

O estudo destaca que padrões nacionais de consumo e segurança alimentar não refletem
adequadamente a realidade amazônica, reforçando a necessidade de monitoramento ambiental
e ações de saúde pública específicas para populações com alto consumo de pescado.

Os resultados estão associados a processos ambientais e atividades humanas presentes
na região, como garimpo, mineração, desmatamento e expansão agrícola, que influenciam
a disponibilidade desses contaminantes nos ecossistemas aquáticos.

_**As informações são da Ufopa**_
