# Projeto da Ufopa vai monitorar segurança em reservas extrativistas

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- Published: 2026-09-23T05:29:58-03:00
- Author: Redação

> **_Projeto da Ufopa combina inteligência artificial, tecnologia LoRaWAN, RFID 
> e blockchain para ampliar a segurança territorial e a rastreabilidade da bioeconomia
> amazônica_**

Uma nova tecnologia desenvolvida pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa)
pretende levar inteligência, rastreabilidade e segurança a áreas extrativistas da
Amazônia onde internet, energia elétrica e acesso físico são limitados. O projeto**“
Sentinela da Mata: inteligência e rastreabilidade para a bioeconomia amazônica”**
foi aprovado e está sendo desenvolvido em parceria com a Empresa Brasileira de Inovação
e Pesquisa Industrial (Embrapii), por meio da Unidade Bioforest.

A proposta é instalar dispositivos inteligentes, chamados de **“sentinelas”**, em
pontos estratégicos da floresta. Os equipamentos deverão identificar automaticamente
extrativistas autorizados, acompanhar atividades de coleta e detectar movimentações
consideradas suspeitas em áreas protegidas.

Coordenado pelo professor Me. Clayton Santos, do curso de Sistemas de Informação
do Campus Oriximiná, o projeto começa com o levantamento dos requisitos e visitas
às áreas onde a tecnologia será implantada. Segundo o coordenador, essa etapa será
fundamental para compreender as condições e os desafios encontrados no ambiente 
amazônico antes da construção definitiva do sistema.

> “A etapa inicial é de levantamento dos requisitos e de ida ao campo para avaliar
> a complexidade do lócus de implementação e, em seguida, planejar o desenvolvimento
> do sistema”, explica Santos.

## Tecnologia para vencer os desafios da floresta

O projeto parte de um problema recorrente na Amazônia: as soluções convencionais
de monitoramento enfrentam obstáculos provocados pela baixa cobertura de internet,
dificuldade de acesso, restrições de energia e altos custos de operação.

Para superar essas barreiras, o **Sentinela da Mata** combina diferentes tecnologias
em uma infraestrutura desenvolvida especificamente para ambientes florestais. Entre
elas estão **inteligência artificial, LoRaWAN, RFID passivo e blockchain**.

Os dispositivos poderão operar com **comunicação de longo alcance e alimentação 
solar**, permitindo o monitoramento contínuo mesmo em locais sem conexão convencional
à internet ou acesso à rede elétrica.

A tecnologia também prevê mecanismos de autenticação digital e geração de alertas
em tempo real para identificar atividades suspeitas. Em uma etapa futura, o sistema
poderá incorporar sensores acústicos inteligentes capazes de auxiliar na identificação
de sons de motosserras, queimadas e outras possíveis ameaças ambientais.

## Blockchain para garantir a origem da produção

Outro componente central da iniciativa é o uso de **blockchain** para registrar 
as atividades de coleta. A tecnologia permitirá criar registros imutáveis das operações
realizadas, contribuindo para reduzir riscos de fraude e aumentar a confiabilidade
das informações sobre a origem dos produtos extrativistas.

Com isso, a proposta busca fortalecer a **rastreabilidade da produção**, ampliar
a transparência das cadeias produtivas e contribuir para a agregação de valor aos
produtos da bioeconomia amazônica.

Além da dimensão econômica, o sistema pretende reforçar a proteção territorial. 
A autenticação dos usuários e o monitoramento automatizado poderão contribuir para
identificar movimentações não autorizadas e fornecer informações para ações de proteção
das áreas monitoradas.

## Equipe reúne 14 pesquisadores e estudantes

O projeto reúne **14 integrantes**, sendo seis docentes da Ufopa, dois docentes 
pesquisadores de pós-doutorado e seis bolsistas de iniciação científica. Os estudantes
são da graduação em Sistemas de Informação dos campi de **Santarém e Oriximiná**.

O desenvolvimento teve início em **setembro de 2026** e foi organizado em três etapas
principais:

 * **Etapa 1 – Planejamento e arquitetura:** levantamento de requisitos, planejamento
   e definição da arquitetura do sistema distribuído;
 * **Etapa 2 – Desenvolvimento e campo:** aquisição de equipamentos, testes em bancada
   e realização da primeira instalação em campo;
 * **Etapa 3 – Operação e transferência:** monitoramento operacional, integração
   com blockchain e transferência da tecnologia.

A expectativa é que o **Sentinela da Mata** resulte em uma infraestrutura tecnológica
capaz de unir proteção territorial, segurança da informação e rastreabilidade em
áreas extrativistas, criando novas ferramentas para o fortalecimento de uma **bioeconomia
amazônica sustentável**.
