Operação “Erga Omnes” prende advogada santarena suspeita de integrar núcleo político do CV e lavar R$ 70 milhões

A advogada santarena Adriana Almeida Lima, de 40 anos, foi presa na última sexta-feira (20), em Manaus, durante a operação “Erga Omnes”, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas. Doutora em Direito e professora da Universidade do Estado do Amazonas, Adriana é acusada de integrar o “núcleo político” da facção Comando Vermelho (CV), atuando na engrenagem financeira de um esquema de lavagem de dinheiro que, segundo as investigações, movimentou cerca de R$ 70 milhões desde 2018.

A informação é do blog do Jeso Carneiro.

Natural de Santarém, no oeste do Pará, Adriana construiu ao longo dos anos uma imagem pública de prestígio acadêmico e influência política. Advogada, mestre em Direito Ambiental pela UEA e doutora pela Universidade Federal de Minas Gerais, ela ocupava posições estratégicas dentro da universidade, onde atuava como professora titular, coordenadora do Núcleo de Prática Jurídica e integrante de comissões consideradas sensíveis, como a Comissão Disciplinar, a Comissão Eleitoral e a Ouvidoria.

A operação teve início após a apreensão de mais de meia tonelada de skunk e sete fuzis. A partir desse flagrante, as investigações avançaram e revelaram uma estrutura considerada sofisticada, que utilizava empresas de fachada e contava, segundo a polícia, com a facilitação de pessoas infiltradas em órgãos públicos para dar aparência de legalidade ao dinheiro oriundo do narcotráfico.

Relatórios de inteligência financeira apontaram Adriana como uma “peça-chave” no esquema, responsável por transações milionárias que ajudariam a ocultar a origem ilícita dos recursos. Para os investigadores, os títulos acadêmicos e a forte exposição midiática funcionavam como uma espécie de “camuflagem social”, permitindo trânsito em ambientes institucionais e políticos estratégicos.

Além da atuação na universidade, Adriana também teve passagem pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), onde exerceu a função de secretária de gabinete de liderança, cargo que lhe garantia acesso aos bastidores do poder estadual.

A contradição entre a imagem pública e as acusações ganhou ainda mais repercussão devido à participação da advogada na COP30, realizada em novembro de 2025, em Belém. Integrando a delegação brasileira na categoria Sociedade Civil, ela se apresentou como pesquisadora e especialista em gestão ambiental, defendendo projetos de governança comunitária e debatendo temas como a BR-319 e o protagonismo dos povos amazônicos no mercado de carbono.

Ao todo, a operação “Erga Omnes” prendeu 14 pessoas e cumpriu mandados em diferentes estados. Em nota oficial, a Universidade do Estado do Amazonas informou que não se responsabiliza por atos praticados por servidores fora do âmbito institucional e destacou que quaisquer ações realizadas pela professora fora das dependências da instituição são de responsabilidade exclusiva dela, reafirmando o compromisso da universidade com a legalidade.

O QP não conseguiu contato com a defesa de Adriana Almeida Lima para apresentar o contraponto. O espaço segue aberto para manifestações e esclarecimentos.

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