# Pesquisadores ainda buscam entender efeitos a médio e longo prazo em pacientes curados da Covid-19

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- Published: 2021-01-15T10:10:00-03:00
- Author: Redação

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Passados 10 meses da declaração da Organização Mundial de Saúde (OMS) de que o planeta
vive uma pandemia do novo coronavírus, estudiosos ainda tentam compreender os efeitos
da doença no corpo humano. Um estudo chinês publicado na revista científica Lancet
mostrou que 76% de um total de 1.655 pacientes que contraíram a doença, e que foram
internados, apresentaram sintomas e sequelas da enfermidade seis meses após a alta
hospitalar. 

Para a elaboração do estudo, os pesquisadores aplicaram um questionário a pessoas
curadas da Covid-19, com idade entre 47 e 65 anos, para avaliar a qualidade de vida
e os sintomas. Além disso, também foram realizados testes físicos. Fadiga ou fraqueza
muscular foram os sintomas mais relatados (63%), seguido por sintomas de ansiedade
e depressão (23%). 

Os pesquisadores afirmam também que a redução de anticorpos em pacientes com infecção
aguda pela Covid-19 acende o sinal de alerta para uma reinfecção da doença.

A técnica de enfermagem Vania Lucia da Silva, 55 anos, moradora da região administrativa
de Ceilândia, no Distrito Federal, precisou ficar internada e foi entubada após 
ser diagnosticada com a Covid-19. Após receber alta, ela conta que perdeu 14 kg 
e, até hoje, sente reflexos da doença em seu dia a dia. 

“Quando eu saí do hospital, eu fiquei duas semanas no oxigênio e precisei fazer 
fisioterapia pulmonar por quase dois meses. A minha força muscular e minha resistência
física também diminuíram.”

Neste ano, a Secretaria de Saúde de Goiás deu início ao programa Reabilita Goiás,
que tem o objetivo de qualificar as equipes de Atenção Primária e fortalecer a assistência
integral à saúde a pessoas infectadas pelo coronavírus que ainda apresentam sequelas
ou limitações resultantes da doença. A iniciativa está sendo aplicada apenas no 
município de Inhumas, mas a pasta afirma que pretende expandi-la em outras localidades.

O tratamento terá duração de oito semanas e a reabilitação será feita três vezes
por semana, sendo um dia de forma presencial e dois dias de forma remota. Essa divisão
visa submeter o paciente a exercícios físicos e, assim, aumentar a intensidade deles
aos poucos. 

Hemerson Luz, médico especialista em Infectologia, explica que diversas pessoas 
que tiveram casos graves da Covid-19 apresentam complicações no pulmão, o que dificulta
a realização até mesmo de tarefas cotidianas simples. 

“Esses pacientes geralmente têm uma perda importante de capacidade pulmonar e podem
ter cansaço constante e falta de ar em atividades que antes eles conseguiam fazer.
A fisioterapia respiratória precoce é uma forma de tratar esse problema”, diz. 

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**Investigação**

Por se tratar de uma doença nova, médicos e pesquisadores de todo o planeta ainda
investigam os efeitos a médio e longo prazo da Covid-19 em pacientes curados. Também
há relatos de pessoas que, mesmo curadas, tiveram sequelas no cérebro, coração, 
rins, e no sistema vascular. 

**_Fonte: Brasil 61_**
