# Presença física contribui para inclusão financeira efetiva, aponta estudo do Sicredi

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- Published: 2023-06-21T13:25:53-03:00
- Author: Redação

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O Sicredi divulga o quarto estudo da série “Benefícios do Cooperativismo de Crédito”
denominado “A Efetividade do Cooperativismo”, com o objetivo de analisar relevância
do atendimento físico para a inclusão financeira plena. Para a investigação, foram
selecionados 235 municípios atendidos pelo Sicredi que não contam com agências de
outras instituições financeiras e analisada uma amostra de dados entre 2018 e 2021.
No total, foram mais de 1,8 milhões de observações, que representam, em média, 229
mil associados por período.

Com atuação em todas as regiões do país, em uma rede de mais de 2,5 mil agências
em 1,8 mil municípios, o Sicredi constatou que a presença física segue importante
para a inclusão financeira efetiva da população, mesmo no atual contexto de crescente
digitalização. Quando avaliado o comportamento dos associados que passam a contar
com uma agência em seu município, a pesquisa revelou que o uso médio de produtos
cresce 25% em dois anos, quando comparado a associados ativos em municípios sem 
atendimento físico. Após cinco anos, cada associado passa a ser atendido com uma
média de sete produtos financeiros.

“A equipe da pesquisa conseguiu isolar o impacto do Sicredi na comunidade, assim
como os efeitos comparativos entre presença e ausência de agência. Acreditamos que
a proximidade seja um fator relevante na construção da confiança mútua e no assessoramento
adequado, contribuindo para esses resultados”, explica André Nunes de Nunes, economista-
chefe do Sicredi. O estudo foi realizado juntamente com o pesquisador Juliano Assunção,
da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), que é especialista
em Microeconomia Aplicada e Desenvolvimento Econômico.

O relacionamento e a promoção de atividades de educação financeira são fatores que
apareceram como relevantes para a organização financeira pessoal, considerando a
elevação do número de associados com recursos aplicados ao longo do tempo de relacionamento.
A pesquisa mostrou que 33% dos associados mantêm recursos em poupança já no momento
de associação, enquanto 13% aplicam recursos em depósitos a prazo. Após dez anos
de relacionamento, esses índices passam, respectivamente, para 51,2% e 49,4%.

Ainda de acordo com Nunes, os produtos financeiros podem ser complexos para a população,
o que reforça o papel da proximidade e da assessoria no processo de inclusão financeira,
aspectos amplamente promovidos pelas cooperativas de crédito. “Estudos divulgados
pelo Banco Central, como o Global Findex, mostram o crescimento de pessoas com conta
bancária, mas ainda temos uma parcela significativa com dificuldade de utilizar 
os serviços e ter acesso a produtos mais complexos. Nesse sentido, as cooperativas
contribuem à bancarização efetiva, possibilitando aos associados acessar serviços
que vão além da conta corrente, sendo atendidos pelo Sicredi com soluções personalizadas
dentro de um amplo portfólio de crédito, investimentos, consórcios, seguros e outros”,
explica.

Outro resultado exposto pelo trabalho é que o público PJ tende a fazer mais reservas
financeiras por meio de investimentos ao longo do relacionamento. Nos primeiros 
seis meses, 16,5% dos associados fazem este tipo de aplicação financeira, um percentual
que dobra após dois anos, chegando a 33,7% e ampliando a 53,6% nos anos seguintes.

A quantidade de associados que utilizam o serviço dobra após um ano de relacionamento
e cresce mais de 200% logo após dois anos, ganhando relevância de forma acelerada
nos períodos posteriores. O relacionamento possui especial relevância para o pequeno
produtor rural, que passa a contar com assessoramento técnico para produtos de crédito
originados por programas governamentais. Desta forma, o canal físico promove a descoberta
e o acesso a produtos mais adequados ao investimento e ao custeio das suas culturas.

O estudo também utilizou os dados do Sistema de Informações de Crédito, gerido pelo
Banco Central, e verificou que a inclusão promovida pela atuação das cooperativas
de crédito em municípios desassistidos permitiu o acesso a volumes maiores de crédito
durante o tempo de associação. “O impacto da cooperativa não é somente de concorrência
com outros players para conceder crédito às pessoas e empresas, mas de expansão 
do acesso ao crédito por meio do conhecimento dos perfis e necessidades e, por isso,
reforçamos que a proximidade favorecida pelo canal físico segue relevante para o
acesso pleno a serviços financeiros”, conclui Nunes.

**Série de estudos Benefícios do Cooperativismo de Crédito**

O primeiro levantamento da série com o título “Impacto sobre a economia local”, 
de autoria da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e apresentado em
2019, avaliou dados econômicos de todas as cidades brasileiras com e sem cooperativa
de crédito, entre 1994 e 2017. No estudo, foram cruzadas informações do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), evidenciando que o cooperativismo 
de crédito incrementa o PIB per capita dos municípios em 5,6%, cria 6,2% mais vagas
de trabalho formal e aumenta o número de estabelecimentos comerciais em 15,7%, com
estímulo ao empreendedorismo local.

Já na edição publicada em 2020, referente ao “Impacto sobre a bancarização”, foi
observado que, enquanto bancos tradicionais têm em média um limite mínimo de oito
mil habitantes para abrir uma agência, uma cooperativa de crédito tem capacidade
de abertura em municípios a partir de 2,3 mil habitantes. Nela, também houve a participação
do pesquisador Juliano Assunção. A comparação em termos de renda também chamou a
atenção nos resultados da pesquisa ao apontar que as cooperativas conseguem operar
em cidades com PIB menor, a partir de R$ 79 milhões, diferente dos bancos públicos
em que é necessário um PIB mínimo de R$ 146 milhões e dos bancos privados, de R$
220 milhões.

O conteúdo recém-lançado se soma à última edição da série “Ampliação da fronteira
bancária”, desenvolvida e publicada em 2021. Na ocasião, foi constatado que o cooperativismo
de crédito tem desenvolvido um papel relevante em proporcionar acesso a serviços
financeiros completos à população de municípios considerados menos atrativos aos
bancos atuarem. Avaliou ainda a atuação dos bancos privados, públicos federais e
regionais, e instituições financeiras cooperativas, entre 2010 e 2018, gerando índices
que mostram o nível de dificuldade à atuação física em cada município e como as 
IFs se comportam neste cenário.

**_Fonte: Sicredi_**
