Polícia prende ex-funcionária do Banco da Amazônia suspeita de desviar mais de R$ 188 mil de idosos no Pará

Operação Rastro Oculto foi deflagrada pela Polícia Civil e investiga esquema de fraudes financeiras em Novo Progresso. Suspeita teria utilizado aplicativo bancário instalado no próprio celular para realizar transações sem autorização das vítimas.

Uma mulher suspeita de desviar mais de R$ 188 mil de contas bancárias de clientes idosos foi presa pela Polícia Civil na manhã desta sexta-feira (30), durante a operação “Rastro Oculto”, em Novo Progresso, no sudoeste do Pará. A investigada, identificada como Samanta Brenda Cardoso, que trabalhava no Banco da Amazônia, é apontada como responsável por realizar movimentações financeiras fraudulentas utilizando os dados e recursos de clientes que confiavam em seu atendimento.

As investigações começaram após a denúncia de um idoso que identificou movimentações não autorizadas em sua conta bancária e teve um prejuízo de R$ 138.977,66. Segundo o delegado José Rodolfo Mussi, responsável pelo caso, a suspeita teria aproveitado a relação de confiança com a vítima para cadastrar o aplicativo bancário em um aparelho celular próprio e realizar diversas transferências e operações financeiras sem autorização.

Com o avanço das apurações, a Polícia Civil identificou indícios de que parte do dinheiro teria sido utilizada em compras pessoais, incluindo a aquisição de um aparelho celular avaliado em quase R$ 10 mil. A investigação contou com trabalho de inteligência, análise de movimentações financeiras e levantamento de imagens de câmeras de segurança.

Outras vítimas foram identificadas

O aprofundamento das investigações, autorizado judicialmente por meio da quebra dos sigilos bancário e telemático, revelou indícios de que o esquema poderia atingir outros clientes. Uma segunda vítima, também idosa, teria sofrido prejuízo de R$ 49.950,00. Além disso, movimentações financeiras consideradas vultosas levantaram suspeitas sobre a existência de outras pessoas prejudicadas.

De acordo com o delegado, após tomar conhecimento das investigações e ser afastada das atividades bancárias, a mulher deixou Novo Progresso e passou a circular por diferentes localidades, numa tentativa de dificultar sua localização.

O trabalho de inteligência policial identificou inicialmente o paradeiro da investigada em uma região ribeirinha de difícil acesso, no município de Abaetetuba. O monitoramento também apontou sua presença no Aeroporto Internacional de Belém e deslocamentos posteriores por Guarulhos, em São Paulo, e Sinop, no Mato Grosso, onde houve articulação com a Polícia Judiciária Civil daquele estado.

No final da tarde de quinta-feira (29), os policiais conseguiram localizar a suspeita em uma área rural de Castelo dos Sonhos. A estratégia operacional foi planejada para que a prisão fosse realizada em Novo Progresso, permitindo o cumprimento simultâneo dos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, além da coleta de celulares e outros materiais que podem contribuir para o esclarecimento do caso.

A mulher foi conduzida à Delegacia de Polícia Civil de Novo Progresso, onde foram realizados os procedimentos legais. Ela permanece à disposição da Justiça e é investigada pelos crimes de peculato, inserção de dados falsos em sistema de informações, lavagem de dinheiro e estelionato na forma continuada.

O QP não conseguiu contato com a defesa da suspeita. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos.

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