MPF denuncia rede de tortura animal com vídeos vendidos ao exterior

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça Federal no Pará integrantes de um esquema criminoso que produzia e comercializava vídeos de extrema violência contra animais, prática que acende alerta em Santarém e região sobre crimes digitais e maus-tratos.

As investigações apontam que os denunciados integravam uma rede dedicada à produção, venda e compartilhamento de conteúdos com tortura, mutilação e morte de animais domésticos e silvestres, muitas vezes com conotações sexuais. O material era produzido sob encomenda para compradores estrangeiros, com pagamentos realizados em dólar e euro por plataformas digitais e transferências via pix.

A denúncia foi formalizada no último dia 18 e reúne provas obtidas durante a Operação Bestia, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025. A apuração teve início após alerta da organização internacional Campaigns and Activism for Animals in the Industry, que identificou conteúdos violentos supostamente produzidos no Brasil.

A Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos de Ódio da Polícia Federal rastreou o fluxo financeiro e identificou os responsáveis por meio de dados digitais e endereços de IP. Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, agentes encontraram dispositivos eletrônicos com vídeos inéditos, além de objetos utilizados nas gravações, como instrumentos cortantes e recipientes.

A perícia também confirmou, por meio de reconhecimento facial, a identidade dos envolvidos nos vídeos, descartando qualquer tipo de manipulação digital. Um dos acusados está preso, enquanto outro teve a prisão preventiva decretada e segue foragido.

Segundo o MPF, os investigados mantinham contato direto com clientes internacionais, utilizando linguagem cifrada para ocultar a natureza dos crimes. Os vídeos eram produzidos de forma sistemática, transformando a violência contra animais como gatos, coelhos e aves em uma atividade lucrativa contínua.

O caso chama atenção em Santarém e em toda a região Norte para o avanço de crimes virtuais associados a maus-tratos, evidenciando a necessidade de fiscalização e denúncia por parte da população.

O MPF denunciou os envolvidos pelos crimes de maus-tratos a animais, com penas que podem chegar a cinco anos de reclusão — agravadas em casos envolvendo cães e gatos —, além de aumento de pena em caso de morte dos animais. Também foi imputado o crime de associação criminosa, devido à organização estruturada do grupo.

Diante da gravidade dos fatos, o órgão optou por não oferecer acordo de não persecução penal, entendendo que a medida seria insuficiente para coibir a prática.

Além das penas criminais, o MPF solicitou à Justiça a fixação de indenização por danos morais coletivos, considerando o impacto das práticas na proteção à fauna e na sensibilidade ética da sociedade.

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