Sairé sem perrengue: confira dicas para curtir a festa sem risco de intoxicação alimentar

Fervura do tucupi, refrigeração de alimentos e procedência do gelo estão entre os pontos essenciais para aproveitar a cultura e a gastronomia de Santarém sem surpresas desagradáveis.

Todos os anos, a Festa do Sairé atrai milhares de visitantes à vila de Alter do Chão, em Santarém, no oeste do Pará, transformando a região no epicentro da cultura e do folclore amazônico. Entre as procissões religiosas, a disputa dos botos Tucuxi e Cor de Rosa e as praias do Rio Tapajós, a gastronomia paraense é atração obrigatória na programação que teve início nesta quinta-feira (17).

Contudo, a combinação de calor intenso, grandes multidões e consumo de alimentos ao ar livre exige cuidados reforçados com a segurança alimentar para evitar gastroenterites durante a folia.

Ingrediente de clássicos como o tacacá e o pato no tucupi, o caldo extraído da mandioca-brava precisa passar por cozimento prolongado para a eliminação completa de toxinas e microrganismos. Mas, de acordo com a médica Bruna Borges, professora da Afya Itacoatiara (AM), mesmo que o visitante escolha não consumir pratos típicos, há o risco de intoxicação.

“As maioneses e molhos caseiros representam um perigo clássico, pois frequentemente levam ovos crus e, ao ficarem expostos à temperatura ambiente das barracas, tornam-se o ambiente ideal para a proliferação de bactérias como a Salmonella, motivo pelo qual deve-se exigir sempre as versões industrializadas em sachês”, alerta a professora.

No caso das bebidas, o inimigo é quase invisível. Diante das altas temperaturas que tomam conta da região nesta época do ano, manter a hidratação é fundamental, mas a ingestão de água contaminada é a causa primária de surtos alimentares em grandes eventos com aglomerações. “Nesse cenário, o gelo é um verdadeiro vilão. Por ser ingerido diretamente misturado aos sucos, refrigerantes ou outras bebidas, o gelo fabricado com água não filtrada ou manuseado incorretamente transporta bactérias, vírus e parasitas diretamente para o organismo, mesmo que a bebida em si seja segura”, explica.

A médica esclarece ainda que o maior risco está no gelo moído ou triturado manualmente em barras sem marca, frequentemente produzido para refrigeração de mercadorias e não para consumo humano. “A recomendação é exigir exclusivamente gelo industrializado, cilíndrico ou em cubos regulares, proveniente de sacos lacrados e com identificação do fabricante e selo de água potável”.

Uma rápida observação na estrutura da barraca também faz toda a diferença. O atendente deve manter cabelos presos ou cobertos, roupas limpas e unhas curtas. Outro ponto de atenção é a separação de funções: o profissional que manipula os alimentos jamais deve manusear cédulas de dinheiro ou máquinas de cartão.

“Todos os itens prontos para consumo devem estar protegidos por tampas, películas plásticas ou vitrines transparentes, evitando qualquer exposição a moscas, poeira ou gotículas de saliva. A bancada e a área ao redor do carrinho também devem se apresentar limpas, sem acúmulo de gordura, lixo espalhado ou poças de água. Outro detalhe crucial envolve os insumos e utensílios oferecidos. Copos, pratos, talheres e canudos devem ser descartáveis e mantidos protegidos em embalagens individuais ou suportes fechados”, conclui a professora Bruna Borges.

Veja 7 cuidados antes de comer ou beber nas barracas

  1. Prefira molhos e maioneses industrializados em sachês;
  2. Só consuma gelo industrializado e de embalagem identificada;
  3. Observe se alimentos prontos estão protegidos de poeira e insetos;
  4. Confira a higiene da barraca e de quem manipula os alimentos;
  5. Evite comprar de quem manipula comida e dinheiro sem higienizar as mãos;
  6. Dê atenção à procedência e ao preparo de pratos típicos, especialmente os que levam tucupi;

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