Por: Raphaela Aguiar*
Moradores da Rua Presidente Costa e Silva (conhecida como 4ª Rua), da Rua Almirante Tamandaré (conhecida como 5ª Rua) e da Passagem Amoras, no bairro do Tapanã, em Belém, denunciam o abandono histórico da região, que segue sem asfalto, sem drenagem adequada e sem infraestrutura básica há mais de 50 anos. A situação persiste mesmo em uma área que abriga escolas das redes estadual e municipal.
O problema se agrava durante o período chuvoso. As vias ficam tomadas por lama, buracos e alagamentos, tornando quase impossível o tráfego de veículos e a circulação de pedestres. Em alguns trechos, carros simplesmente não conseguem acessar as ruas, obrigando os próprios moradores a improvisarem soluções. Recentemente, residentes precisaram pagar do próprio bolso por telhas e aterro para garantir o mínimo de passagem na Rua Almirante Tamandaré.

O abandono afeta diretamente moradores que dependem de acesso contínuo aos serviços de saúde. Um idoso com mais de 90 anos, morador da área, necessita de acompanhamento médico constante. O episódio mais recente aconteceu na sexta-feira (04 de setembro de 2025), uma ambulância precisou realizar um atendimento na via, mas enfrentou sérias dificuldades para acessar o local devido às condições da rua, colocando em risco a vida do paciente.


A precariedade contrasta com o entorno. A região abriga uma escola estadual e uma escola conveniada à rede municipal, além de ter recebido obras de pavimentação na Passagem Amoras, a partir da Rodovia Arthur Bernardes. No entanto, os trabalhos foram interrompidos ao chegar ao canal, deixando justamente os trechos da Rua Presidente Costa e Silva e da Rua Almirante Tamandaré fora do projeto, sem qualquer explicação clara à comunidade.
Segundo relatos, apenas um pequeno trecho foi asfaltado anteriormente por ocasião da inauguração de uma das escolas, enquanto o restante das vias segue completamente esquecido pelo poder público.

“É uma situação de total abandono. A rua alaga, não tem esgoto adequado, não tem calçada. A gente pisa na lama todos os dias. São décadas esperando por dignidade”, relata Philippe Henrique, morador da Rua Almirante Tamandaré.
Os moradores cobram asfaltamento completo, drenagem, saneamento básico e acessibilidade, destacando que não se trata de uma demanda recente, mas de um problema estrutural e histórico, que atravessa diferentes gestões sem solução.
A comunidade pede atenção urgente do poder público para garantir mobilidade, segurança, acesso à saúde e condições mínimas de dignidade para quem vive e circula diariamente pela área.
*É jornalista

