Uma operação de grande impacto da Polícia Federal, com apoio do Ministério Público Federal, desarticulou nesta quarta-feira (22) cinco frentes de garimpo ilegal dentro da Terra Indígena Trincheira-Bacajá, no Pará. A ação, batizada de Operação Trincheira-Bacajá, atingiu diretamente o chamado Garimpo Manelão, interrompendo completamente a exploração clandestina de minério em uma das áreas mais ameaçadas da Amazônia.

A ofensiva ocorreu no interior da Terra Indígena Trincheira-Bacajá, onde agentes da Polícia Federal, com suporte aéreo e atuação conjunta do Ministério Público Federal, cumpriram mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares em cinco pontos de exploração ilegal.
Durante a operação, foram desativadas estruturas utilizadas pelo garimpo clandestino, o que resultou na paralisação total das frentes criminosas identificadas na região. As equipes atuaram simultaneamente em solo e por via aérea para garantir o êxito da ação e impedir a continuidade das atividades ilegais.

A Terra Indígena Trincheira-Bacajá é tradicionalmente ocupada pelos povos Mebêngôkre Kayapó e Xikrin. Regularizada desde 1996, a área possui cerca de 1,65 milhão de hectares e abrange os municípios de Altamira, Anapu, São Félix do Xingu e Senador José Porfírio.
A proximidade com grandes rodovias, como a BR-010 (Belém-Brasília) e a PA-150 (Belém–Redenção), além de assentamentos do Incra e da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, intensifica os conflitos na região e facilita o avanço de atividades ilegais ligadas à fronteira agropecuária.
Considerada a terra indígena com maior concentração de desmatamento ilegal da Amazônia, a Trincheira-Bacajá sofre há décadas com o avanço da pecuária ilegal, roubo de madeira, garimpo e grilagem de terras. A escalada desses crimes mantém sob constante ameaça a integridade do território e a sobrevivência dos povos indígenas que ali vivem.

