# Vítimas de naufrágio buscam apoiam da Alepa para garantir direitos e justiça

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- Published: 2023-10-02T20:35:50-03:00
- Author: Redação

O naufrágio da embarcação “Dona Lourdes II”, ocorrido no dia oito de setembro de
2022, foi o motivo de uma nova reunião da Comissão de Direitos Humanos, Defesa do
Consumidor, Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, da Mulher, da Juventude,
da Pessoa Idosa e Minorias. A reunião foi comandada pelo seu presidente, Carlos 
Bordalo (PT), e pela vice-presidente, deputada Lívia Duarte (PSOL) na manhã desta
segunda-feira (02), na sala VIP da Assembleia Legislativa do Estado do Pará, provocada
pelo movimento “Vidas Marajoaras Importam”, liderado por parentes e familiares de
vítimas.

A lancha virou e afundou após colidir na Pedra da Lavadeira, localizada às proximidades
da Ilha de Cotijuba, resultando na morte de 23 pessoas, entre elas, 13 mulheres,
seis homens e quatro crianças. Apesar da comoção que a tragédia causou e os holofotes
que o caso ganhou nacionalmente, familiares das vítimas fatais e dos 66 sobreviventes
do acidente continuam em busca de justiça.

Para o deputado Carlos Bordalo, o atraso na apuração de responsabilidades e as providências
são ainda extremamente débeis e lamentáveis. “Primeiro houve uma lentidão inexplicável
no encaminhamento do inquérito. Chegando ao ponto, que um ano depois, o inquérito
precisar ser refeito para incluir as demais vítimas fatais”, expôs o parlamente.
Isso porque, inicialmente, só constavam os nomes de oito das 23 pessoas mortas por
afogamento.

Além do pedido para que as providências do Estado e o desenrolar na Justiça sejam
feitos de forma mais acelerada, o deputado informou que vai solicitar ao governador
Helder Barbalho, mediante Moção, que apresentará no plenário da Alepa nesta terça-
feira (03), a formação de um Comitê de Apoio às Vítimas e Familiares do Naufrágio
da Lancha Dona Lourdes II, composto por membros das secretarias e órgãos estatais.

O levantamento completo de vítimas fatais e sobreviventes foi feito pelas lideranças
do Movimento Vidas Marajoaras Importam. Laiane Batalha, mãe do garotinho Daniel,
de sete anos, sobrevivente da tragédia, disse que logo após o sinistro, conseguiram
montar a relação com os nomes dos sobreviventes e das 23 vítimas fatais, com localidade
de origem de cada pessoa, número para contato. A lista concluída foi entregue ao
promotor Edson Cardoso de Souza, responsável pelo inquérito, e à Delegacia da Policial
Fluvial, que hoje tem o comando das investigações o delegado Renan Andrews.

Para Marco Pina, um dos advogados das vítimas do acidente, as investigações foram
atrapalhadas devido a lancha ter sido irregularmente içada e depois rebocada e novamente
sofrido outro naufrágio quando transportada para Abaetetuba pela família proprietária
da embarcação, sem decisão judicial. O içamento e transporte irregular ocorreu devido
a ação do advogado de defesa do condutor da lancha ter utilizado, de forma irregular,
um documento que não autorizava o içamento da embarcação. “O documento da SEGUP 
usado, simplesmente, anulava a licitação para o içamento que ia ser feito oficialmente”,
explicou o deputado Bordalo.

“Na minha opinião, esta lancha existe ainda, com certeza já foi reformada e que 
o içamento, deslocamento e desaparecimento da embarcação foi feito apenas para desviar
e dificultar as investigações do processo”, disse Laiane Batalha, que perdeu sua
mãe na tragédia. “Prometi no túmulo de minha mãe que iria até o fim lutar por justiça”,
afirmou.

O promotor Luiz Gustavo Quadros – do Ministério Público em Salvaterra – detalhou
como está o andamento do processo na atualidade e ainda explicou e tirou duvidas
de familiares. E o escrivão da Policia Civil, Rodrigo Barros, relatou ainda importantes
fatos recolhidos à época.

Os representantes da Casa Civil do Governo do Estado, Walter Costa; Miriquinho Batista
da SEASTER; Paulo Victor Ramos do TJE; e o representante da OAB puderam tomar ciência
dos fatos e se enquadrar para acompanhar em nível de sua responsabilidade o caso.

A deputada Lívia Duarte explicou que a reunião teve por objetivo saber sobre o cronograma
das investigações do inquérito sobre o naufrágio da lancha Dona Lourdes II que vitimou
tantas famílias. “Foram vítimas de maneira fatal, ou seja, de maneira definitiva
e queremos reparação, as famílias dos mortos e principalmente dos sobreviventes,
que precisam de apoio do Estado porque são pessoas que ficaram com sequelas psicológicas
e sequelas financeiras, portanto impactadas de maneira direta”, afirmou.

Fonte: Alepa
