# Unidades de conservação do Pará protegem florestas, regulam o clima e formam barreiras naturais contra os efeitos das mudanças climáticas

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- Published: 2025-11-21T05:44:05-03:00
- Author: Redação

A Amazônia é frequentemente chamada de “pulmão do mundo”, mas, no Pará, esse pulmão
tem endereço certo: as unidades de conservação. São florestas, rios, campos, manguezais
e ilhas protegidos pelo poder público onde a biodiversidade se mantém viva, as nascentes
permanecem preservadas e os estoques de carbono ficam retidos na vegetação, evitando
que sejam lançados na atmosfera. Em um cenário global de emergência climática, essas
áreas se tornaram barreiras naturais contra os efeitos das mudanças do clima, ajudando
a manter a temperatura, os ciclos de chuva e o equilíbrio ambiental.
 Hoje, 60% 
do território paraense é composto por áreas protegidas. São 75,6 milhões de hectares
que somam unidades de conservação federais, estaduais e municipais, terras indígenas,
territórios quilombolas e áreas controladas pelas Forças Armadas. Nenhum outro estado
brasileiro abriga tamanho patrimônio natural em seus limites. Desse total, 21,1 
milhões de hectares são de unidades de conservação estaduais geridas pelo Governo
do Pará, por meio do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (
Ideflor-Bio). É como se mais da metade da Espanha estivesse protegida dentro do 
Pará.

As unidades de conservação estaduais paraenses estão distribuídas entre dois grandes
grupos definidos pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC): as de 
Proteção Integral e as de Uso Sustentável. No Pará, 6,2 milhões de hectares destinam-
se exclusivamente à proteção da natureza, com regras rígidas de visitação e atividades
humanas limitadas. Outros 14,9 milhões de hectares são territórios onde comunidades
tradicionais, ribeirinhos, agricultores familiares e extrativistas podem viver e
produzir sem destruir a floresta – um modelo que alia conservação à economia sustentável.
**
Escudo ecológico –** Ao todo, o Pará soma 29 unidades de conservação estaduais. 
Elas abrigam rios responsáveis por abastecimento humano, áreas que regulam o clima,
florestas que armazenam carbono e ecossistemas fundamentais para milhares de espécies.
Em um momento em que o planeta enfrenta o aumento da temperatura global, secas extremas
e eventos climáticos intensos, essas áreas funcionam como um escudo ecológico. Sem
elas, o desmatamento avançaria, a biodiversidade diminuiria e o regime de chuvas
seria ainda mais instável. Essa estrutura não surgiu da noite para o dia. A história
da gestão ambiental no Pará passa por marcos importantes: antes de 1988, o tema 
era dividido entre órgãos estaduais; em 1988, foi criada a Secretaria de Estado 
de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (Sectam); em 1989, a primeira Área de Proteção
Ambiental (APA) estadual, no Marajó. A Lei Ambiental do Estado e o Sistema Nacional
de Unidades de Conservação (SNUC), nos anos 1990 e 2000, consolidaram as bases da
proteção. Em 2007, nasceu o Ideflor, que anos depois se uniu à área de biodiversidade,
resultando, em 2015, no Ideflor-Bio. Em 2023, a Lei da Política Estadual de Unidades
de Conservação e o Sistema Estadual de Unidades de Conservação (Peuc-Seuc), modernizou
as regras e garantiu maior segurança jurídica às unidades. Cada etapa fortaleceu
o que hoje é um dos maiores sistemas de áreas protegidas do planeta. **Protagonismo
na agenda climática –** Para o diretor de Gestão e Monitoramento de Unidades de 
Conservação do Ideflor-Bio, Ellivelton Carvalho, os números não deixam dúvida: o
Pará se transformou em exemplo mundial. “Quando olhamos para o mapa, percebemos 
que grande parte das florestas em pé está dentro de áreas protegidas. As unidades
de conservação são essenciais para manter serviços ambientais que a sociedade nem
sempre vê, mas sente. São elas que regulam a temperatura, mantêm as nascentes vivas
e garantem a chuva que abastece cidades e plantações”, enfatizou. A biodiversidade
amazônica também encontra refúgio nessas áreas. Nas florestas protegidas vivem espécies
ameaçadas, animais migratórios, polinizadores e árvores centenárias. Para o diretor
de Gestão da Biodiversidade do Ideflor-Bio, Crisomar Lobato, a missão vai muito 
além de cercar território. “Conservar é cuidar da floresta, do rio, da espécie e
de quem vive nela. As unidades de conservação não são apenas áreas preservadas, 
são territórios vivos onde comunidades produzem sem destruir, e onde o Estado atua
para garantir equilíbrio entre uso e proteção”, destacou. **Convívio em harmonia–**
A presença humana, aliás, faz parte da história de muitas unidades de conservação
paraenses. Em reservas extrativistas e áreas de uso sustentável, moradores tiram
seu sustento da floresta sem derrubá-la: açaí, cacau, castanha, sementes e óleos
que chegam ao mercado nacional e internacional. Para o presidente do Ideflor-Bio,
Nilson Pinto, proteger a Amazônia exige diálogo e inclusão. “O Pará aposta em um
modelo onde conservar e produzir caminham juntos. As unidades de conservação são
prova de que é possível manter a floresta em pé, gerando renda, preservando a cultura
e protegendo o clima”, ressalta.

Em boa parte dos territórios, esse trabalho é construído com quem sempre esteve 
lá: as populações tradicionais. É o caso de Emival Borges, morador da Área de Proteção
Ambiental (APA) Araguaia, em São Geraldo do Araguaia, e membro do Conselho Gestor
da unidade. “A gente sente na pele a diferença de viver dentro de uma área protegida.
Onde tem floresta, tem rio limpo, tem peixe, tem caça, tem chuva na hora certa. 
Eu digo sempre: proteger a APA não é só proteger árvore, é proteger a vida de quem
depende dela”.
 Nilson completa que, “no momento em que o mundo discute o futuro
do planeta, o Pará mostra que a resposta está em cuidar do que já existe: floresta
em pé, água preservada, biodiversidade viva e população envolvida. Unidades de Conservação
não são apenas mapa e hectare — são o alicerce de um clima equilibrado para as próximas
gerações”, frisou o presidente do Ideflor-Bio.

[Fonte: Agência Pará](https://oquartopoder.com.br/unidades-de-conservacao-do-para-protegem-florestas-regulam-o-clima-e-formam-barreiras-naturais-contra-os-efeitos-das-mudancas-climaticas/ Agência Pará)
