# Pesquisadores paraenses estudam diversidade sustentável do açaí

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- Published: 2023-07-18T13:39:11-03:00
- Author: Redação

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Depois de conquistar o paladar de brasileiros de todas as regiões e expandir seu
sabor por outros países, o açaí despertou a curiosidade de pesquisadores, e foi 
parar nos laboratórios de instituições científicas. No Pará, experiências feitas
por profissionais do Laboratório de Tecnologia Supercrítica (Labtecs), do Espaço
Inovação do Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, em Belém, resultaram na 
descoberta de variedades do produto já utilizadas nas indústrias alimentícia, farmacêutica
e cosmética.

Da fruta típica da Amazônia rica em antioxidantes, fibras e alto valor energético,
se extrai azeite, pó e manose, um insumo para medicamentos usados no trato urinário.
O alimento que sempre fez parte da dieta da população do Norte do Brasil também 
oferece diversidade sustentável.

“Estudamos o açaí desde 2016 nas suas variedades e espécies. Fizemos uma verticalização
do açaí. Conseguimos extrair princípios bioativos que podem ser utilizados tanto
para indústria quanto para o benefício humano. E hoje temos produtos finalizados
para comercialização”, informa Raul Nunes de Carvalho Júnior, coordenador do Labtecs,
que aguarda parcerias para comercialização dos produtos.

**Açaí em pó** – O Laboratório do PCT Guamá tem capacidade para produzir 400 quilos
de açaí em pó por mês. O açaí liofilizado é a polpa da fruta desidratada. O processo
denominado liofilização mantém todas as características nutricionais e sensoriais
do alimento, incluindo cor, aroma e sabor.

Entre os benefícios para o consumo estão prevenções anti-inflamatórias, como diabetes.
Além de diminuir níveis de colesterol, prevenindo doenças cardiovasculares.

**Incentivo à pesquisa** – Estudantes de graduação e pós-graduação das mais variadas
áreas do conhecimento já passaram pelo Laboratório de Tecnologia Supercrítica. A
engenheira química Letícia Siqueira, que faz doutorado, estuda a biodiversidade 
do açaí para desenvolver novos produtos.

“Estamos trabalhando com matéria prima vegetal, e isso é muito importante para a
bioeconomia. Descobrir e desenvolver produtos que não estão no mercado, que as pessoas
nem sabiam que existia. E trabalhamos com tecnologia verde, 100% orgânico, natural.
Não há restrições para as indústrias. As pessoas só estão acostumas a tomar o açaí
puro ou sorvete, mas ele tem um potencial gigantesco para outros fins, por isso 
o estudo é tão importante”, ressalta a pesquisadora.

Iniciativa do Governo do Pará, por meio da Secretaria de estado de Ciência, Tecnologia
e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet), o PTC Guamá é o primeiro
parque tecnológico a entrar em operação no norte do Brasil, e vem estimulando a 
pesquisa aplicada e o empreendedorismo inovador e sustentável.

“O papel da Secretaria é justamente incentivar e valorizar o experimento científico
de pesquisadores paraenses. E esse projeto em si tem um enorme potencial, porque
possibilita o estudo em algo presente na vida das pessoas do nosso Estado, que é
a nossa riqueza do açaí, que em pó pode ser usado em vários outros produtos, e preservada
a sua conservação por muito mais tempo. Tenho certeza de que é incentivando a pesquisa
que vamos conseguir otimizar a produção, evitar desperdícios e valorizar aquilo 
que temos de melhor e em abundância, que é o cultivo do açaí”, destaca Hélio Leite,
titular da Sectet.

**Açaí em números **– O Estado do Pará é o maior produtor de açaí do Brasil. Segundo
dados da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística), o Estado produziu 94% de todo o açaí do País, com 1.485.113 toneladas.
Igarapé-Miri é o município que mais produziu o fruto (426 mil toneladas) em 2021.
Boa parte do açaí exportado sai do Pará em forma de polpa in natura ou barra (congelada).

O Labtecs estuda todas as variações da fruta produzida em terra firme ou áreas de
várzea nas regiões Nordeste (principalmente o Baixo Tocantins), Arquipélago do Marajó
e ilhas ao redor de Belém. Transformar o açaí em potencial para a indústria, utilizando
tecnologia limpa e inovadora, e valorizando a biodiversidade amazônica é o que objetivo
do professor Raul Nunes de Carvalho Júnior.

“Me sinto muito orgulhoso porque sou paraense, e ver o açaí se transformando dessa
forma, gerando benefícios, emprego, me deixa muito feliz. Isso é economia verde,
economia circular. Isso agrega valor, que se transforma em riqueza para o nosso 
Estado”, ressalta o coordenador do Labtecs.

**_Fonte: Agência Pará_**
