Doença de Chagas vira surto em Ananindeua e acende alerta no Pará

O Ministério da Saúde passou a tratar como surto o aumento expressivo de casos de doença de Chagas em Ananindeua, no Pará. A mudança de classificação ocorre em meio a um cenário preocupante: quatro óbitos confirmados somente em janeiro e um crescimento significativo no número de infecções, que já supera os registros acumulados dos últimos cinco anos no município.

Dados oficiais apontam que, apenas em 2025, Ananindeua contabilizou 45 casos da doença, sendo 26 em dezembro e outros 14 em janeiro. O volume representa um aumento de cerca de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior. A vítima mais recente é uma menina de 11 anos, que estava internada em um hospital particular de Belém e morreu no último dia 23.

Diante do quadro, a Secretaria Municipal de Saúde informou que segue os protocolos do Ministério da Saúde, com suporte técnico do Instituto Evandro Chagas, e mantém o monitoramento de cerca de 40 casos suspeitos. As investigações indicam que o surto está associado à transmissão oral da doença, principalmente por meio do consumo de alimentos contaminados.

Em nota, o Ministério da Saúde destacou que equipes da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), da Anvisa e dos Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde atuam de forma integrada na investigação, vigilância e controle do surto. Entre as medidas adotadas estão a fiscalização das condições sanitárias na cadeia de produção e comercialização de alimentos. O tratamento da doença é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Para reforçar a resposta, o ministério também disponibilizou uma equipe do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (EpiSUS), que pode ser acionada conforme necessidade dos gestores locais. Já a Anvisa atua na avaliação das condições sanitárias junto às equipes de vigilância.

A Secretaria Municipal de Saúde aponta o manejo inadequado do açaí como o principal fator de risco para a transmissão oral da doença em Ananindeua. Como ação preventiva, cerca de 200 agentes comunitários de saúde realizam visitas domiciliares em diversos bairros para orientar a população. Somente no bairro Cidade Nova, aproximadamente duas mil famílias já receberam orientações.

Outra iniciativa é o projeto Casa do Açaí, que capacita batedores e comerciantes sobre boas práticas de higiene e manipulação do produto. Em 2025, 840 pessoas participaram das capacitações. Em 2026, 130 trabalhadores já passaram pelo curso, com novas turmas previstas para os próximos meses.

Reflexos em Santarém
No oeste do Pará, em Santarém, o alerta em Ananindeua levou as autoridades de saúde a reforçarem os cuidados com a produção e o consumo do açaí. Mesmo sem casos confirmados da doença neste ano, a Vigilância Sanitária intensificou as orientações aos batedores, destacando a importância da higienização correta dos caroços, da lavagem cuidadosa do fruto, da retirada de impurezas e do armazenamento adequado.

A recomendação à população é clara: consumir açaí apenas de estabelecimentos que sigam rigorosamente as boas práticas de higiene. A transmissão da doença de Chagas pode ocorrer pela ingestão de alimentos contaminados, especialmente quando não há controle sanitário no preparo.

O que é a doença de Chagas
Segundo a Sespa, a doença de Chagas é causada pelo parasito Trypanosoma cruzi, transmitido principalmente pelo inseto barbeiro. Após a picada, as fezes contaminadas do inseto podem permitir a entrada do parasito no organismo. A infecção também pode ocorrer por via oral, por meio do consumo de alimentos contaminados.

Na fase aguda, os sintomas mais comuns incluem febre, dor de cabeça, cansaço, inchaço no rosto e nas pernas, palpitações, taquicardia, dor no peito e falta de ar. Como os sinais iniciais podem se confundir com os de outras doenças, a orientação das autoridades de saúde é procurar atendimento médico imediato. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações graves, especialmente no coração e no sistema digestivo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *