# PrEP: tratamento preventivo é alternativa no combate ao HIV no Brasil

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- Published: 2023-07-10T10:49:00-03:00
- Author: Redação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente o registro
do primeiro medicamento injetável para prevenção do HIV. O Apretude (cabotegravir)
é um antirretroviral da classe dos inibidores da enzima integrase, que impede a 
inserção do DNA viral do HIV no DNA humano. Em outras palavras, é um mecanismo de
ação que evita a replicação ou a reprodução do vírus e sua capacidade de infectar
novas células.

![](https://i0.wp.com/oquartopoder.com.br/wp-content/uploads/2023/07/tste-hiv.jpg?
resize=735%2C440&ssl=1)

Realização de teste rápido de HIV, desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia em 
Imunobiológicos (Bio-manguinhos).

O medicamento injetável passa a representar uma nova opção na profilaxia pré-exposição(
PrEP) no Brasil, que consistia, até então, na tomada de comprimidos diários no intuito
de permitir ao organismo estar preparado para enfrentar um possível contato com 
o HIV. A estratégia começou a ser oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no
final de 2017 por meio da combinação de dois antirretrovirais, o tenofovir e a entricitabina.

A PrEP, atualmente, é indicada para pessoas sexualmente ativas, não infectadas, 
mas com risco aumentado de exposição ao HIV, em diferentes contextos sociais. No
Brasil, essas populações incluem profissionais do sexo, pessoas que usam drogas,
gays, mulheres trans e travestis, além de casais sorodiscordantes (quando um parceiro
é soropositivo e o outro não), como forma complementar de prevenção e para o planejamento
reprodutivo.

Modalidades
No Brasil, existem duas modalidades de PrEP indicadas: diária: consiste
na tomada diária dos comprimidos, de forma contínua, indicada para qualquer pessoa
em situação de vulnerabilidade ao HIV; sob demanda: consiste na tomada dos medicamentos
somente quando a pessoa tiver uma possível exposição de risco ao HIV. Deve ser utilizada
com a tomada de dois comprimidos de duas a 24 horas antes da relação sexual, além
de um comprimido 24 horas após a dose inicial de dois comprimidos e um novo comprimido
24 horas após a segunda dose.

A PrEP sob demanda é indicada para pessoas que tenham habitualmente relação sexual
com frequência menor do que duas vezes por semana e que consigam planejar quando
a relação sexual irá ocorrer.

Cuidados
De acordo com o Ministério da Saúde, a PrEP só tem efeito protetor se o
medicamento for utilizado conforme a orientação de um profissional de saúde. Caso
contrário, pode não haver concentração suficiente das substâncias ativas na corrente
sanguínea do indivíduo para bloquear o vírus.

Além disso, todos os tipos de profilaxia pré-exposição só devem ser prescritos para
indivíduos confirmados como HIV negativos. “Para a indicação do uso de qualquer 
terapia PrEP, deve-se excluir, clínica e laboratorialmente, o diagnóstico prévio
de infecção pelo HIV”, reforçou a agência.

Quem pode usar
Ainda segundo a pasta, a PrEP é indicada para qualquer pessoa em 
situação de vulnerabilidade para o HIV. Algumas situações que podem indicar o uso
são: o indivíduo frequentemente deixa de usar camisinha em suas relações sexuais(
anais ou vaginais); o indivíduo faz uso repetido de profilaxia pós-exposição (PEP);
o indivíduo apresenta histórico de episódios de infecções sexualmente transmissíveis(
IST).

Também são candidatos à PrEP indivíduos inseridos em contextos de relações sexuais
em troca de dinheiro, objetos de valor, drogas e moradia; indivíduos que praticam
chemsex (sexo sob a influência de drogas psicoativas como metanfetaminas, GHB, cocaína
e poppers) com a finalidade de melhorar e facilitar as experiências sexuais.

Acesso
A orientação do ministério é que interessados em acessar a PrEP procurem 
um serviço de saúde e informem-se para saber se há indicação. A lista dos serviços
que ofertam a profilaxia pré-exposição pode ser acessada no site do Ministério da
Saúde.

Proteção
Mulheres, pessoas trans ou não binárias designadas como sexo feminino ao
nascer e qualquer pessoa em uso de hormônio a base de estradiol, que façam uso de
PrEP oral diária, devem tomar o medicamento por pelo menos sete dias para atingir
níveis de proteção ideais. Antes dos sete dias iniciais de introdução da PrEP, medidas
adicionais de prevenção devem ser adotadas.

Homens, pessoas não binárias designadas como do sexo masculino ao nascer e travestis
e mulheres transexuais – que não estejam em uso de hormônios à base de estradiol–
e que usem PrEP, seja ela diária ou sob demanda, devem tomar uma dose de dois comprimidos
de duas a 24 horas antes da relação sexual para alcançar níveis protetores do medicamento
no organismo para relações sexuais anais.

“É fundamental a testagem regular, a investigação de sinais e sintomas para outras
IST. A PrEP previne contra o HIV e permite o diagnóstico e tratamento de outras 
IST, interrompendo a cadeia de transmissão. O uso do preservativo previne do HIV
e outras IST”, alerta o ministério.

Análise
Para o coordenador-geral da organização não governamental GTP+, Wladimir
Cardoso Reis, a PrEP facilita a prevenção em meio a poucas opções. “Só tínhamos 
a camisinha como estratégia. Por isso, a PrEP está sendo bem acolhida. A gente tem
percebido isso entre casais hetero e bi, travestis, transsexuais e gays”, disse,
em entrevista à Agência Brasil.

A entidade, sediada em Recife, atua por uma educação e saúde preventiva, cidadã 
e democrática, transformando a realidade de pessoas que vivem com HIV. Em 20 anos
de existência, a ONG atendeu mais de 42 mil pessoas.

Um dos principais projetos da GTP+, o Mercadores de Ilusões, capacita profissionais
do sexo como agentes multiplicadores. Dentre os temas tratados nas ruas da capital
pernambucana está justamente a PrEP.

Sobre o novo medicamento injetável aprovado pela Anvisa, o coordenador-geral avalia
que o antirretroviral, assim que incorporado ao SUS, deve facilitar o acesso e a
adesão das pessoas à PrEP, uma vez que não haverá, por exemplo, a necessidade de
deslocamento diário para a tomada do remédio.

“Esse é um momento importante de a gente divulgar isso junto a populações com menos
condições sociais e de ter serviços que atendam a essas populações e disponibilizem
a PrEP. Afinal, você já vai estar protegido antes mesmo de ter a relação sexual.
Facilita muito”.

“O país inteiro precisa estar mobilizado, isso precisa ser divulgado cada vez mais.
Divulgar entre os pares, entre as pessoas. Falar de sexo ainda é algo muito conservador
no nosso país. Quanto mais divulgada a PrEP, a implementação vai ser cada vez mais
saudável e presente na vida sexual do povo brasileiro”, disse.

Ag. Brasil
