# Profissionais de saúde alertam para ressurgimento do tipo 3 da dengue

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- Published: 2023-11-27T11:38:12-03:00
- Author: Redação

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado em maio deste ano, já mostrava
o ressurgimento desse sorotipo e, na última semana, foram confirmados quatro casos
na cidade de Votuporanga, no interior paulista. O primeiro caso, detectado em uma
mulher de 34 anos, chamou a atenção por causa da intensidade dos sintomas clássicos
da doença, como febre, vômito, dor e manchas vermelhas pelo corpo, além de sangramento
nasal e pela urina.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Votuporanga, ações de bloqueio, que incluem
a identificação da circulação do sorotipo, mais sete casos foram considerados suspeitos.
O resultado das amostras colhidas indicou que, dos sete, três eram do tipo 3 da 
dengue, sendo todos do sexo feminino, com 5, 31 e 46 anos. Todos os casos ocorreram
na mesma região, em um bairro da zona sul da cidade. Os quatro pacientes estão em
casa e passam bem.

A Secretaria de Estado da Saúde informou que não há registro deste tipo da doença
em outros municípios do estado de São Paulo, nem óbitos. Em nota, o governo estadual
disse que monitora o cenário epidemiológico com plano de contingência, que é feito
todos os anos, independente da linhagem.

De acordo com a Fiocruz, a dengue tem quatro sorotipos, e a infecção por um deles
cria imunidade contra o mesmo sorotipo, mas o indivíduo pode contrair dengue se 
tiver contato com um sorotipo diferente. Como poucas pessoas contraíram o tipo 3,
há risco de epidemia porque há baixa imunidade contra esse sorotipo.

“O problema é que os sintomas da dengue tipo 3 são os mesmos do tipo 1 e 2. Como
muitas pessoas já tiveram os tipos 1 e 2, ao ter o tipo 3, podem desenvolver uma
forma grave da doença, o que pode gerar superlotação das unidades de pronto atendimento
e hospitais”, diz o infectologista Kleber Luz, coordenador do Comitê de Arboviroses
da Sociedade Brasileira de Infectologia. Por isso, alerta o infectologista, é preciso
ter maior vigilância sobre as formas graves da doença. “Do ponto de vista clínico,
não há diferença, mas o que chama mais a atenção é a gravidade do caso, por ser 
uma infecção sequencial. No México e na América Central, por exemplo, a doença tem
causado mais mortes”, acrescenta Kleber Luz.

Entre os sintomas de alerta da doença, estão: febre, manchas vermelhas pelo corpo,
dor abdominal, vômito persistente, acompanhados também de sangramento na gengiva,
no nariz ou na urina. Ao perceber qualquer sintoma, a pessoa deve procurar atendimento
médico na unidade de saúde mais próxima. As formas de prevenção são as já conhecidas
pela população: limpeza dos quintais para evitar água empoçada, que é criadouro 
do inseto, e receber os agentes de saúde para fazer a vistoria em possíveis focos
do mosquito Aedes aegypti. (ABr)
