# Turismo de base comunitária em territórios tradicionais no Pará preocupa MPF

- Link: https://oquartopoder.com.br/turismo-de-base-comunitaria-em-territorios-tradicionais-no-para-preocupa-mpf/
- Published: 2023-08-05T14:11:08-03:00
- Author: Redação

Uma prática consciente, autêntico e com o objetivo de promover o desenvolvimento
sustentável das comunidades tradicionais, preservando a cultura e os costumes locais,
além de a preservação do meio ambiente e gerando renda aos povos tradicionais. Esse
é o principal conceito do turismo de base comunitária que, em tese, deveria trazer
benefícios para os moradores que vivem na floresta. Mas não é o que acontece em 
algumas localidades da Amazônia.

![](https://i0.wp.com/oquartopoder.com.br/wp-content/uploads/2023/08/comunidades-
quilombolas-turismo-comunitario.jpg?resize=735%2C445&ssl=1)

No oeste do Pará, mais precisamente no município de Oriximiná, no oeste do Pará,
os empresários que exploram essa atividade estariam invadindo os limites da Terra
Indígena Kaxuyana-Tunayana oferecendo serviços de hospedagem aos turistas.

A denúncia é do Ministério Público Federal (MPF), que constatou durante uma investigação
a presença ilegal de donos de pousadas em áreas que não são permitidas para esse
tipo de atividade.

Esse assunto é destaque do Canal MPF, na plataforma do YouTube, que foi ao ar nesta
sexta-feira (4).

Na reportagem do jornalista Tiaho Chaves, explica que, na o turismo de base comunitária
em territórios tradicionais, prevê que as próprias comunidades prestem serviços 
aos visitantes, garantindo a valorização da cultura, a própria preservação do meio
ambiente e gerando benefícios econômicos aos povos tradicionais.

Mas não é isso que vem aconteceu na prática, segundo a denúncia do MPF.

A investigação do Ministério Público Federal constatou a presença de empresários
não quilombolas explorando áreas além dos limites da Terra Indígena Kaxuyana-Tunayana
para prestar serviços de hospedagem.

Na Calha Norte, às margens do rio Trombeta, está localizada a maior terra quilombola
titularizada do Brasil com 225 mil hectares reconhecidos.

A Cachoeira Porteira, que abriga uma comunidade que vive da produção rural, do extrativismo
e do artesanato.

A região vem se tornando um destino para os amantes de turismo de base comunitária
devido a floresta preservada e as belas paisagens naturais.

O turismo de base comunitária é um modelo de gestão que envolve a participação e
o protagonismo dos moradores locais, gerando muitos benefícios.

No Brasil, existem diversos como esses em territórios protegidos, mas para o sucesso
de iniciativas como essas é preciso, que os visitantes respeitem não apenas a natureza,
mas também os direitos à autonomia e também a preservação da cultura desses povos
tradicionais.

Em junho passado, o MPF se reuniu com lideranças e demais integrantes do Território
Quilombola (TQ) Cachoeira Porteira, em Oriximiná, para discutir formas de garantir
que o turismo na área seja sustentável e participativo.

De acordo com relato dos moradores, a atividade não estava gerando retorno para 
a comunidade.

“Este modelo que não prioriza a autonomia da coletiva, não prioriza os aspectos 
culturais, tradicionais, modelo de decisão, o bem próprio da comunidade que esse
lucro seja revertido para a comunidade em essência, antes de qualquer coisa, ele
seria o mais adequado considerando os limites que nós temos”, disse o procurador
da República, Gustavo Alcântara,

Para que o turismo de base comunitária seja positivo é preciso que ele seja diferente
do turismo comercial tradicional. Ele tem que visar benefícios para as comunidades,
garantir a autonomia e valorização cultural desta população.

O MPF tem buscado é de uma forma espontânea estabelecer um modelo de transição, 
onde as pessoas interessadas pactuem uma forma de transição gradual que permita 
este modelo chegar a ser alcançado ideal. Caso não seja possível, o MPF vai avaliar
a possibilidade de ajuizamento de ação civil pública para fazer o cumprimento da
legislação na sua integralidade.
