Duda Salabert se junta a indígenas em Santarém e reforça protesto contra dragagem do rio Tapajós

A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) chegou a Santarém, no oeste do Pará, nesta quarta-feira (4), e se juntou ao movimento de resistência liderado pelos povos indígenas do Baixo, Médio e Alto Tapajós, que há quase duas semanas ocupam a área em frente ao porto da multinacional Cargill. O protesto é contra a dragagem do rio Tapajós e contra o Decreto nº 12.600/2025, que, segundo os manifestantes, amplia projetos de hidrovias e privatização dos rios amazônicos sem o diálogo necessário com as comunidades tradicionais.

A parlamentar registrou o encontro em suas redes sociais e destacou que a mobilização indígena denuncia o avanço da hidrovia do Tapajós sem o cumprimento da Consulta Prévia, Livre e Informada, direito assegurado pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

De acordo com o movimento, o governo tem avançado com obras de dragagem, a inclusão do rio Tapajós no Programa Nacional de Desestatização e a expansão de um corredor de escoamento de commodities, medidas que representam riscos diretos à pesca artesanal, à saúde das comunidades, com possibilidade de contaminação por mercúrio, e aos territórios, à espiritualidade e aos modos de vida ancestrais.

“Não existe desenvolvimento que passe por cima de direitos. Não existe ‘progresso’ que silencie quem vive do rio. Estou aqui para ouvir, fiscalizar e cobrar. O Tapajós não é mercadoria. É território, é vida, é direito”, escreveu Duda Salabert ao comentar a visita e o diálogo com as lideranças indígenas.

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O acampamento reúne indígenas de 14 povos do Baixo e Médio Tapajós, que permanecem mobilizados desde o dia 22 de janeiro no porto da Cargill, em Santarém.

O bloqueio do local é descrito pelos manifestantes como um ato de resistência e visibilidade, com o objetivo de exigir respeito aos povos originários e o cumprimento do direito à consulta prévia, livre e informada antes de qualquer empreendimento que impacte seus territórios e o rio do qual dependem para viver.

Foto: @cissaotoni

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