Esquema de grilagem ameaça 13 mil moradores em Santarém

Uma investigação policial aponta que mais de 13 mil moradores dos bairros Uruará e Área Verde, em Santarém, no oeste do Pará, podem ter suas propriedades ameaçadas por um suposto esquema de falsificação de documentos utilizado para negociar terras que pertencem ao empresário português João Vasco Pinheiro Marques Pinto.

De acordo com as apurações, o corretor de imóveis Ricardo André Pinto da Silva, junto com o irmão Edson Luiz Pinto da Silva e outras pessoas, teria utilizado procurações e documentos falsos lavrados em cartórios de Minas Gerais e do Distrito Federal para vender áreas que não lhes pertenciam. O esquema teria sido semelhante a fraudes já investigadas pelo Ministério Público em outros estados.

Enquanto os supostos vendedores alegavam que o proprietário das terras havia falecido, advogados de João Vasco apresentaram provas de que ele está vivo e que nunca autorizou qualquer negociação de suas propriedades. A denúncia levou à abertura de um inquérito pela Delegacia Especializada em Conflitos Agrários de Santarém, em fevereiro de 2026, para apurar suspeitas de grilagem, falsificação de documentos públicos e usurpação de terras.

Caso a Justiça reconheça a irregularidade das vendas, títulos de propriedade emitidos com base nesses documentos poderão ser anulados, afetando milhares de moradores que acreditavam ter adquirido terrenos de forma legal. O caso também pode atingir empresas que compraram áreas na região com base na documentação questionada.

A investigação agora busca esclarecer como o grupo teria utilizado cartórios de outros estados para dar aparência de legalidade às negociações e identificar todos os envolvidos no suposto esquema.

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