Por: Diane Maués,
Um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do curso de Fonoaudiologia da Universidade do Estado do Pará (Uepa) trouxe à tona um problema cada vez mais comum, mas muitas vezes ignorado: os impactos do uso inadequado de fones de ouvido na saúde auditiva. Intitulado “Impactos Auditivos Associados ao Uso Recreativo de Fones de Ouvido: uma revisão integrativa”, o estudo revela que práticas frequentes entre jovens podem levar a prejuízos significativos e até permanentes.
A pesquisa foi desenvolvida pelo estudante Levi Alfeu Almeida Lobato Brito, sob orientação da professora Liliane Dias e Dias de Macedo, e ganha ainda mais relevância no contexto das ações de conscientização sobre os efeitos do ruído na saúde. O levantamento aponta que adolescentes e jovens adultos, entre 12 e 25 anos, estão entre os mais vulneráveis, principalmente pelo uso prolongado e em volumes elevados.
De acordo com os dados analisados, mais de 78% dos jovens utilizam dispositivos de áudio por mais de uma hora por dia, ultrapassando níveis considerados seguros. Sons acima de 85 decibéis, comuns em fones de ouvido, já representam risco quando a exposição é contínua. Em muitos casos, os aparelhos podem atingir até 136 decibéis, intensificando o perigo.
O estudo identificou que o uso inadequado pode causar perda auditiva induzida por ruído, além de sintomas como zumbido, sensação de ouvido tampado, hipersensibilidade a sons e dificuldade de concentração. Em situações mais graves, também podem surgir dores de cabeça, irritabilidade, distúrbios do sono e até alterações na pressão arterial.
Outro dado que chama atenção é que 83,4% dos jovens avaliados apresentaram sinais de perda auditiva subclínica — quando ainda não há sintomas perceptíveis, mas exames já indicam alterações. A exposição precoce ao ruído, segundo os pesquisadores, pode aumentar o risco de perda auditiva ao longo da vida.
Segundo o autor do estudo, a escolha do tema surgiu da observação do aumento de casos relacionados ao uso recreativo de fones. A proposta é incentivar o uso consciente e orientar a população sobre formas seguras de utilização. Entre as recomendações estão manter o volume em até 60% da capacidade do aparelho e limitar o uso contínuo a no máximo uma hora, com pausas regulares.
A pesquisa também reforça a necessidade de ações educativas e políticas públicas voltadas à prevenção, destacando o papel da fonoaudiologia na conscientização da população. A estimativa da Organização Mundial da Saúde indica que mais de um bilhão de jovens estão sob risco de desenvolver perda auditiva por exposição excessiva a sons intensos.
O curso de Fonoaudiologia da Uepa, que formou sua primeira turma neste ano, já nasce contribuindo com estudos relevantes para a saúde pública, fortalecendo o debate sobre hábitos cotidianos que podem impactar diretamente a qualidade de vida da população.
*Jornalista / Centro de Ciências Biológicas e da Saúde – CCBS/Uepa

