A morte de um jovem de 26 anos em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, colocou em alerta as autoridades de saúde do Estado e a população para os perigos da Doença de Chagas, especialmente pela possível transmissão por alimentos. Diante da suspeita de contaminação por açaí, a prefeitura intensificou a fiscalização sanitária e determinou a interdição preventiva de pontos de venda do produto no município.
A vítima foi identificada como Ronald Maia da Silva. De acordo com familiares, ele começou a apresentar sintomas no início de dezembro de 2025 e buscou atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ananindeua. A principal linha de investigação aponta que a infecção pode ter ocorrido após o consumo de açaí comprado em um estabelecimento da cidade. O jovem não resistiu às complicações causadas pela doença.
A Doença de Chagas é uma infecção grave provocada pelo parasita Trypanosoma cruzi. Embora seja tradicionalmente associada à transmissão pelo inseto conhecido como barbeiro, a enfermidade também pode ser contraída por meio da ingestão de alimentos contaminados. Quando não identificada e tratada de forma precoce, a doença pode evoluir silenciosamente e causar danos severos ao coração e ao sistema digestivo, com risco de morte.
Com a suspeita de contaminação alimentar, a Prefeitura de Ananindeua anunciou, na segunda-feira (5), a interdição preventiva de pontos de venda de açaí. A medida, segundo o município, tem caráter cautelar e busca proteger a saúde da população enquanto as investigações avançam.

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informou que os casos suspeitos estão sendo monitorados e que foi instaurada uma investigação para identificar a possível origem da contaminação. Técnicos da Vigilância Sanitária realizaram inspeções e análises nos estabelecimentos e seguem acompanhando a situação. As interdições permanecerão até a conclusão dos procedimentos e a emissão dos laudos técnicos.
Até o momento, a prefeitura não divulgou quantos estabelecimentos foram interditados nem o número de pessoas possivelmente expostas. A Sesma ressaltou que mantém fiscalizações regulares nos pontos de venda de açaí, com o objetivo de garantir a qualidade do produto e reduzir riscos à saúde dos consumidores.
O município também solicitou um posicionamento da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) sobre as medidas adotadas em relação aos casos suspeitos e aguarda retorno. A atuação integrada entre os órgãos de saúde é considerada essencial para conter a doença e fortalecer as ações de prevenção.
As autoridades reforçam a recomendação para que a população consuma alimentos de origem confiável, esteja atenta às condições de higiene e colabore com as ações de fiscalização. A investigação em andamento é apontada como fundamental para esclarecer a origem da contaminação e evitar o surgimento de novos casos.

