# Policiais rodoviários federais e militares são presos por transportar drogas para facção criminosa

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- Published: 2024-11-18T14:06:34-03:00
- Author: Redação

Uma investigação da Polícia Federal revelou a participação de dois policiais militares
de Rondônia, um da Bahia e dois agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em um
esquema de tráfico interestadual de drogas. Os cinco homens foram presos durante
a Operação Puritas, que cumpriu 15 mandados de prisão contra membros de uma organização
criminosa voltada para o tráfico de cocaína.

De acordo com o site [Metrópoles](https://www.metropoles.com/colunas/tacio-lorran/drogas-prfs-trafico),
os agentes não apenas transportavam drogas, mas também repassavam informações sigilosas
para facilitar as atividades da facção criminosa Comando Vermelho (CV). Conversas
interceptadas pela Polícia Federal mostram os envolvidos negociando valores e estratégias
para evitar fiscalizações nas rodovias.

**Quem são os envolvidos**

Diego Dias Duarte (“Robocop” ou “DDD”) – Lotado na Bahia, o agente da PRF era responsável
por realizar consultas nos sistemas da corporação para orientar criminosos sobre
fiscalizações nas rodovias. Além disso, ele participava diretamente do transporte
de drogas. Em sua posse, as autoridades encontraram um cofre com R$ 580 mil e US
$ 8,1 mil em espécie.

Raphael Ângelo Alves da Nóbrega – Também agente da PRF, Raphael foi preso em flagrante
em julho de 2023 transportando 542 kg de cocaína em Canarana (MT). Durante a tentativa
de fuga, ele capotou a caminhonete que dirigia e foi capturado após tentar escapar
em um táxi. Segundo a PF, Raphael recebeu um Jeep Compass como pagamento por um 
dos transportes de drogas.

Roberte Paulo Aguiar Souza (“Cabo Aguiar”) – Policial militar de Rondônia, o cabo
foi preso em janeiro de 2022 transportando 500 kg de cocaína. Com salário de R$ 
6.195,79, Aguiar está atualmente foragido.

Gedeon Rocha de Almeida (“G. Rocha”) – Sargento da PM em Rondônia, Gedeon foi preso
junto com o cabo Aguiar em 2022. Com salário de R$ 7.658,20, ele atuava como batedor,
alertando sobre possíveis fiscalizações nas rodovias.

Francisco de Assis Araújo Melo – Cabo da PM na Bahia, Francisco foi preso em flagrante
no Ceará, em 2022, transportando R$ 689 mil em dinheiro e munições de fuzil. Ele
recebia um salário de R$ 6.084,29.

**Os diálogos interceptados** – A investigação revelou diálogos que demonstram como
os agentes negociavam os valores para o transporte de drogas. Entre 17 e 19 de dezembro
de 2021, Diego e Raphael discutiam sobre o valor de R$ 35 mil oferecido para transportar
70 kg de cocaína, considerado “baixo” pelos envolvidos. Eles defendiam que o pagamento
deveria ser de pelo menos R$ 105 mil.

“Leo apertando… Tá meio desesperado… Diz q vai abrir as portas pra gente… N sei 
se é algo q ele deve/prometeu ou q realmente abrirá portas e por isso tanta importância”,
escreveu Raphael para Diego em uma das conversas.

**O esquema criminoso **– Além de realizarem o transporte de entorpecentes, os agentes
utilizavam veículos alugados para não levantar suspeitas e acessavam sistemas da
PRF para ajudar a quadrilha a evitar barreiras policiais.

A operação, que desmantelou a rede criminosa, trouxe à tona a gravidade da infiltração
de agentes públicos no tráfico de drogas e abriu novas frentes de investigação.

**Próximos passos** – A Polícia Federal segue monitorando outros possíveis envolvidos
no esquema e busca intensificar ações para evitar a participação de agentes públicos
em organizações criminosas. O caso reacende o debate sobre a necessidade de maior
controle interno e punições rigorosas para quem se associa ao crime organizado.
