# Soltura de quelônios reforça conservação ambiental e mobiliza comunidades no Oeste do Pará

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- Published: 2026-03-21T09:35:37-03:00
- Author: Redação

Milhares de filhotes de quelônios retornaram à natureza durante as ações do Projeto
Pé-de-Pincha, realizadas em Terra Santa e Oriximiná, no oeste do Pará. A soltura
reuniu comunitários e parceiros dos dois municípios, marcando o momento final de
um trabalho de conservação ambiental, que devolveu à natureza 55.899 filhotes, sendo
52.168 tracajás, 875 iaçás, 2.577 tartarugas e 279 irapucas.

Com mais de 27 anos de atuação na região, o Projeto Pé-de-Pincha se consolidou como
uma das mais importantes iniciativas de conservação de quelônios da Amazônia. A 
soltura é a fase final do ciclo de acompanhamento e monitoramento que ocorreu em
31 comunidades, resultado do trabalho conjunto entre moradores, instituições de 
pesquisa e parceiros como Mineração Rio do Norte (MRN), Universidade Federal do 
Amazonas (UFAM), Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), e a prefeitura de  
de Terra Santa, através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mineração ([SEMMA](https://oquartopoder.com.br/soltura-de-quelonios-reforca-conservacao-ambiental-e-mobiliza-comunidades-no-oeste-do-para/semmats@terrasanta.pa.gov.br)
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quelonios-1.jpg?resize=735%2C980&ssl=1)

A coordenadora do projeto em Oriximiná e representante da UFAM, Sandra Azevedo, 
destacou que os resultados têm sido significativos ao longo dos anos. “Aqui no município
de Terra Santa, onde o projeto começou, nós vemos claramente o impacto desse trabalho.
Quando o Pé-de-Pincha chega em uma área, aumenta a quantidade de peixe, a biodiversidade
e todo o equilíbrio do meio. Muitos dos animais que desovam aqui hoje são filhotes
produzidos ao longo do projeto. Essas tartarugas estão voltando para desovar no 
local onde habitavam antigamente”, explicou.

Para os comunitários, participar da soltura representa um sentimento de cuidado 
e responsabilidade com a natureza. Moradora da comunidade Boa Nova, no município
de Oriximiná, Josineide Castro, 43 anos, destacou a importância do envolvimento 
local na preservação da espécie. “É um sentimento muito grande de carinho e de cuidado
com a soltura dos quelônios. Eu também faço parte do projeto e a gente aprende que
quanto mais cuidado tiver com a natureza, mais a gente ajuda essas espécies a continuarem
existindo, mesmo com tantos desafios e predadores”, afirmou.

O projeto também é resultado da troca de conhecimentos entre comunidades e instituições
de ensino. A estudante de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Oeste do
Pará (UFOPA), Andreiva Araújo, 29 anos, ressaltou o aprendizado que ocorre no contato
direto com os moradores da região. “A gente aprende muito com os comunitários, porque
eles têm a vivência do dia a dia. Quando juntamos o conhecimento da universidade
com o conhecimento deles, conseguimos entender melhor o processo e perceber que 
esse trabalho gera resultados para as próximas gerações”, destacou.

O coordenador técnico de campo, em Terra Santa, João Alfredo Duarte, também ressaltou
o papel fundamental da MRN no desenvolvimento e continuidade do projeto. Para ele,
a atuação da empresa ultrapassou o apoio financeiro e reforçou uma presença essencial
no território. “A importância da MRN não está apenas no patrocínio ao projeto em
Terra Santa. Essa ação da iniciativa privada é muito significativa para a conservação
da fauna silvestre, e a empresa também tem contribuído em um aspecto de grande relevância
social”, pontuou.

A voluntária Maria Pontes também ressaltou o significado emocional e comunitário
do trabalho desenvolvido pelo projeto em Terra Santa. Para ela, cada etapa do processo
reforçou a dimensão coletiva e o impacto para o futuro. “Para nós que trabalhamos
nesse projeto, isso significa muita coisa. Principalmente por causa dos filhotes,
que vão crescer e permanecer para as novas gerações. É algo que fica para o futuro”,
disse.

Genilda Cunha, coordenadora de programas e projetos, incluindo Pé-de-Pincha pela
MRN, ressaltou a importância da integração entre ciência, comunidade e iniciativa
privada dentro do  projeto. “Para a MRN é uma grande satisfação trabalhar e apoiar
esse projeto, estar junto com grandes instituições de ensino que propagam conhecimento
e fortalecem as ações dentro dos municípios e estados. A gente faz essa troca de
saberes com os comunitários, integrando o saber técnico dos profissionais da academia
como os graduandos, mestres, doutores e pós-doutores com o saber local através das
lideranças do projeto na comunidade e demais comunitários voluntários. Essa união
fortalece a manutenção da vida, a conservação do meio ambiente e, principalmente,
a preservação da biodiversidade na Amazônia”, afirmou.

Um dos pioneiros na iniciativa, o agricultor Eduardo Gonçalves, 65 anos, da comunidade
Castanhal, em Oriximiná, acompanhou de perto o crescimento do projeto ao longo das
últimas décadas. Segundo ele, a mobilização das comunidades foi essencial para transformar
a realidade da região. “No início, a gente via muita predação dos animais. Então
nos reunimos para buscar conhecimento e encontrar uma forma de preservar. Hoje o
projeto envolve várias comunidades e cada vez mais pessoas entendem que esse trabalho
é importante para garantir a natureza para as futuras gerações”, ressaltou.

[Fonte: MRN](https://oquartopoder.com.br/soltura-de-quelonios-reforca-conservacao-ambiental-e-mobiliza-comunidades-no-oeste-do-para/ MRN)
