Caso que chocou Santarém vai a júri popular após mais de três anos da morte de Líbia Tavares

Um dos casos criminais de maior repercussão em Santarém, no oeste do Pará, será julgado nesta quinta-feira (28), no Fórum da cidade. Jussara Nadiny Cardoso Paixão será submetida ao Tribunal do Júri acusada de homicídio qualificado pela morte de Líbia Tavares dos Santos, em um episódio de violência no trânsito ocorrido em fevereiro de 2023.

O julgamento será conduzido pelo juiz Gabriel Veloso de Araújo, titular da 3ª Vara Criminal, e deve contar com o depoimento da acusada e de nove testemunhas ao longo da sessão.

Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público do Pará, Jussara responde por homicídio qualificado por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, circunstâncias previstas no artigo 121 do Código Penal. A acusação sustenta que o crime possui natureza hedionda.

A defesa da acusada, representada pelo advogado Alessandro Moura Silva, argumenta que não houve intenção de matar e tentou, durante o andamento do processo, desclassificar o caso para lesão corporal seguida de morte. O pedido, porém, foi rejeitado pela Justiça. A assistência de acusação é feita pelo advogado Wlandre Gomes Leal.

O caso aconteceu na noite de 22 de fevereiro de 2023, na avenida Sérgio Henn, nas proximidades do Hospital Regional do Baixo Amazonas. Conforme as investigações, a confusão começou após um desentendimento entre Jussara e Líbia em um bar localizado na praça Elias Pinto, no bairro Prainha.

Horas depois, as duas voltaram a se encontrar na avenida Sérgio Henn, onde a discussão evoluiu para agressões físicas. Segundo o inquérito, Líbia se posicionou em frente ao carro conduzido por Jussara e acabou subindo no capô do veículo quando a motorista arrancou. Ainda de acordo com a investigação, a acusada percorreu cerca de 230 metros antes de frear bruscamente, fazendo com que a vítima fosse arremessada ao chão.

Líbia morreu ainda no local. O laudo do Instituto Médico Legal apontou traumatismo craniano grave, múltiplas fraturas e hemorragia cerebral como causas da morte.

Jussara Nadiny foi presa em flagrante no dia do ocorrido e permaneceu detida até março de 2023, quando passou a responder ao processo em liberdade provisória, mediante cumprimento de medidas cautelares.

O processo passou por diferentes instâncias judiciais nos últimos anos, o que acabou adiando a realização do júri popular. Em dezembro de 2025, o Superior Tribunal de Justiça encerrou a análise dos recursos apresentados pela defesa e manteve a decisão que determinou o julgamento pelo Tribunal do Júri em Santarém.

Com a decisão definitiva, o processo retornou ao Tribunal de Justiça do Estado do Pará, que marcou o julgamento para esta quinta-feira (28), no Fórum de Santarém.

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