A realização de um “detox digital” técnico é uma estratégia fundamental para fortalecer a segurança cibernética no início de 2026. Diferente da ideia de apenas reduzir o tempo de tela, essa prática envolve a limpeza de ativos, a revisão de permissões e a organização de dados na nuvem para mitigar riscos de invasões e clonagens. Aproveitar o clima de renovação de janeiro para criar hábitos digitais seguros é o primeiro passo para evitar vulnerabilidades ao longo do ano.
Segundo o especialista em Segurança Digital, Sergio Castro, docente dos cursos de Tecnologias da Informação da UNAMA Santarém, a faxina técnica deve começar pelo mapeamento da vida digital do usuário. “Isso significa identificar quais contas existem, quais ainda são utilizadas e quais podem ser encerradas. Em 2026, o primeiro passo é excluir cadastros antigos e aplicativos abandonados que armazenam dados sem necessidade”, destaca.
Mapear para proteger
O processo de revisão reduz significativamente a superfície de ataque. De acordo com o especialista, após identificar as contas ativas, o usuário deve atualizar senhas e verificar quais dispositivos estão conectados aos seus serviços. Revisar as permissões concedidas a sites e aplicativos é essencial para garantir que informações como contatos, localização e e-mails não estejam sendo expostas desnecessariamente.
Gerenciadores contra o risco da memória
Um erro comum entre os internautas é utilizar a mesma senha para múltiplos serviços ou anotar credenciais em blocos de notas sem proteção. Em 2026, confiar apenas na memória humana é considerado um risco elevado. Sergio Castro recomenda o uso de gerenciadores de senhas confiáveis, que armazenam os dados de forma criptografada.


“O usuário precisa lembrar apenas de uma senha mestra bem protegida. Essas ferramentas permitem o uso de combinações únicas e fortes para cada serviço, sem a necessidade de memorizá-las”, explica.
IA exige autenticação em dois fatores
Com o avanço de ataques baseados em Inteligência Artificial, a Autenticação de Dois Fatores (2FA) deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade básica. Senhas isoladas já não oferecem proteção suficiente contra ataques automatizados e phishing sofisticado.
“A autenticação em dois fatores adiciona uma camada essencial de defesa, dificultando o acesso indevido mesmo quando a senha principal é comprometida”, alerta o especialista.
Cuidado com documentos na nuvem
O acúmulo de arquivos sensíveis em serviços de nuvem (como Google Drive e iCloud) representa um perigo constante. Documentos antigos, como fotos de RGs, CPFs e cartões, podem ser explorados em fraudes financeiras e roubos de identidade. A recomendação é manter apenas o estritamente necessário e, preferencialmente, utilizar criptografia adicional para arquivos importantes.
Checklist para segurança no PIX
Para quem reside na região e utiliza frequentemente transações via PIX e bancos digitais, a segurança do hardware é crucial. Sergio Castro sugere um checklist básico para evitar prejuízos em caso de perda ou roubo do aparelho: uso de biometria, ocultação de notificações na tela bloqueada e a ativação do bloqueio remoto. “Essas medidas dificultam o acesso a contas financeiras e reduzem drasticamente os danos imediatos”, reforça.
Descarte do lixo digital
Além da segurança, a limpeza de fotos e vídeos pesados auxilia na performance do dispositivo. Organizar o backup em pastas e mídias externas confiáveis ajuda a separar o que tem valor emocional do que é apenas “lixo digital”. A exclusão de arquivos desnecessários melhora o desempenho do hardware e diminui a quantidade de dados expostos em eventuais invasões.

Medidas para uma vida digital protegida
Para garantir a segurança de informações sensíveis, Sergio Castro sugere a adoção de uma postura ativa. “Segurança não é um evento único, mas um processo contínuo. Revise periodicamente suas permissões, desconfie de comunicações urgentes ou apelativas e mantenha seus sistemas sempre atualizados. Quem mantém a vida digital organizada está muito mais protegido contra os golpes que evoluem a cada dia”, conclui.

