# Polícia intensifica investigações contra grupos que lucram com jogos de azar online e apostas esportivas no oeste do Pará

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- Published: 2024-11-04T09:53:34-03:00
- Author: Redação

A Polícia Federal (PF) tem intensificado, em todo o país, suas investigações para
desmantelar grupos organizados que operam no mercado de jogos de azar online e apostas
esportivas. No Pará, segundo uma fonte da PF de Belém, há investigação em curso 
em diversos municípios paraenses, especialmente em Santarém e cidades do oeste do
estado. A operação visa identificar e neutralizar indivíduos e empresas que lucram
com jogos como “Tigrinhos” e outras apostas virtuais de origem estrangeira, que 
não possuem autorização para operar no Brasil.

Há diversos grupos sob investigação suspeitos de realizar operações financeiras 
vultosas para plataformas internacionais de apostas, movimentando milhões em nome
de terceiros. Para atrair jogadores, influenciadores locais e de outras regiões 
do Pará utilizam suas redes sociais para compartilhar os jogos e promover promessas
de ganhos fáceis e elevados, intensificando a exposição de estilos de vida de luxo,
com exibições ostensivas de carros importados, joias e outros itens de alto valor.
O objetivo dos investigadores é entender como esses influenciadores podem estar 
vinculados ao esquema e se eles também participam do processo de captação de jogadores.

De acordo com a PF, muitos desses grupos operam uma rede sofisticada de empresas
que, sob o pretexto de fornecer serviços tecnológicos de pagamento, viabilizam a
movimentação de capital para plataformas de jogos de azar e apostas esportivas estrangeiras.
Essas empresas estão espalhadas por diversas regiões do país e prestam serviços 
de pagamento para plataformas digitais de origem internacional que não têm autorização
para operar no Brasil.

Além das suspeitas de envolvimento com plataformas de apostas, a PF descobriu indícios
de que esses grupos utilizam suas operações financeiras para práticas de lavagem
de dinheiro. Por meio de empresas intermediárias, esses fundos ilícitos são disfarçados
como transações legais e redirecionados a contas de terceiros, incluindo supostos
agentes públicos e outros suspeitos de crimes variados, como tráfico de drogas.

A investigação estendida para a região oeste do Pará visa apurar onde influenciadores
locais promovem esses jogos de azar nas redes sociais. A PF está investigando se
o esquema pode ter ramificações maiores, envolvendo pessoas que utilizam seu alcance
digital para atrair novos apostadores e, em troca, recebem comissões ou valores 
significativos. Em algumas das publicações, esses influenciadores prometem retornos
financeiros altíssimos para quem participar dos jogos, o que tem gerado um aumento
no número de participantes e despertado a atenção das autoridades.

Segundo a fonte da PF ouvida pelo QP, o principal objetivo da operação é impedir
que essas plataformas continuem a operar ilegalmente e lucrar com apostas que não
possuem regulamentação no país. Além disso, a investigação tem como meta rastrear
todos os fluxos financeiros atrelados ao grupo, identificando ligações com possíveis
atividades criminosas, como o tráfico de drogas. O desmonte dessa rede pode implicar
na responsabilização criminal dos envolvidos, incluindo influenciadores que promovem
esses jogos.

Os envolvidos podem responder por crimes como lavagem de dinheiro, formação de organização
criminosa, estelionato, e outras infrações correlatas.

**Investigações por todo o Brasil**

A promoção de jogos de azar por influenciadores digitais e a presença maciça de 
empresas de apostas esportivas no Brasil têm levantado suspeitas das autoridades
brasileiras, que deram início a investigações em vários estados do país para apurar
a atuação de grupos criminosos no mercado de “bets”.

No final do ano passado, a Polícia Civil do Estado do Pará deflagrou a operação “
Truque de Mestre”, que teve como alvo influenciadores digitais que divulgavam jogos
de azar nas redes sociais. Segundo a polícia, os investigados movimentavam uma grande
quantia em dinheiro ao incentivarem os seguidores a aderirem às plataformas de jogos.
Uma das investigadas teria movimentado mais de R$23 milhões em apenas dois meses.

Em agosto deste ano, a Polícia Civil realizou uma operação para investigar um esquema
ilegal de divulgação e arrecadação de valores por meio de jogos de azar no interior
de São Paulo. Durante a operação, denominada “Rifas Lucrativas”, os policiais apreenderam
oito computadores e seis veículos de luxo que pertenciam a um casal de influenciadores
digitais de Itupeva (SP). A dupla somava mais de 12 milhões de seguidores no Instagram
e agia promovendo jogos de azar e realizando rifas de forma ilegal.

Outra operação, realizada no mês passado, investigou uma organização criminosa com
envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro de jogos ilegais. Na ação, coordenada
pela Polícia Civil de Pernambuco, foram cumpridos 19 mandados de prisão e 24 de 
busca e apreensão nas cidades de Recife (PE), Barueri (SP), Campina Grande (PB),
Cascavel (PR), Curitiba (PR) e Goiânia (GO).

Entre os indiciados na operação estavam o cantor sertanejo Gusttavo Lima e a influenciadora
Deolane Bezerra, além de empresários e sócios de empresas de apostas esportivas.
De acordo com as investigações, o grupo movimentou quase R$3 bilhões provenientes
de jogos ilegais e lavagem de dinheiro.
