Empreendedoras paraenses unem talento, ancestralidade e as belezas de Belém para criarem produtos autorais cheio de estilo e orgulho

Por Ana Carolina Maia

Em novembro deste ano Belém, capital paraense sediará o maior e mais importante evento climático do mundo, a COP 30. Desde o anúncio, a economia e o comércio local estão aquecidos, é um excelente momento para as marcas e empresas deslancharem e alcançarem novos públicos. A Plurale conversou com duas empreendedoras de Belém, que estão vendo na COP a oportunidade de mostrar a todos que os produtos fabricados na cidade das mangueiras são valiosos e especiais.

Márcia Martínez é dona da Confraria dos Aromas, empresa que produz perfumes artesanais para ambientes, Lora Cirino está à frente da Osada, marca de roupas, sapatos e acessórios inspirados na beleza do cotidiano amazônico, com peças leves, solares, confortáveis, sexy e inclusivas. O que as duas tem em comum além de serem comandadas por mulheres? O respeito ao meio ambiente, foco em práticas sustentáveis, valorização e uso de matérias-primas regionais.

De jornalista à perfumista

A história da Confraria dos Aromas, nasceu em 2015, assim, despretensiosamente na mesa de um bar, a partir da paixão de dois grandes amigos pela perfumaria e aromas. A ideia foi sendo amadurecida de tempos depois nascia a “Confraria dos Aromas”, a empresa belenense oferece difusores de ambientes com fragrâncias regionais, tudo elaborado de forma artesanal.

“Eu sou formada em jornalismo, mas hoje sou jornalista apenas por hobby, minha paixão mesmo é a alquimia, passo horas compenetrada no meu trabalho que é transformar óleos essenciais em gotinhas de amor e carinho para meus clientes”. Explica Márcia Martínez, dona da Confraria dos Aromas.

No mercado há mais de uma década, Martínez destaca que o mercado é exigente, uma vez que a concorrência é ampla e tem muitas empresas nacionais e internacionais disputando uma fatia da preferência do consumidor. Mas a empreendedora não se deixa abater por isso e ressalta que o seu maior diferencial é buscar na ancestralidade os cheiros pertencentes à Amazônia, os mais genuínos, mais representativos, que traduzem seu povo, a alma e o cotidiano daqueles vivem às margens da baía do Guajará.

Com o advento da COP, a empresa da Márcia viu duplicar o número de encomendas, em especial, os produtos regionais, como os difusores de açaí, cupuaçu e patchouli. A empresa trabalha também com outros tipos de aromas, tudo desenvolvido de maneira sustentável. “Ás vezes, até a tradicional chuva da tarde já é uma grande fonte de inspiração para eu criar, não tem nada mais Belém do que essa chuvinha”, brinca.

Além do aumento significativo no número de pedidos por parte de clientes e de empresas que querem marcar presença através do marketing olfativo com os aromas regionais, a Confraria pretende fisgar turistas, jornalistas e as delegações internacionais que irão desembarcar em Belém até novembro de 2025. Vem aí o lançamento da linha “Difusores e Sprays COP 30”. São fragrâncias únicas com o melhor da matéria-prima nativa, uma linha pura, totalmente handmade e promete deixar no ar um aroma ímpar, cheio de frescor e vida.

“Fui buscar inspiração nas bucólicas cidades do interior por onde já passei, onde os cheiros das frutas, sementes e plantas são marcantes e intensos, faz eu lembrar que a mãe natureza sempre nos presenteia de forma magnifica. Eu tenho um orgulho inenarrável de ser belenense, de honrar minhas raízes e dizer que nasci e moro na cidade da COP”. Enfatiza Márcia Martínez.

A nova linha de difusores de ambiente estará disponível a partir da primeira quinzena de fevereiro. Para mais informações é só seguir o perfil no instagram @confraria_dos_aromas_

O Pará é a minha bandeira

A estilista Lora Cirino, criadora da marca Osada, acumula mais de vinte anos de experiência trabalhando com moda. Publicitária por formação, Lora, é entusiasta da moda sustentável e sempre busca aliar práticas ambientalmente viáveis e com respeito ao meio ambiente em todo o processo de confecção das peças, seja sapatos, acessórios e roupas. Reutilizar é uma das políticas da empresa, que usa como insumo os tecidos de guarda-chuvas que seriam descartados no lixo e servem muito bem para compor uma sandália.

A Osada deu seus primeiros passos em 2014, com a produção de sapatos autorais feitos à mão em Belém, foram oito anos exclusivamente dedicados a criar pares diferentes, confortáveis, únicos e cheio de estilo, bem do jeito que a paraense gosta.

Em 2023, já consolidada e queridinha do público, a marca ampliou a linha de produção e expandiu a atividade, trouxe a Osada para o Rio de Janeiro e introduziu looks carnavalescos personalizados, roupas femininas e camisaria masculina. A novidade agradou bastante e caiu no gosto do povo, que preza por uma moda fresquinha, com tecidos leves, estampas diferenciadas, looks únicos e cheio de personalidade.

Para a Osada, que tem alma baiana, sotaque carregado, o orgulho de ser paraense sempre existiu, a COP veio como um aliado reforçar esse sentimento. Em 2025, Lora vem com tudo! Muita estampa nova, looks inclusivos, unissex, desenhados sob medida e sempre o Pará como tema, e cá entre nós, se é por causa da Conferência do Clima ou não, uma coisa é fato consumado: a coleção virou um grande sucesso. Começou com a canga que vira uma bandeira, evoluiu para kimonos, camisas, saia longa e agora tem uma saia curtinha com o balanço ideal para dançar carimbó.

“Tive muita sorte devido a bandeira possuir uma enorme estrela azul, as cores combinam entre si, a bandeira é super bonita e falando de moda mesmo são duas cores primárias, então é algo muito fácil de vestir, fica bem em todo mundo”. Disse Cirino.

Para uma coleção sair do papel, a equipe de criação da Osada realiza um amplo estudo dos tecidos disponíveis no mercado. “É fundamental que seja confortável, para que funcione bem no calor, pois tanto Belém, quanto o Rio são lugares quentes. Prezo pela qualidade das peças também. Explica.

“Eu tô muito orgulhosa do caminho que essa coleção tá tomando. Vários paraenses, que moram em outros países ou outros estados querem muito essas peças para dizer “sou paraense”, para fincar a sua bandeira onde quer que estejam.

Já recebi fotos e vídeos na Torre Eiffel, em Paris, em diversos lugares. Eu já mandei para Portugal e Espanha, o povo quer usar a bandeira do Pará pelo mundo, e isso é muito, muito legal”. Comemora a dona da Osada.

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