Exposição transforma vestígios milenares da Amazônia em arte e memória em Santarém

Há histórias que sobrevivem ao tempo escondidas sob a terra. Fragmentos de cerâmica, marcas deixadas por antigos povos e vestígios silenciosos que atravessaram séculos aguardando o momento de voltar à luz. A partir desta sexta-feira (5), no coração de Santarém, no oeste do Pará, essas memórias ganham novos contornos na exposição “Desenhando a Arqueologia”, que abre suas portas no Centro Cultural João Fona, convidando o público a uma viagem pela riqueza do patrimônio arqueológico amazônico.

A mostra reúne desenhos técnicos arqueológicos produzidos a partir de acervos encontrados em Santarém, Itaituba e Monte Alegre. Mais do que ilustrações, os trabalhos revelam detalhes minuciosos de objetos que ajudam a contar a história das populações que habitaram a região muito antes da chegada dos colonizadores. Cada traço funciona como uma ponte entre passado e presente, transformando a ciência em linguagem acessível para todos os públicos.

Ao percorrer a exposição, os visitantes poderão observar como o desenho técnico desempenha papel fundamental na documentação, pesquisa e preservação dos bens arqueológicos. A iniciativa também amplia o acesso ao conhecimento por meio de materiais táteis em cerâmica, permitindo que a experiência vá além da observação visual e alcance diferentes formas de percepção.

Instalada em um dos mais importantes espaços culturais da cidade, a exposição aposta na inclusão como parte essencial da experiência. Audiodescrição, interpretação em Libras, textos em braile, acessibilidade arquitetônica e recursos digitais foram incorporados ao projeto para garantir que o patrimônio amazônico possa ser apreciado por um público cada vez mais diverso.

A iniciativa é coordenada pela arqueóloga, artista e produtora cultural Mayara Sá, que há anos trabalha na interseção entre arqueologia, arte e divulgação científica. Por meio do projeto “Desenhando a Arqueologia”, ela busca aproximar a população dos tesouros históricos da Amazônia, transformando descobertas acadêmicas em experiências culturais capazes de despertar pertencimento, curiosidade e reflexão.

A abertura da exposição acontece às 18h desta sexta-feira e contará com apresentação cultural, conversa sobre o projeto e visita guiada pelos espaços da mostra. Os participantes inscritos receberão certificado de participação.

Com entrada gratuita, “Desenhando a Arqueologia” permanecerá aberta à visitação até o dia 3 de julho de 2026, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Durante esse período, escolas, associações e grupos organizados também poderão agendar visitas para conhecer de perto os vestígios de uma Amazônia ancestral que continua viva, não apenas nos museus e sítios arqueológicos, mas também na identidade dos povos que habitam a região até hoje.

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