# Quebrando muros: Mestranda da UFOPA realiza defesa de dissertação inédita dentro de Terreiro de Umbanda em Santarém

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- Published: 2026-08-31T14:04:36-03:00
- Author: Redação

A ciência e a ancestralidade se encontram nesta segunda-feira (31). O Terreiro de
Umbanda São Pedro, na zona urbana de Santarém, será palco de um marco acadêmico 
e de resistência social: a defesa presencial da dissertação de mestrado da pesquisadora
Luciana Guedes. O evento, aberto à comunidade, ocorre às 19h.

Com o título “Entre Territórios e Manifestações de Encantarias Caboclas” , a pesquisa
vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Sociedade (PPGCS) da Universidade
Federal do Oeste do Pará (UFOPA) propõe uma quebra de paradigmas. O terreiro deixa
de ser analisado apenas como um cenário e é reconhecido como um território vivo,
onde a musicalidade, as memórias, os corpos e as entidades são produtores ativos
de saberes.

## Legado de diálogo e combate ao preconceito

A defesa coroa um trabalho de abertura que vem sendo construído ao longo de dois
anos. Em fevereiro, a própria pesquisadora e o Terreiro São Pedro promoveram a roda
de conversa “O Terreiro Ensina”, iniciativa que abriu as portas do espaço sagrado
para acadêmicos e a comunidade em geral. O encontro anterior, que debateu o direito
de crer e o enfrentamento ao racismo religioso, serviu como alicerce para o momento
histórico desta noite.

“Nossa análise mostra que a festa começa muito antes do toque do atabaque. Ela se
produz nas folhas catadas, nos alimentos preparados e no trabalho coletivo”, destaca
a mestranda Luciana Guedes, que uniu sua vivência como filha de santo ao rigor de
uma etnografia situada. Para ela, as encantarias caboclas não são apenas objetos
de estudo, mas “sujeitos de conhecimento e agentes das territorialidades”.

## O Terreiro como espaço de reconhecimento

Para o sacerdote do Terreiro São Pedro, Pai João Paulo (Obarassy), sediar uma banca
de mestrado da universidade federal é um passo fundamental para o reconhecimento
institucional da fé afroreligiosa.

“Vivenciar essa experiência pela primeira vez dentro do nosso barracão é motivo 
de muita satisfação e orgulho. Nossa casa sempre foi um lugar de acolhimento e cura,
mas hoje reafirmamos para a sociedade que o terreiro também é um espaço de ciência,
educação e produção de conhecimento legítimo. Receber a universidade aqui dentro
é uma resposta de respeito contra a intolerância e um marco histórico para o povo
de santo de toda a região”, celebra o sacerdote.

A banca avaliadora contará com pesquisadores da UFOPA e da Universidade Estadual
Paulista (UNESP), sob a orientação do Prof. Dr. Diego Marinho de Góis e coorientação
da Profa. Dra. Carla Ramos Munzanzu.
