# Setor mineral do país vai passar por processo de descarbonização

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- Published: 2023-10-28T09:48:10-03:00
- Author: Redação

A demanda por energia renovável é cada vez maior no mundo e as atividades produtivas
têm desempenhado um papel de liderança na busca por soluções capazes de impulsionar
a transição energética e a redução das emissões de gases poluentes. Por este motivo,
a sede do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), em Brasília, foi palco, na 
tarde desta quinta-feira (26), de um evento crucial para o futuro da indústria mineral.
Com o propósito de identificar as oportunidades de redução de gases do efeito estufa
nos processos industriais e o incentivo à transição energética, representantes da
mineração assinaram um projeto pioneiro de descarbonização das atividades do setor.

A iniciativa é promovida pelos principais players de mineração do país, incluindo
a Mineração Rio do Norte (MRN), juntamente com o IBRAM e o Mining Hub, primeiro 
hub de inovação aberta do setor de mineração do mundo, em parceria com o governo
britânico. O evento contou com a presença de autoridades dos ministérios do Meio
Ambiente, Minas e Energia, Relações Exteriores e Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, além da Embaixadora do Reino Unido no Brasil, Stephanie Al-Qaq.

O Projeto de Descarbonização do setor mineral busca identificar oportunidades para
reduzir as emissões de gases do efeito estufa nos processos industriais e criar 
um plano de ação para uma transição energética eficaz e coletiva. A MRN será uma
das integrantes da iniciativa, que começará com um estudo setorial completo para
entender a lógica do consumo das indústrias e a criação de um Plano Diretor para
a descarbonização do setor mineral. Envolvendo não somente as mineradoras, mas também
governos de estados e municipalidades, as intuições acadêmicas e de pesquisa, representantes
dos mercados e indústrias do entorno, além da sociedade civil em si.

O Diretor de Implantação da MRN, Leonardo Oliveira de Paiva, enfatizou que a assinatura
do projeto reforça o compromisso da empresa com a sustentabilidade e a Agenda ESG(
Environmental, Social and Governance ou Sustentabilidade Ambiental, Social e de 
Governança Corporativa, em tradução livre). “Nós, que estamos sediados na Amazônia,
estamos empenhados em liderar a transformação para uma indústria de mineração cada
vez mais sustentável. É um compromisso diário que temos com o meio ambiente e com
as pessoas. Nosso mapeamento de emissões de gases do efeito estufa é uma parte crucial
desse compromisso. Acreditamos que é responsabilidade das empresas líderes do setor
impulsionar a mudança e promover um futuro mais limpo e seguro”, comentou.

Para a MRN, a sustentabilidade das operações é inegociável. “Estamos trabalhando
para descarbonizar as nossas atividades em um futuro próximo. O Projeto de Descarbonização
vai incluir análise de condições do mercado, cenários para a transição de energia
de mineração e maior investimento em inovação. Esperamos ter um modelo financeiro
e de negócios que garanta uma mineração sem perdas na exploração da bauxita e com
um projeto sustentável em nossos empreendimentos”, completou o executivo.

**Compromisso com a Descarbonização**

A emissão de GEE sempre foi controlada e monitorada pela empresa, que busca constantemente
novas alternativas que promovam sua redução em todas as operações. Por meio de inventários
anuais, são avaliados os impactos dessas iniciativas em diversos parâmetros e as
informações publicadas na plataforma GHG Protocol, da Fundação Getúlio Vargas (FGV),
que em 2022 concedeu à empresa, pela quarta vez, a certificação na categoria Selo
Ouro.

Além disso, a MRN possui uma série de objetivos para atingir a redução das emissões
de GEE, como a construção de uma linha de transmissão que irá conectar a MRN ao 
SIN – Sistema Interligado Nacional, dentre outros projetos de pesquisa e desenvolvimento
para suas operações em Porto Trombetas.

**Estrutura do projeto**

Além da MRN e demais players que atuam com a mineração no país, o Projeto de Descarbonização
conta com a participação da Catapult Energy Systems, empresa reconhecida internacionalmente
como uma impulsionadora da transição para uma matriz energética mais limpa, o IBRAM–
Instituto Brasileiro de Mineração e o Mining Hub, hub de inovação aberta do setor
que reúne os maiores players do mercado nacional de mineração e, com o objetivo 
de buscar soluções de forma integrada para desafios comuns ao setor, integrando 
mineradoras, fornecedores, startups, pesquisadores e investidores. A entidade conta
com 38 empresas associadas, sendo 22 mineradoras e 16 fornecedores. A governança
do núcleo é gerida por um representante da diretoria do IBRAM e três líderes representantes
de mineradoras, incluindo a MRN.

O gestor do escritório de projetos da MRN e representante da empresa no Conselho
Diretor do Mining Hub, Gustavo Lage, destaca o projeto como crucial para o setor
de mineração.

“O grande ato deste projeto é pensar a transição energética para a mineração como
um todo e no longo prazo mirando o período de 2030 a 2050. Estamos pensando não 
apenas na MRN, mas no Brasil e no legado que a mineração pode deixar a seu entorno
impulsionado pelo projeto de descarbonização, que estimulará novos atores da chamada
economia verde. É sabido que a mineração terá papel fundamental na transição energética
como provedoras dos metais para baterias e outros componentes de transmissão e eletrônicos.
No entanto, e mesmo não sendo o setor que mais emite o GEE, assumimos através dessa
iniciativa coletiva inédita, o protagonismo de figurarmos como sendo um dos setores
nacionais de referência para adoção de uma visão e de práticas compartilhadas efetivas
para a descarbonização”, detalha.

“Serão necessários múltiplos esforços e soluções inovadoras para abordar as principais
fontes de emissões e descarbonizar, tais como um movimento em direção a fontes sustentáveis,
combustíveis e sistemas de transmissão mais eficientes, bem como uma mudança para
outras opções de processos sustentáveis, tudo em busca do, agora, objetivo coletivo
do setor de reduzir as emissões e chegar ao NetZeto mining”, afirmou.

MRN
