# Surto de doença de Chagas em Óbidos tem 7 casos confirmados e três pacientes hospitalizados

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- Published: 2026-11-07T15:07:13-03:00
- Author: Redação

> **_Infecção está associada ao consumo de vinho artesanal de patauá; 31 pessoas
> foram expostas à bebida e outras 24 seguem em investigação epidemiológica._**

Um surto de doença de Chagas associado ao consumo de vinho artesanal de patauá deixou
sete pessoas infectadas na zona rural de Óbidos, no oeste do Pará. Três pacientes
estão hospitalizados, sendo um deles internado na Unidade de Terapia Intensiva (
UTI) de um hospital em Oriximiná. A confirmação foi feita na sexta-feira (6) pela
Secretaria Municipal de Saúde, por meio do Departamento de Vigilância em Saúde, 
e acendeu o alerta epidemiológico no município, onde não eram registrados casos 
graves da doença havia mais de 20 anos.

A bebida foi consumida no dia 21 de setembro e alcançou moradores das comunidades
Fuzil e Liberdade, localizadas às margens da rodovia PA-429, a aproximadamente 41
quilômetros da sede municipal. Juntas, as duas localidades possuem cerca de 380 
habitantes. Ao todo, 31 pessoas tiveram exposição direta ao produto. Desse grupo,
duas estão atualmente em Manaus (AM), três em Oriximiná e as demais permanecem em
Óbidos.

Entre os sete casos confirmados, quatro pacientes estão em acompanhamento ambulatorial,
com quadro clínico estável e sem sintomas no momento. Os outros três permanecem 
hospitalizados. Uma paciente recebe assistência no Hospital Santa Casa de Óbidos,
enquanto outro paciente foi transferido para a UTI do Hospital Menino Jesus, em 
Oriximiná.

Na fase aguda da infecção, os pacientes apresentaram sintomas como diarreia, febre
intermitente, dor abdominal, vômitos, dores pelo corpo e inchaços na face e nos 
membros inferiores.

As equipes da Vigilância em Saúde realizaram avaliações clínicas e exames laboratoriais
nas pessoas expostas que permanecem em Óbidos. A triagem inicial foi feita por meio
do exame de gota espessa, utilizado para pesquisar a presença do parasita na corrente
sanguínea.

As outras 24 pessoas que tiveram contato com a bebida, mas ainda não tiveram a doença
confirmada, continuam sob investigação epidemiológica. Mesmo quando o primeiro exame
apresenta resultado negativo, o protocolo prevê novas pesquisas laboratoriais e 
o envio de amostras de sangue para exames sorológicos mais aprofundados em Belém.

O acompanhamento conta com o apoio da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa),
por meio do 9º Centro Regional de Saúde, em Santarém, que fornece orientações técnicas
para o atendimento dos pacientes e disponibiliza a medicação específica para o tratamento.

Segundo Isabela Taketomi, diretora-executiva do Departamento de Vigilância em Saúde
de Óbidos, o medicamento utilizado como primeira escolha no tratamento da fase aguda
é o Benznidazol, de 100 miligramas. A liberação é feita pela Sespa mediante apresentação
da ficha de notificação do caso, prescrição médica e exames complementares laboratoriais
e de imagem.

**Investigação identificou falhas na produção da bebida**

A investigação sanitária identificou que o vinho de patauá foi produzido artesanalmente
para consumo doméstico de uma família. Os frutos foram colhidos em outra comunidade
e a bebida não foi comercializada, mas compartilhada entre parentes e conhecidos
das comunidades Fuzil e Liberdade.

Durante a fiscalização no imóvel de origem, localizado na Vila Liberdade, as equipes
encontraram irregularidades nas condições de manipulação dos frutos. A despolpadeira
funcionava na varanda da residência, em ambiente aberto, com piso de cimento grosso
e sem barreiras físicas ou proteção contra poeira e vetores.

Segundo a Vigilância Sanitária, essas condições favorecem a presença de insetos 
transmissores da doença e aumentam o risco de contaminação dos alimentos.

Diante das irregularidades, o local foi lacrado e o responsável suspendeu voluntariamente
as atividades de processamento e manipulação de frutos, incluindo açaí, bacaba e
patauá. A Vigilância Sanitária também emitiu um Termo de Orientação, estabelecendo
prazo de 30 dias para adequação das instalações.

Para retomar a produção, o responsável deverá reestruturar o espaço e participar
de capacitações sobre boas práticas de manipulação de alimentos. Entre as exigências
estão a seleção adequada dos frutos, a tripla lavagem e o processo térmico de branqueamento,
procedimentos fundamentais para reduzir o risco de contaminação pelo parasita.

**Como ocorre a transmissão da doença de Chagas?**

A doença de Chagas é causada pelo parasita _Trypanosoma cruzi_, transmitido principalmente
pelo contato com as fezes do inseto conhecido popularmente como barbeiro.

Na região amazônica, a transmissão oral é uma das principais formas de contaminação.
Isso pode acontecer quando o inseto transmissor ou suas fezes são triturados acidentalmente
junto com frutos utilizados na produção de bebidas artesanais, como açaí, bacaba
e patauá.

A falta de higienização adequada dos frutos e de tratamento térmico durante o processamento
aumenta o risco de transmissão.
