As principais entidades que representam o setor produtivo do Pará divulgaram nota pública de repúdio contra a invasão e os atos de violência registrados na noite de sexta-feira (20) e na madrugada de sábado (21) nas instalações da Cargill, em Santarém, no oeste do Pará, e também no escritório central da multinacional em São Paulo. No documento, as instituições classificam as ações como graves, ilegais e incompatíveis com o Estado de Direito, e cobram providências urgentes para restabelecer a segurança e o funcionamento do terminal portuário.
A tensão envolvendo o protesto contra o Decreto nº 12.600/2025 ganhou um novo capítulo na madrugada deste sábado (21), quando indígenas ocuparam o setor administrativo do terminal da empresa em Santarém. O decreto inclui a hidrovia do Rio Tapajós no Plano Nacional de Desestatização, autorizando a concessão e privatização de trechos considerados estratégicos na região. A empresa confirmou a ocupação e informou que suas operações estão integralmente interrompidas.
Desde o dia 22 de janeiro, movimentos de povos originários bloqueavam o acesso de caminhões ao terminal, exigindo a revogação do decreto que trata da desestatização da hidrovia do Tapajós. Após 30 dias de mobilização do lado de fora da unidade, o grupo decidiu ocupar o prédio administrativo. Segundo a empresa, o plano de emergência foi acionado e todos os funcionários que estavam no local foram evacuados por motivos de segurança.
Na nota, as entidades afirmam que os episódios registrados envolveram invasão, depredação, destruição de equipamentos, danos a estruturas operacionais, além de ameaças diretas a trabalhadores e restrição de liberdade por horas, sob risco à integridade física. Para o grupo, tais práticas são inaceitáveis e não se justificam como forma legítima de reivindicação.
O documento também destaca que as demandas apresentadas pelos manifestantes são de competência exclusiva do Governo Federal e que direcionar atos de violência contra uma empresa privada, que não teria ingerência sobre a pauta, desvirtua o debate democrático e enfraquece os canais institucionais adequados para tratar das reivindicações.
As entidades reforçam que respeitam o direito constitucional à livre manifestação, mas sustentam que nenhuma causa autoriza ocupação irregular, intimidação de trabalhadores, danos ao patrimônio ou interrupção forçada de atividades econômicas. Diante da continuidade da ocupação, o setor produtivo solicita às autoridades competentes que adotem medidas imediatas para restabelecer a posse e o funcionamento seguro do terminal portuário de Santarém, garantir a integridade dos trabalhadores, assegurar a realização de perícias e investigações e evitar novos prejuízos materiais e operacionais.
Assinam a nota a Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), a Federação da Agricultura do Estado do Pará (Faepa), a Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropastoris do Estado do Pará (Faciapa), a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Pará (FCDL), a Federação das Micro e Pequenas Empresas do Estado do Pará (Fampep), a Associação Comercial do Pará (ACP), a Associação das Indústrias Exportadoras de Madeiras do Estado do Pará (Aimex), a Associação Paraense de Supermercados (Aspas), a Associação dos Dirigentes de Marketing e Vendas do Brasil – Seção Pará (ADVB PA), o Centro das Indústrias do Pará (CIP), a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belém (CDL) e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Pará (Sebrae PA).
No posicionamento conjunto, o Fórum das Entidades Empresariais reafirma seu compromisso com a defesa do Estado de Direito, da livre iniciativa e do diálogo institucional como caminho legítimo para a construção de soluções, reiterando disposição para colaborar, dentro de sua esfera de atuação, com iniciativas que promovam segurança jurídica, respeito às normas e convivência democrática.

