# Santarém celebra a literatura em noite de versos, memórias e resistência

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- Published: 2026-11-03T23:57:10-03:00
- Author: Redação

> **_Entre poesias, memórias, histórias e taças de vinho, encontro reuniu escritores,
> poetas e amantes da literatura em uma noite de valorização da cultura santarena._**

Santarém é terra de grandes nomes da música, da poesia e da literatura. Uma cidade
onde a arte atravessa gerações, resiste ao tempo e encontra nos versos uma maneira
de continuar contando suas histórias. Na noite desta terça-feira (3), essa vocação
cultural ganhou um novo espaço de encontro. Palavras, memórias, poesia e resistência
deram o tom do primeiro Sarau Literário do Emporium Santarém, realizado no oeste
do Pará. Uma noite em que a literatura saiu das páginas dos livros para ocupar o
ambiente, provocar sentimentos e aproximar pessoas.

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Com o tema “Entre palavras, memórias e pertencimento – A literatura que nasce de
nossas histórias”, o evento reuniu escritores, poetas, artistas e um público interessado
em mergulhar no universo das letras. Em um ambiente acolhedor, entre conversas, 
degustação de vinho e recital de poesia, cada participante compartilhou um pouco
da própria trajetória, suas experiências e a relação com a produção literária na
região.

Mais do que uma programação cultural, o encontro foi um exercício de valorização
da identidade santarena. Houve espaço para o lirismo, para a memória, para a reflexão
e, sobretudo, para a arte compartilhada. Um público atento, ávido por absorver palavras,
rimas e estrofes, acompanhou as apresentações e participou das conversas sobre os
caminhos da literatura na Amazônia.

A iniciativa partiu dos manauaras Igelvanis de Souza, conhecida como Gil, e Heraldo
Reis, que há pouco mais de um ano trouxeram para Santarém a proposta do Emporium:
um espaço onde vinho, livros e cultura pudessem dividir o mesmo ambiente.

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Segundo Gil, a ideia do sarau nasceu justamente da convivência com os clientes. 
As conversas sobre vinhos, livros e cultura despertaram o desejo de transformar 
aquele interesse espontâneo em um encontro literário.

“A proposta da casa sempre foi essa: você chega, toma um vinho, lê o seu livro. 
Por isso, já deixamos os livros espalhados aqui para incentivar a leitura. Os próprios
clientes começaram a comprar a ideia, e daí surgiu o sarau”, explicou.

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A intenção dos idealizadores é fazer da iniciativa uma programação permanente, com
encontros mensais, tardes de poesia e rodas de conversa sobre livros. A proposta
também é contribuir para ampliar os espaços de circulação da produção literária 
em Santarém.

E espaço para isso, segundo os próprios escritores, é justamente o que a cidade 
precisa multiplicar.

O jornalista e poeta Edinaldo Rodrigues não escondeu a satisfação com a iniciativa.
Para ele, encontros como esse ajudam a fortalecer um movimento literário que vem
amadurecendo em Santarém, mas que ainda encontra dificuldades para conquistar espaços
de divulgação e convivência.

“Santarém precisa desses espaços. Nós estamos amadurecendo nossa produção literária,
que vem de muito tempo, mas ainda temos poucos lugares para esse tipo de encontro.
Espaços como esse chegam para potencializar e fortalecer a poesia e a literatura”,
avaliou.

Edinaldo também destacou a qualidade das apresentações e a importância de resgatar
a memória de artistas que ajudaram a construir a identidade cultural da região.

Um dos momentos mais simbólicos da noite foi a homenagem ao artista plástico e poeta
Apolinário. Edinaldo Rodrigues fez a leitura de um poema do artista, lembrando sua
trajetória e sua contribuição para a literatura santarena.

Apolinário participou de diversas semanas de poesia e ficou conhecido pela força
contestadora de seus versos. Em 1994, segundo Edinaldo, venceu um festival de poesia
realizado em Santarém com a obra Fracasso e Deus. A leitura foi também um gesto 
de reconhecimento a uma voz que, embora silenciada precocemente, permanece viva 
na memória cultural da cidade.

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O poeta Neucivaldo Moreira, idealizador do projeto ‘Encontro’, também destacou a
importância de iniciativas que abrem espaço para outras expressões artísticas além
da música. Para ele, Santarém vive um momento de crescimento da produção literária,
com novos autores, publicações e lançamentos de livros.

“Falar de literatura é sempre muito complicado, sempre muito mais difícil. Então,
quando existe um espaço como esse, procurando valorizar não só a música, mas também
a literatura, a gente precisa aproveitar”, afirmou.

Neucivaldo acredita que a cidade já possui público interessado e estrutura para 
receber encontros dessa natureza. Restaurantes, hotéis e outros espaços poderiam
ser ocupados com saraus, rodas de leitura e apresentações literárias em diferentes
horários e dias da semana.

A programação também contou com as participações de Mariana Sarmento, que abordou
a literatura amazônica, ancestralidade e leitura; Gonzaga Blantez, com o tema ‘Das
Águas do Igapó; além de apresentações de Neucivaldo Moreira e Edinaldo Rodrigues.
O poeta e escritor Eduardo Serique também integrou o encontro.

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Ao longo da noite, as experiências individuais se encontraram em uma construção 
coletiva. Histórias de vida viraram lembranças, lembranças encontraram os versos
e os versos ganharam voz diante de quem estava disposto a ouvir.

No fim, ficou a sensação de que Santarém ainda tem muitas histórias para contar 
e muitos autores esperando por uma oportunidade de compartilhar suas criações, suas
emoções, suas dores e amores. Afinal, uma cidade que tem na sua história tantos 
representantes da música e da literatura não pode deixar suas manifestações culturais
confinadas às estantes ou às lembranças.

A arte continua viva. Sobrevive nos livros, nos poemas, nas telas, nas vozes e na
resistência de quem insiste em produzir cultura.

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O primeiro sarau do Emporium deixou uma promessa no ar: que seja apenas o primeiro
de muitos. Porque, em Santarém, tudo pode virar poesia. Tudo pode virar arte. E 
toda palavra compartilhada é também uma forma de manter viva a memória e o amor 
pela cultura santarena.
