# Programa oferece bolsas no exterior para negras, indígenas e ciganas

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- Published: 2023-07-20T19:30:02-03:00
- Author: Redação

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Brasília, 08/07/2023 Com o tema “Escrever em voz alta – Eu modulo a minha voz”, 
o III Encontro Julho das Pretas que Escrevem no DF chega ao terceiro ano, como parte
da programação do Festival Latinidades Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom

“A história do Brasil foi escrita por mãos brancas. Tanto o negro, quanto índio 
não têm sua história escrita, ainda. Isso é um problema muito sério porque a gente
frequenta universidade, frequenta escola e não temos uma visão correta do passado
do negro”, essa fala, da historiadora negra Beatriz Nascimento, deu início, nesta
quinta-feira (20), ao lançamento do Atlânticas: Programa Beatriz Nascimento de Mulheres
na Ciência.

O programa, liderado pelo Ministério da Igualdade Racial, vai oferecer bolsas de
estudo de doutorado sanduíche (feito parte no Brasil e parte no exterior) e pós-
doutorado no exterior para mulheres negras, quilombolas, indígenas e ciganas “regularmente
matriculadas em curso de doutorado reconhecido pela Capes”. Serão ofertadas 45 bolsas
a um custo de R$ 8 milhões.

“Não podemos falar de ciência sem pensar em como a diversidade é condição para produção
de ciência de qualidade na graduação e pós-graduação”, afirmou a ministra da Igualdade
Racial, Anielle Franco. Para ela, “a diversidade proporciona excelência e inovação.
Pessoas com diferentes identidades e experiências podem trazer novas questões de
pesquisa, desenvolver outras abordagens metodológicas e analíticas para a solução
de problemas. Logo, ela é fundamental para o aprimoramento da ciência”.

A secretária de Políticas de Ações Afirmativas, Combate e Superação do Racismo, 
Márcia Lima, acrescentou que o programa Atlânticas foi criado para “aumentar a inserção
e permanência de mulheres cientistas cujas características raciais e éticas contribuem
para a sua visibilidade intelectual e falta de oportunidades”.

Segundo dados apresentados pela pasta, apenas 4,9% das bolsas de doutorado sanduíche
são de mulheres negras, enquanto as mulheres brancas têm 30,9% das bolsas custeadas
pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq).

Não há nenhuma indígena com bolsa do CNPq para doutorados sanduíches. Já em relação
aos pós-doutorados no exterior, as mulheres negras são 12,6% das bolsistas e as 
mulheres brancas 37,7%. Também não há mulheres indígenas com bolsa do CNPq em pós-
doutorado no estrangeiro.

“Esperamos que o Atlânticas incentive cada vez mais mulheres a buscarem a carreira
científica, especialmente aquelas que foram historicamente excluídas desses espaços”,
disse Ana Venturine, diretora de Ações Afirmativas do Ministério da Igualdade Racial.

**Beatriz Nascimento**

Historiadora negra brasileira homenageada pelo projeto do governo federal, Beatriz
Nascimento é considerada uma das principais intelectuais do país, com contribuições
no estudo da identidade negra como instrumento de autoafirmação racial, intelectual
e existencial. [A Agência Brasil fez um perfil de Beatriz](https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2023-07/programa-academico-homenageia-intelectual-negra),
que morreu vítima de feminicídio, em 1995, com apenas 52 anos de idade.

**Caminhos Amefricanos**

O Ministério da Igualdade Racial anunciou o lançamento, no dia 31 de julho, do Caminhos
Amefricanos – Programa de Intercâmbio Sul-Sul. A iniciativa visa estimular o intercâmbio
de curta duração no exterior em países africanos, latino-americanos e caribenhos.

Ainda na área de educação, a pasta informou que vai assinar um protocolo de intenções
com a Universidade de Brasília (UnB) para oferecer bolsas de mestrado para sete 
estudantes no Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade junto a Povos e Territórios
Tradicionais da UnB.

**_Fonte: Agência Brasil_**
