Santarém, no oeste do Pará, aparece na última colocação entre os 100 municípios mais populosos do Brasil no Ranking do Saneamento 2026, evidenciando um cenário crítico de falta de coleta e tratamento de esgoto e colocando o município entre os piores desempenhos do país.
O novo levantamento divulgado pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, expõe uma realidade preocupante no Pará, que se destaca negativamente como um dos estados com maiores deficiências em saneamento básico. Entre os 20 piores municípios do país, quatro são paraenses: Belém, Ananindeua, Santarém e Parauapebas, o que reforça um problema estrutural e histórico na oferta de serviços essenciais.
Em Santarém, a situação é considerada a mais grave do ranking. O município ocupa a 100ª posição, com índices extremamente baixos: apenas 3,28% da população tem acesso à coleta de esgoto e cerca de 9,26% contam com tratamento. Os números revelam um cenário de vulnerabilidade, com impactos diretos na saúde pública, no meio ambiente e na qualidade de vida da população.
A capital, Belém, também apresenta desempenho crítico, ocupando a 94ª posição. Apesar de registrar cobertura de água relativamente elevada, com 88,18%, o sistema de esgotamento sanitário ainda é um grande desafio: pouco mais de 25% da população tem acesso à coleta, e menos de um quarto do esgoto é tratado. O cenário coloca a capital entre as piores do país nesse indicador, ao lado de cidades como Manaus, São Luís e Porto Velho.
Na Região Metropolitana, Ananindeua aparece na 91ª posição, com um dos piores índices de abastecimento de água do Brasil, alcançando apenas 39,39% da população. Já Parauapebas, mesmo com melhor desempenho no fornecimento de água, figura entre os últimos colocados, ocupando a 96ª posição.
O estudo aponta que o Pará concentra uma parcela significativa do atraso nacional no setor. Nenhum dos municípios que estão entre os piores consegue atingir a meta de 90% de coleta de esgoto prevista pelo novo marco legal do saneamento. A média entre essas cidades é de apenas 28,06%, muito abaixo da média nacional, que chega a 56,7%. O tratamento de esgoto segue a mesma tendência, com índices também inferiores à média do país.
Os dados utilizados são do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico, referentes ao ano de 2024, e consideram critérios como acesso à água, coleta e tratamento de esgoto, além de investimentos e eficiência operacional.
Especialistas apontam que o baixo desempenho está ligado a fatores como falta de investimentos, crescimento urbano desordenado, limitações na gestão e dependência de sistemas estaduais que não conseguem acompanhar a demanda.
Apesar das metas estabelecidas pelo novo marco legal, que prevê até 2033 a universalização do acesso à água e 90% de cobertura de esgoto, o cenário atual indica que municípios como Santarém ainda estão muito distantes de alcançar esses objetivos.
Abaixo o ranking dos piores municípios:







