Municípios do sudoeste do Pará estão no centro de uma grande ofensiva contra a exploração ilegal de madeira. A Operação Maravalha, deflagrada no último dia 24 pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), intensifica a fiscalização da cadeia produtiva florestal na região, com foco especial em áreas sob forte pressão ambiental.
O principal objetivo é conter a degradação ambiental provocada pela extração ilegal de madeira, sobretudo em áreas sensíveis, como unidades de conservação, terras indígenas, glebas públicas federais e propriedades privadas.
Entre os territórios mais impactados e que seguem sob monitoramento constante estão a Terra Indígena Cachoeira Seca, a Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, o Parque Nacional do Jamanxim e as Florestas Nacionais do Jamanxim, do Trairão e de Itaituba I e II. Essas áreas, localizadas na região de influência da operação, têm sido alvo recorrente de invasões e retirada clandestina de madeira.

A partir de levantamentos de inteligência, o Ibama identificou indícios de irregularidades em cerca de 100 serrarias. O mapeamento apontou fluxos suspeitos de transporte, falhas nos sistemas de controle florestal e possíveis conexões entre áreas de extração ilegal e polos industriais.
Estudos técnicos indicam que mais de 30% da madeira explorada na Amazônia pode apresentar sinais de irregularidade, o que reforça a necessidade de ações contínuas e integradas de fiscalização.
Durante as inspeções, foram constatadas práticas como a abertura de ramais clandestinos para escoamento da produção ilegal e o chamado “esquentamento” de madeira — quando produto extraído ilegalmente é misturado a cargas de origem autorizada, passando a circular com documentação aparentemente regular.
A madeira beneficiada nesse esquema é comercializada principalmente para as regiões Sul, Sudeste e Nordeste do país, além de uma pequena parcela destinada à exportação.
As fiscalizações abrangem toda a cadeia produtiva, desde o recebimento da madeira em tora nas indústrias até o transporte e a destinação de resíduos. Até agora, 26 madeireiras foram vistoriadas — todas apresentaram algum tipo de irregularidade. Parte operava de forma totalmente clandestina, sem documentação ou comprovação da origem da matéria-prima.
Entre as medidas que podem ser adotadas estão embargo de atividades, apreensão de madeira, veículos e equipamentos, além da aplicação de multas. As informações reunidas também servirão para responsabilização administrativa e criminal dos envolvidos.
Bens apreendidos, como móveis produzidos com madeira ilegal, já foram destinados à Polícia Rodoviária Federal. O Exército Brasileiro, por meio do 53º Batalhão de Infantaria de Selva, em Itaituba, recebeu a doação de 90 metros cúbicos de madeira serrada da espécie cupiúba.
Em Anapu, parte da madeira apreendida em uma empresa clandestina foi furtada durante a noite, evidenciando as dificuldades logísticas e operacionais enfrentadas pelas equipes na guarda e destinação do material.
Além do impacto ambiental, a exploração ilegal de madeira provoca prejuízos sociais e econômicos, afeta comunidades locais e gera concorrência desleal com empresas que atuam dentro da legalidade, com planos de manejo florestal sustentável devidamente autorizados.
A ação é coordenada pelo Ibama, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e integra a estratégia permanente de combate aos crimes ambientais na Amazônia. Mais de 150 agentes participam da operação, com apoio da Força Nacional de Segurança Pública, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Militar do Pará.

