# Projeto reforça prevenção à malária em comunidades às margens do rio Trombetas

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- Published: 2023-05-29T16:33:16-03:00
- Author: Redação

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Combate-a-Malaria-MRN-7.jpeg?resize=735%2C541&ssl=1)

Quando os meses de maio e junho batem à porta, Márcio Nascimento, da comunidade 
Boa Vista, do município de Oriximiná, no oeste do Pará, já sabe que a equipe de 
sanitização do Projeto de Combate à Malária também está chegando. “Sempre tenho 
aberto as portas, porque sei que ajuda muito a nos proteger de uma doença que pode
matar”, afirma o almoxarife. A iniciativa é desenvolvida pela Mineração Rio do Norte(
MRN) e conta com o apoio da Secretaria de Saúde do município.

“Durante o mês de maio fazemos a primeira etapa da campanha e retornamos durante
o mês de outubro. Com o período chuvoso, os mosquitos passam a procurar locais para
se abrigar. Por isso, conversamos com os comunitários sobre a necessidade tanto 
da borrifação quanto do fumacê”, explica Luanne Gato, técnica em saneamento do projeto.
Vivendo no Boa Vista desde 2006, Márcio conta que, durante esse período, já deixa
a família ciente da necessidade de receber a equipe. “Quando posso, também tenho
conversado com os vizinhos próximos sobre essa importância”, relata.

Dividido em duas etapas, o projeto, desenvolvido em 21 comunidades quilombolas e
ribeirinhas e em duas aldeias indígenas, faz parte do Programa de Educação Socioambiental(
PES) da MRN, promovendo ações preventivas por meio da borrifação de inseticida no
interior das residências, inspeção embaixo dos assoalhos e pulverização de fumacê
à noite.

**Prevenção em foco**

Transmitida por meio da picada de mosquitos infectados por protozoários do gênero
Plasmodium, a malária é uma doença infecciosa que pode causar quadros de febre alta,
calafrios, dores de cabeça e até a morte. Os mosquitos vetores da doença costumam
aparecer durante o nascer e o pôr do sol, mas agem, principalmente, à noite. De 
acordo com o Ministério da Saúde (MS), a região amazônica concentra 99% dos casos
no país. Ainda não há vacina disponível contra a doença no Brasil. Por isso, a principal
forma de prevenção são as medidas sanitárias.

A dona de casa Maria de Fátima sabe bem dessa necessidade. Há 21 anos vivendo na
comunidade Moura, lembra quando ela e um dos quatros filhos tiveram a doença. “Eu
sentia muito frio, dores de cabeça e no corpo. Quando fizeram a lâmina, disseram
que era malária. Fiquei bastante abalada porque demorei quatro dias para procurar
o médico”, relata a comunitária, que também não mede esforços para abrir as portas
à equipe de saúde. “Eu sempre digo ‘eles não vêm trazer só borrifação, mas prevenção`,
porque a gente sabe que todo ano a malária aparece”.

**Cidadania**

O Projeto de Combate à Malária nasceu em 1999, em um período de grande incidência
da doença, quando foram registrados 1.126 casos na região. Em menos de dez anos 
de projeto, o registro caiu para 27 casos, representando uma redução de 97,6% nas
incidências. A depender de fatores sazonais, o número de novos casos pode variar.
Por conta disso, a MRN tem desenvolvido ações que visam controlar o mosquito transmissor
da malária, bem como ações educativas para conscientizar os moradores quanto à maneira
correta de se prevenir, com orientações como não deixar água parada, manter limpos
os arredores da casa, permitir que a equipe faça a borrifação no seu imóvel e, em
caso de sintomas da doença, como febre alta, tremores, sudorese e dor de cabeça,
procurar um posto ou um agente de saúde.

“Essa campanha e as ações educativas são realizadas pela MRN. Já os exames e tratamentos
são feitos pelo município e pelo Hospital de Porto Trombetas (HPTR). Nesse caso,
eles nos enviam as notificações, nós identificamos as comunidades afetadas e nos
dirigimos até elas”, explica o coordenador do projeto, Edmundo Barbosa, que também
lembra o papel dos moradores na mobilização. “São eles que vão garantir que o mosquito
não se procrie. Se os moradores tomarem as medidas preventivas, a doença estará 
sempre em controle em nossa região”, explica.

“Eu acho muito importante esse projeto porque o carapanã da malária precisa ser 
borrifado. Ele existe, mas como são vários tipos, não sabemos qual é. Por isso que
todo o tempo que a equipe vem eu faço questão que eles venham borrifar aqui também”,
ressalta a dona de casa Maria de Fátima.

**_Fonte: MRN_**
