A história da mulher encontrada com vida após passar cerca de 42 horas à deriva no mar, em Ilhabela, no litoral de São Paulo, acendeu um alerta sobre os riscos do uso de motos aquáticas e reforçou a importância de equipamentos de comunicação para situações de emergência. O tema também chama a atenção na Amazônia, onde acidentes envolvendo jet skis já foram registrados em rios, lagos e áreas de grande movimentação de embarcações.
Diante dos riscos, a Marinha do Brasil publicou novas regras para a navegação de motos aquáticas. A Portaria CPSP/ComOpNav/MB nº 113, de abril de 2026, passou a exigir que embarcações desse tipo mantenham escuta permanente no Canal 16 de rádio VHF durante a navegação em áreas classificadas como Navegação Interior 2. O descumprimento da norma pode resultar em multa, retirada imediata da embarcação da água e até apreensão em caso de reincidência.
A medida ganha relevância especialmente em regiões como a Amazônia, onde muitos passeios ocorrem em áreas afastadas, sem cobertura de telefonia celular e com grandes distâncias até comunidades ou bases de apoio. Em estados como Pará, Amazonas e Amapá, ocorrências envolvendo colisões, panes mecânicas, desaparecimentos e naufrágios de pequenas embarcações mobilizam regularmente equipes de busca e salvamento.
Segundo a instrutora de navegação e embaixadora da Sea-Doo, Ana Paula Paz, a comunicação rápida pode ser decisiva para salvar vidas. Ela destaca que muitos usuários ainda confiam exclusivamente no telefone celular, que pode ficar sem sinal, descarregar ou ser danificado pela água.
“O rádio VHF continua sendo o equipamento mais confiável para comunicação na navegação. Em uma emergência, ele permite contato imediato com outras embarcações, marinas e autoridades responsáveis pelo socorro”, explica.
O Canal 16 é a frequência internacional destinada a chamadas de emergência e segurança marítima. Por meio dele, navegadores podem pedir ajuda em situações como falhas mecânicas, falta de combustível, acidentes, mudanças bruscas no tempo ou qualquer ocorrência que coloque pessoas em risco.
O caso registrado em Ilhabela é apontado por especialistas como um exemplo de que imprevistos podem ocorrer mesmo durante passeios recreativos. Quanto mais rápido um problema é comunicado, maiores são as chances de localização e resgate.
A nova regulamentação também determina que o equipamento utilizado seja um rádio marítimo homologado para operar na faixa VHF e com acesso ao Canal 16. Para motos aquáticas, os modelos portáteis são os mais recomendados por serem compactos, resistentes à água e de fácil transporte junto ao piloto.
Além da obrigatoriedade do rádio, a portaria estabelece outras regras para aumentar a segurança da navegação. Entre elas estão a distância mínima de 200 metros da faixa de praia, limite máximo de uma milha náutica da costa, navegação apenas com boa visibilidade, ventos moderados e ondas inferiores a um metro.
Especialistas avaliam que as novas exigências acompanham uma tendência internacional de reforço à segurança náutica. Na Amazônia, onde rios de grande extensão e condições climáticas variáveis podem aumentar os riscos da navegação, a recomendação é que pilotos de motos aquáticas adotem equipamentos de comunicação e segurança mesmo em trajetos considerados curtos.
“O rádio não deve ser visto apenas como uma obrigação legal, mas como um item essencial para quem navega. Em muitos casos, o primeiro auxílio vem de outra embarcação que recebeu o chamado de socorro e estava próxima do local”, afirma Ana Paula.

