# Publicada norma para definir tamanho de roupas femininas

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- Published: 2021-12-12T11:22:57-03:00
- Author: Redação

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) publicou em seu catálogo a nova
norma para definir tamanho de roupas femininas, incluindo as dimensões em centímetros
de cada peça e não somente por número ou letra

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**Associação sugere dimensões em centímetro para cada biotipo. Foto: Fernando Frazão/
Agência Brasil**

A superintendente do Comitê Brasileiro de Têxteis e do Vestuário da ABNT, Maria 
Adelina Pereira, disse à Agência Brasil que todo o conjunto de normas sobre medidas
de corpo nos segmentos masculino, feminino e infantil já era um “sonho e um desejo”
da entidade para atender ao mercado. Segundo ela, o grande desafio era a questão
de o Brasil ser um país continental, com miscigenação ampla e, ao mesmo tempo, oferecer
biotipos das mais diferentes etnias. “Essa era a grande dificuldade”, disse.

De acordo com Maria Adelina, havia empresas que desejavam essa norma como uma orientação
e outras que preferiam ter o cliente no provador. A pandemia covid-19 demonstrou
como é difícil levar o cliente ao provador que, em muitos casos, não tem espaço 
desejado. Ainda segundo a superintendente, tem a questão do suor e da maquiagem 
que podem manchar as peças que estão sendo provadas. “Tudo isso é uma grande motivação
para se tentar reduzir a ida ao provador.”

A superintendente destacou também que, “com o advento do e-commerce [comércio eletrônico]
explodindo na pandemia, se viu que é possível fazer uma venda sem, necessariamente,
a pessoa entrar na roupa e aprovar a compra. Isso foi muito positivo e fez com que
as marcas, as lojas, as fábricas, vissem que o sistema de vestibilidade, que consiste
em declarar a medida que a modelista utilizou, é muito útil”.

Consenso
Antes da publicação, a norma passou por vários estudos e por duas consultas
nacionais até que o comitê chegasse a um consenso, para que o texto pudesse virar
um documento técnico para a sociedade. A norma é voluntária. A confecção ou marca
adere se quiser.

Maria Adelina disse, contudo, que a adesão tem sido grande por parte das empresas,
que estão entrando em contato com a ABNT no sentido de, principalmente, comparar
o que elas praticam atualmente nas suas tabelas de medida com o seu perfil de público
para ver se estariam dentro do que a norma sugere na tabela de exemplos e medidas
para o corpo retangular e para o corpo colher. Esses dois modelos representam 80%
da população feminina brasileira, segundo pesquisas levantadas para o estabelecimento
da norma. “Há uma grande curiosidade nesse sentido”, disse.

A superintendente disse que não houve manifestações contrárias.

O corpo retângulo predomina nos quase 10 mil corpos que foram medidos em todo o 
Brasil pelo Senai Cetiqt. As medidas de busto, cintura e quadril têm diferenças 
muito pequenas, que acabam estabelecendo essa figura geométrica. Já o corpo colher
não é reto do busto à cintura, mas apresenta diferença muito significativa para 
o quadril.

Maria Adelina disse que a centimetragem é um sistema já adotado em outros países,
como os Estados Unidos, por exemplo. “Facilita muito”, disse.

As peças têm tags, ou etiquetas, que orientam os consumidores na hora da compra,
informando medidas de tórax, no caso de homens, por exemplo; de estatura, no caso
de crianças. “Nessa indicação da vestibilidade, a centimetragem ajuda muito na escolha,
na redução de troca na loja, no acerto para quem dá um presente”.

Maria Adelina não duvida que a tendência será de adoção da nova norma pelo setor
têxtil e de vestuário.

Posicionamento
A publicação da norma é resultado de um amplo estudo conduzido pelo
Comitê Brasileiro de Têxteis e do Vestuário da ABNT com representantes do setor,
como o Senai Cetiqt, modelistas, entidades como a Associação Brasileira do Plus 
Size (ABPS) e de redes varejistas.

Ao determinar a forma do corpo e indicar medidas apropriadas, o novo sistema permite
que o cliente escolha o seu tamanho adequadamente, explicou a superintendente Maria
Adelina.

A norma sugere dimensões em centímetro para cada biotipo, levando em conta desde
o perímetro da cabeça, pescoço, ombros, busto, cintura, quadril, costas, coxa, joelho,
panturrilha até o tornozelo.

A jornalista e consumidora Flávia Ghiurghi aprovou a norma. Em depoimento à Agência
Brasil, ela destacou que a iniciativa da ABNT “vem bem a calhar para nós”. “Diferentemente
das francesas, por exemplo, que, de modo geral, têm um padrão de corpo mais esbelto,
as brasileiras são mais curvilíneas. Aqui, o biotipo da maioria das mulheres é caracterizado
por quadris largos, coxas grossas, bumbum grande. Eu, por exemplo, uso calça do 
36 ao 42, dependendo da marca. Na parte de cima, as blusas vão do P ao GG. Acho 
um absurdo não ter uma padronização nos tamanhos das roupas. As lojas de grife praticamente
vendem peças para modelos. O número 40 é referente ao 36. Costumo comprar bastante
em lojas online e acabo me baseando mais nos comentários das clientes do que nos
tamanhos indicados das peças”.

Flávia acredita que, se essa norma da ABNT for realmente aplicada, “vai ser muito
mais fácil comprar a roupa certa para cada tipo de corpo”.

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) disse que “a norma
é pública e acessível pelas empresas interessadas”. “A Abit faz a divulgação, assim
como faz com temas de interesse do setor.”

O ABTN Catálogo pode ser adquirido ao preço de R$ 166,85. A norma é cobrada por 
se tratar de um direito autoral. (ABr)
