Há discos que não chegam apenas aos ouvidos, chegam na alma. Neste dia 23 de janeiro, a cantora paraense Mila Costa lança ‘Ouro verde’, seu primeiro disco, em todas as plataformas de streaming, e transforma música em manifesto, afeto em identidade e o Norte do Brasil em centro do mapa cultural.
‘Ouro Verde’ nasce como quem brota da terra: forte, diverso e impossível de ignorar. O EP reúne quatro faixas que costuram a trajetória artística e política de Mila Costa, artista que canta o amor, mas também canta pertencimento, ancestralidade e resistência. É um disco pequeno no formato, mas imenso no que carrega.
Entre as faixas está “Manifesto Nortista”, lançada em novembro de 2025 durante a COP30, em Belém, e que rapidamente ultrapassou o rótulo de música para se tornar um hino. A canção celebra a potência cultural do Norte ao mesmo tempo em que denuncia o apagamento histórico e a exclusão geográfica imposta à região. É canto e é cobrança. É afeto e é denúncia. É o Norte dizendo: estamos aqui.

Ao lado do manifesto, o EP apresenta três outras canções que revelam a versatilidade de Mila. O brega “Saudades” fala de ausências com a delicadeza de quem conhece a dor, enquanto o samba “Eu Mereço Mais” reivindica amor-próprio e empoderamento feminino. Já a releitura de “Do Tamanho do Mundo”, clássico de Antônio Novais, ganha novos contornos na voz da cantora e se transforma em declaração de pertencimento. “Essa música mostra a importância de carregarmos nossas raízes mesmo quando estamos fora da nossa região. Somos grandes quando nos olhamos de outra perspectiva”, afirma Mila.

Artista lírica e popular, produtora e musicoterapeuta, Mila Costa carrega uma formação sólida e plural. Graduada em Música pela UFPA, em Letras, com especializações em canto lírico, arte dramática e musicoterapia, ela transita com naturalidade entre o erudito e o popular. Já integrou o coro lírico profissional do Teatro da Paz e participou de óperas como La Vida Breve e Um Baile de Máscaras. Mas é na música popular que Mila finca os pés na terra e constrói sua narrativa.
Nos últimos anos, a artista vem desenhando uma obra profundamente conectada com a Amazônia e suas vozes. Projetos como “Homenagem às vozes negras brasileiras”, além dos shows “Encanto Amazônico”, “Baile da Sereia” e o premiado “Canto do Uirapuru”, consolidaram uma artista que não canta apenas para entreter, mas para provocar reflexão.
A semente de Manifesto Nortista foi plantada ainda na universidade, quando Mila percebeu que os livros de música ignoravam sistematicamente a produção artística do Norte. A ausência virou impulso criativo. O videoclipe da canção, dirigido por Arthur Anthony, percorre a Cidade Velha, o Forte do Castelo, o Beco do Carmo e também Barcarena, revelando uma Amazônia urbana e florestal, feita de rios, gente e memória.
Em ‘Ouro Verde’, as sonoridades se misturam como o próprio Norte: carimbó, brega, boi, samba, bossa nova e influências latinas se encontram para falar de amor, desamor, identidade, empoderamento feminino e brasilidade. Cada faixa reivindica um ouro que não se extrai da terra, mas se constrói na dignidade, na esperança e no direito de sonhar.
“Quando eu tinha três anos, sonhava em ser cantora. Continuar sonhando valia ouro”, lembra Mila.
Hoje, adulta, artista, mulher nortista de origem pobre, ela transforma esse ouro em música. E faz do seu canto não apenas um sonho realizado, mas um gesto de mudança. ‘Ouro Verde’ é isso: um disco que brilha porque nasce da raiz.
Com informações da Rock Made In Amazon e Nexo Assessoria

