# Povos do Maicá e Ituqui denunciam avanço dos portos em Santarém e exigem justiça territorial

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- Published: 2025-10-15T13:44:19-03:00
- Author: Redação

Em um grito coletivo que ecoou dentro da Universidade Federal do Oeste do Pará (
Ufopa), comunidades tradicionais do Maicá e do Ituqui, em Santarém, no oeste do 
Pará, reafirmaram: “nossos territórios não estão à venda”. O seminário “Territórios
que Falam: Portos, Impactos e Resistências no Maicá e Ituqui”, realizado no último
dia 10 de outubro, reuniu pescadores, quilombolas, indígenas, agricultores familiares
e movimentos sociais em defesa da vida, dos rios e da floresta, e contra a expansão
desenfreada dos portos e do agronegócio na região do Tapajós.

O evento, promovido pela Frente em Defesa dos Territórios Ituqui e Maicá, transformou
a Ufopa em um espaço de reflexão, denúncia e resistência. Entre falas emocionadas,
cânticos e místicas, emergiu um consenso: os povos da região não aceitarão ser silenciados
em nome do lucro e da destruição ambiental.

A mesa de abertura, conduzida por Alice Soares, do Movimento Tapajós Vivo, contou
com a participação de Valdeci Oliveira, do Conselho Pastoral dos Pescadores, Maria
Eucilene Costa, do Núcleo de Pesca do Pérola do Maicá, e Rúbia Mendes, da Comunidade
Serra Grande/Ituqui e do STTR.

Os participantes destacaram que o seminário é fruto de anos de mobilização e que
a Frente Maicá-Ituqui nasceu da urgência em enfrentar as pressões do desmatamento,
da especulação e dos grandes empreendimentos portuários. “A Frente não é uma entidade
externa às comunidades, mas um espaço de resistência e construção coletiva, onde
a luta é feita com e pelos povos do território”, afirmou Valdeci Oliveira.

O encerramento foi marcado pela leitura e aprovação da Carta Aberta da Frente em
Defesa dos Territórios Ituqui e Maicá, documento que sintetiza as reivindicações
apresentadas durante o seminário. A carta denuncia as violações socioambientais 
e o avanço dos portos privados sobre lagos e comunidades, exigindo do poder público
medidas concretas como a celeridade na titulação dos territórios tradicionais, o
cumprimento da Convenção 169 da OIT, que garante a Consulta Prévia, Livre e Informada,
a revisão participativa dos licenciamentos ambientais em curso, o reconhecimento
do Lago Maicá como Santuário Ecológico e a adoção de políticas públicas que assegurem
saúde, infraestrutura, agricultura familiar e pesca artesanal.

O evento ocorreu em um momento simbólico, quando o Brasil se prepara para sediar
a COP30, em Belém, e o governo federal tenta reforçar sua imagem de compromisso 
climático diante do mundo. Entretanto, na região do Tapajós, o que se expande são
os megaprojetos de exportação de commodities, que ameaçam os ecossistemas amazônicos
e os modos de vida tradicionais. De acordo com levantamento da Terra de Direitos,
Santarém e seu entorno já somam 41 empreendimentos portuários, sendo 27 em operação,
três em construção e 11 previstos, números que revelam a crescente pressão sobre
comunidades e ecossistemas locais.

Assinada por organizações como o Conselho Indígena Munduruku e Apiaká do Planalto,
o Movimento Tapajós Vivo, a Comissão Pastoral dos Pescadores, a FASE Amazônia, o
Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais, a Associação de Moradores do Pérola
do Maicá e a própria Ufopa, a carta final ecoa como um manifesto político e social.“
Não somos contra o desenvolvimento. Somos contra o modelo que destrói nossas águas,
nossa comida e nossa história”, declarou a liderança comunitária Maria Eucilene,
em uma das falas mais marcantes do encontro.

O seminário “Territórios que Falam” reafirmou o que as comunidades do Tapajós já
dizem há décadas: não há futuro climático possível sem justiça territorial na Amazônia.
As vozes do Maicá e do Ituqui seguem firmes, exigindo respeito, escuta e o direito
de decidir o destino de seus territórios.

Leia a carta completa no [link](https://docs.google.com/document/d/1TLfHBpfCfdQX6zn9q_f8hFSTGrRYb4Vaoei34uvWEU4/edit?tab=t.0).

Fonte e fotos: Kamila Sampaio I Movimento Tapajós Vivo
