# PF: Salles e presidente do Ibama são alvo de operação que apura esquema ilegal de exportação de madeira

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- Published: 2021-05-19T09:53:02-03:00
- Author: Redação

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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (19/5), a Operação Akuanduba,
que investiga crimes contra a administração pública, como corrupção, advocacia administrativa,
prevaricação e, especialmente, facilitação de contrabando, praticados por agentes
públicos e empresários do ramo madeireiro. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo 
Salles, e o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama), Eduardo Fortunato Bim, estão entre os alvos da operação. Bim
foi afastado do cargo.

Após o início da operação, Salles foi à Superintendência da PF, em Brasília, por
conta própria na manhã desta quarta. Pelo menos 160 policiais federais cumprem 35
mandados de busca e apreensão no DF e nos estados de São Paulo e do Pará. Entre 
os endereços, estão a sede do Ibama, o Ministério do Meio Ambiente e o apartamento
de Salles, em São Paulo. As medidas foram determinadas pelo ministro Alexandre de
Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Além das buscas, o STF determinou o afastamento preventivo de 10 agentes públicos
ocupantes de cargos e funções de confiança no Ministério do Meio Ambiente e no Ibama,
entre eles, o presidente do órgão. E, ainda, a suspensão imediata da aplicação do
despacho emitido em fevereiro de 2020 pelo Ibama, que, contrariando normativos e
pareceres técnicos do órgão, permitiu a exportação de produtos florestais sem a 
necessidade da emissão de autorizações para exportação.

Estima-se que o referido despacho, elaborado a pedido de empresas que tiveram cargas
não licenciadas apreendidas nos Estados Unidos e na Europa, resultou na regularização
de mais de 8 mil cargas de madeira exportadas ilegalmente entre os anos de 2019 
e 2020.

A quebra de sigilo bancário e fiscal do ministro e dos servidores investigados também
foi autorizada pelo Supremo. As averiguações tiveram início em janeiro deste ano
a partir de informações obtidas com autoridades estrangeiras, que noticiaram possível
desvio de conduta de servidores públicos brasileiros no processo de exportação de
madeira.

Até o momento, além do presidente do Ibama, outros servidores foram afastados do
órgão e do Ministério do Meio Ambiente:

Eduardo Bim
Leopoldo PenteadoVagner Tadeu MatiotaOlimpio Ferreira MagalhãesJoão 
Pessoa Riograndense Moreira JrRafael Freire de MacedoLeslie Nelson Jardim TavaresAndre
Heleno Azevedo SilveiraArthur Valinoto BastosOlivaldi Alves Azevedo Borges

A reportagem procurou a assessoria do Ibama e do MMA e aguarda manifestações sobre
o caso. O espaço segue aberto.

**Operação Akuanduba**

Akuanduba é uma divindade da mitologia dos índios Araras, que habitam o estado do
Pará. Segundo a lenda, se alguém cometer algum excesso, contrariando as normas, 
a divindade faz soar uma pequena flauta, restabelecendo a ordem.

**Apreensão recorde**

Em dezembro do ano passado, a Polícia Federal fez apreensões recordes de madeira
na divisa do Amazonas com o Pará. No total, foram mais de 200 mil metros cúbicos,
o que representa cerca de 65 mil árvores derrubadas.

Em março, Salles visitou a região e defendeu a devolução do material para os madeireiros.
Segundo o ministro, o desmatamento teria sido feito dentro da lei.

Em abril, o então superintendente da Polícia Federal, Alexandre Saraiva, criticou
a atitude do ministro. Ele chegou a enviar ao STF uma notícia-crime contra Salles.

No documento, o delegado apontou a possibilidade de ocorrência dos crimes de advocacia
administrativa, organização criminosa e de “obstar ou dificultar a ação fiscalizadora
do Poder Público no trato de questões ambientais.” Em 20 de abril, o governo federal
trocou a Superintendência da Polícia Federal no Amazonas. O delegado Leandro Almada
da Costa assumiu o cargo no lugar de Alexandre Saraiva.

Em entrevista recente ao Metrópoles, Salles negou ter pedido a cabeça do investigador.“
Caiu porque resolveu buscar holofotes. No dia que ele soube que ia ser removido [
do cargo de superintendente da PF], ele apresentou uma notícia-crime absurda contra
mim no Supremo Tribunal Federal. Totalmente fantasiosa, sem nenhuma prova. Fez isso
para buscar holofotes”, ressaltou.

**_Com informações do Metrópoles_**
